setembro 17, 2005

Palocci além da conta

O ministro Antonio Palocci está indo longe demais. ... Não dá pra recuar diante de irmão de ministro. Era só o que faltava! ... O homem tem de depor. Comanda a maior obra pública em curso no país. Há vários testemunhos de que ele respondia pelo caixa dois do PT em Goiânia. O dono da Interbrazil, uma empresa furreca ... confessa que abastecia com dinheiro ilegal justamente o PT da capital de Goiás, onde Adhemar era o manda-chuva. Palocci, o principal, tem é de agradecer a generosidade da “turma da estabilidade”. Fosse um outro governo, o convocado seria ele próprio. Palocci quer agora direitos de fidalgo? Palocci está dizendo que alguns homens estão acima da lei. Sua “estabilidade” já começa a ficar muito cara. Se tiver de sair para que as instituições cumpram o seu papel, paciência! Haverá algum nervosismo, mas ele também sabe que não é fim do mundo. Os fundamentos estão sólidos, não é? O que não dá é para o ministro exigir a mesma, e já indevida, proteção de que goza Lula. Se ele mesmo diz que não interfere na carreira do irmão, que não teria ascendido ao posto graças à sua interferência, que deixe, então, a República seguir seu curso. Palocci quer mais que foro especial. Este país parece um hospício. O STF cassa o foro especial ... mas um ministro do Estado, na prática, anuncia: “O meu irmão é intocável”, o que é muito mais do que foro especial ou privilegiado. Eis aí, de fato, um privilégio inaceitável. Está chegando a hora de Palocci reconhecer que ele já coleciona inconsistências demais para quem reivindica tantas licenças. ... E o país vai ficando calado. E a oposição apostando na estabilidade ... Por isso, por causa desse silêncio cúmplice, Palocci aumenta a área de isolamento e inclui também o irmão. Esse ‘Olhem que eu vou embora ‘de Palocci merece uma resposta à altura: convocação já de Adhemar. Que vá.
Oposições precisam insistir na convocação de irmão de ministro. Ou então darão vexame. Reinaldo Azevedo. Primeira Leitura

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