setembro 11, 2005

Campanha do Desarmamento

"É preciso considerar, no entanto, que as tentativas que buscam aliar políticas governamentais com exigências de democratização da sociedade nem sempre conseguem ser bem-sucedidas. Não é fácil ter êxito na associação de agendas políticas cujos alvos são diferentes e que são fonte recorrente de conflitos em torno de prioridades para a gestão das políticas públicas. Este parece ser o caso da Campanha do Desarmamento. A campanha pretende, além de proibir o comércio de armas, estabelecer as regras para o seu uso e alterar comportamentos e valores da população. O objetivo é induzir a população a uma mudança significativa no uso de armas. Além disso, busca mostrar os efeitos danosos e destrutivos da posse de armas e de seu uso e o perigo associado ao número de armas disponível na sociedade. ... ... No entanto, o que precisamos enfatizar é o fato desta política específica – que enfoca um domínio no qual é flagrante e fundamental o desrespeito aos direitos civis – não se dirigir a cidadãos. Estar estruturada de forma a ter como eixo as modalidades do emprego das armas neste país. Será que é tão complicado relacionar exigências de controle de armas à ampliação efetiva do estado de direito? Como ignorar que as armas são usadas como medida de força e de imposição (tanto de forma privada como pelo Estado) sobre indivíduos que deveriam ser reconhecidos, em primeiro lugar, como portadores de direitos civis?" Patricia Birman. Antropóloga do Departamento de Ciências Sociais da Uerj. 9/09/2005. Caminhos democráticos para o controle das armas. Agência Ibase

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