setembro 18, 2005

The Economist elogia o Bolsa Família

mas, no Brasil, nenhum jornal repercute
Antes, uma observação: o texto abaixo não pretende falar bem do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas tão somente apontar como a grande mídia brasileira reage quando informações vindas do exterior contradizem as 'verdades estabelecidas' geradas pela repetição de estereótipos, pela preguiça em apurar a realidade e pela predisposição condenatória das grandes empresas jornalísticas. O comentário a seguir pretende apenas demonstrar (mais uma vez) o uso de dois pesos e duas medidas que a grande imprensa empresa para amoldar a realidade aos seus interesses. Como prévia, é necessário dizer que a publicação estrangeira da qual se tratará - a revista britânica The Economist - serve de modelo para muitos jornais e revistas do mundo inteiro. ... o ideário da revista baseia-se na defesa da liberdade individual em todas as circunstâncias, desde liberalização total das drogas, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, passando pelo livre-comércio e pela interferência mínima do estado na vida dos cidadãos. Feitas as observações, os fatos: Nesta semana, a The Economist traz dois textos em que o Brasil é referência, ambos com conclusão elogiosa sobre um assunto que, na imprensa brasileira, já está morto e sepultado por culpa da incompetência do governo Lula: o programa de treansferência de renda. ... Há diferenças monumentais quando se compara a reportagem da revista britânica com as dos grandes jornais brasileiros sobre o tema. A mais notável é que a empresa que controla a revista investiu na viagem de seu jornalista, para que ele tivesse o trabalho de se locomover até a cidade de Ocara e checar o que ocorre na região mais miserável do Brasil. Esse empenho não se manifesta nas empresas que controlam os maiores órgãos de informação do Brasil. Sai mais barato pagar um ou mais colunistas sediados em Brasília, Rio de Janeiro ou São Paulo para escrever aquilo que, por coincidência, os donos das empresas querem divulgar.
Postado por: Alceu Nader. Observatório da Imprensa/blogs/contrapauta

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