setembro 08, 2005

a hora e a voz das Excluídas

38ª reunião da Mesa Diretora da Conferência Regional sobre a Mulher, que termina nesta quinta-feira, na cidade argentina de Mar del Plata. Reconhecer o trabalho doméstico é dívida dos governos com a mulher latina O reconhecimento do trabalho doméstico não remunerado pelos sistemas de seguro social, para uma velhice digna das mulheres, é uma das dívidas dos governos latino-americanos, segundo especialistas da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). "As questões do seguro social são históricas. Desde o início, ele foi discriminatório e excludente", afirmou nesta quinta-feira Flavia Marco, especialista da Unidade Mulher e Desenvolvimento da Cepal, insistindo em que esta discriminação tem origem na "exclusão do trabalho reprodutivo, apesar de que, com ele, subsidia-se o sistema, e do fato de que aquele que o realiza não se aposenta nunca". Ao contrário da Europa, onde o cálculo da aposentadoria de homens e mulheres é feito a partir de uma mesma tabela, que não diferencia os sexos, na América Latina "ela ainda é calculada a partir de tabelas diferenciadas", denunciou Sonia Montaño, chefe desta Unidade da Cepal. Brasil, Cuba, Belize e Costa Rica têm ou estão avançando em políticas de seguro social mais eqüitativas afirma Sonia. Também existe a necessidade de criação de novas políticas de distribuição do tempo, para que a mulher "tenha acesso ao mercado de trabalho e haja igualdade dentro das famílias", destacou a consultora brasileira Rosiska Darcy de Oliveira..."repensar o cotidiano de homens e mulheres, para aumentar sua qualidade de vida e seu produto de felicidade bruto". Ela insistiu em que "este é um problema das sociedades, e não exclusivo das mulheres", mas alertou que tampouco se resolve "com uma negociação entre homens e mulheres dentro do lar (...) É necessário incluir na agenda das democracias uma idéia simples: a organização da sociedade e o equilíbrio de seus tempos têm que ser completamente reestruturados, para atender à nova realidade das famílias". A argentina Laura Pautassi, consultora da Cepal, concorda que "os novos sistemas reproduzem a discriminação ocupacional e salarial que afeta as mulheres". Assim, ganham importância as políticas de emprego, para que as mulheres possam obter autonomia financeira, outro tema discutido na reunião. "Todos os estudos mostram que a distribuição de renda dentro dos lares não costuma ser eqüitativa, e que quando uma mulher possui renda própria, favorece sua autonomia econômica", destacou Sonia Montaño. Segundo dados da Cepal, metade das mulheres latinas não tem renda própria, o que as torna mais vulneráveis e faz com que, "frente à viuvez ou ao divórcio, possam cair muito facilmente na pobreza", alertou. Também existe a necessidade de criação de novas políticas de distribuição do tempo, para que a mulher "tenha acesso ao mercado de trabalho e haja igualdade dentro das famílias", destacou a consultora brasileira Rosiska Darcy de Oliveira. portal uai

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