setembro 12, 2005

Imperdível a Edição Especial da Revista sobre "Corrupção"
segue o editorial
A PERGUNTA DE NOEL Diante da avalanche de denúncias que jornais, revistas, rádios e televisões vêm despejando freneticamente sobre a população, de modo a sobressaltá-la (o editor de uma revista semanal chegou a anunciar, com a presunção que caracteriza o jornalismo Daslu, que não sossegará enquanto não derrubar o governo), Caros Amigos decide lançar este especial sobre o tema do momento.. Sabemos, desde nossa infância rica ou pobre, que a desonestidade faz parte do cotidiano dessa sociedade que, hoje, parece horrorizada ao olhar-se no espelho a partir de casos envolvendo políticos e seus partidos. Como se a corrupção nesse terreno escorregadio tivesse nascido da união entre Marcos Valério e Delúbio Soares. Chega às raias do escárnio a falsa indignação exibida por certos políticos profissionais - alguns antigos e de histórico nada lisonjeiro - nas sessões das CPls, nas entrevistas a repórteres ou em anúncios de televisão e rádio produzidos por seus partidos. Como se jornais, revistas, rádios e televisões não conhecessem, dentro de suas próprias estruturas, ou de seus protegidos, casos de sonegação, suborno, jabás e outras formas de corrupção. Como se todos não soubéssemos que tanto pequenos quanto grandes empresários fazem manobras ilícitas para recolher menos impostos do que os devidos. Como se a maioria das classes rica e média não aceitasse de bom grado a instituída proposta do "com nota ou sem nota?". Exclusive a classe pobre, claro, que não freqüenta médicos ou dentistas a não ser os de postos de saúde públicos, não vai a restaurantes nem às compras e, quando registrada no trabalho que consegue, tem descontadas em folha suas contribuições aos cofres públicos. Como se não estivesse consagrada a corrupção miúda, da "caixinha" para conseguir aprovação no exame de motorista, ou do pequeno suborno para não ser multado por infração em ruas ou estradas, só para falar do trânsito. Todos sabemos viver num país que deixa proliferar especialistas em driblar o Fisco, e onde se ministram cursos de lobby, essa atividade-mãe do suborno que funciona legalmente e que livremente percorre corredores e gabinetes do poder político, utilizando desde propina até lindas garotas de programa para alcançar seus objetivos. O tema é inesgotável, e esta edição procurou tratá-lo à luz principalmente do que vem acontecendo no cenário político. Se bem que esse mesmo cenário poderia ser projetado para todo o corpo nacional, e a partir dele, idealmente, o país resolvesse caminhar para uma fase de reflexão sobre o presente e o passado, de forma a conseguir responder à pergunta que Noel Rosa já fazia em 1933 numa de suas músicas: Onde Está a Honestidade?

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