dezembro 29, 2006

2007

aos amigos e aos visitantes do blog os melhores votos de um novo ano repleto de alegria e paz

novembro 12, 2006

despedida

Caixa Preta será lacrada, por tempo indeterminado, a partir desta data com o texto de Mino Carta trancrito a seguir. Agradeço aos 14.417 visitantes.

Um País sem Justiça

Tenho vergonha de viver no Brasil. Trata-se, em primeiro lugar, de um País sem Justiça. Onde um pé rapado, mesmo o último dos imbecis, pode acusar os semelhantes de crimes hediondos sem correr risco algum. Onde pessoas honradas são ofendidas, insultadas, caluniadas sem prova. Onde o privilégio é de poucos, pouquíssimos, e onde a mídia cuida pontualmente dos interesses da minoria, em oposição nítida àqueles do País, até porque é um dos rostos do poder. Onde o esforço concentrado dos donos dos meios de comunicação se dá no sentido de entorpecer os espíritos e obnubilar as consciências. Onde batalhões de jornalistas chamam seus patrões de colegas. Onde senhores como Daniel Dantas, que compra literalmente vários profissionais midiáticos (profissionais? Prefiro Totó Riina, prefiro Provenzano, que estão na cadeia), são condenados mundo afora e aqui vivem à larga, e são até paparicados pelo ministro da Justiça, o eminente jurista Marcio Thomaz Bastos. Cujo escritório (diz ele, ex-escritório, de faces lavadas) me processa em nome do mesmo orelhudo Daniel Dantas. Corre o processo no penal porque, lá pelas tantas, tempos outros, escrevi que o próprio parecia ter condições de chantagear o herói da democracia nativa, o príncipe dos sociólogos Fernando Henrique Cardoso. Vamos à verdade factual. De volta de uma de suas viagens a Cayman, DD visitou o então presidente da República, e jantou com ele no Alvorada. Dias depois, punhado exíguo de dias, FHC nomeou Luiz Leonardo Cantidiano para a CVM e demitiu em bloco a diretoria da Previ. É do conhecimento até do mundo mineral que ambas as providências agradaram sobremaneira o dono do Opportunity. Manobras entre amigos, e aos amigos tudo, aos inimigos a lei. Não é que aqui, neste breve espaço, já nos passos conclusivos de uma vida austera e digna, tenha arrolado todas as razões da vergonha experimentada, neste exato instante, por viver no Brasil. Este é o País onde há quem diga que você não presta porque não mede um metro e oitenta, e o definem como ladrão sem incomodar-se com os verdadeiros ladrões. Em dia recente, um caluniador contumaz surgiu na minha frente, estava atrás da janela de um táxi e eu na calçada. Ele me viu, e o táxi, que já estacionava no meio fio, saiu de carreira. Trata-se de um covarde. Outras coisas poderia dizer dele, mas não cairei nos seus hábitos, ainda sou partidário da antiqüíssima máxima: in dubio pro reo. Covarde, no entanto, ele é, como um dos patrões dele, que também fugiu faz trinta anos, para ser preciso. E o homem tem um metro e oitenta. Quanto à minha estatura, de fato não é avantajada. Sou apenas do tamanho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que felizmente foi reeleito. Mas o caluniador, entendam, fisicamente não é tão grande assim. Aliás, eu o enxergo mínimo. Ele permite-se também imitações de alguém que fala o português do Brasil com sotaque italiano. Tenho infinito orgulho da minha origem italiana. Diga-se que na Itália existem a máfia e Berlusconi, mas a Justiça funciona. Se falamos, contudo, do Brasil, direi que vergonha não tenho do seu povo, tenho da sua elite, a despeito das exceções: vulgar, arrogante, feroz, predadora, ignorante, medieval. Presumida elite, disposta a arregimentar jagunços e sabujos, armas e penas de aluguel. Aliás, tempos para cá, pronuncio e escrevo a palavra povo com deleite cada vez maior. E sou mais brasileiro do que muitos. Eles não gozam de mérito especial por terem nascido no Brasil. Eu o escolhi.

enviada por mino

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novembro 08, 2006

torcida a favor

Democratas retomam maioria na Câmara; disputa no Senado fica indefinida

O Partido Democrata ganhou o controle da Câmara de Representantes nas eleições legislativas realizadas na última terça-feira nos Estados Unidos e prometeu impulsionar uma mudança na política norte-americana no Iraque. A disputa pela maioria no Senado continua indefinida, faltando apenas a conclusão da apuração em dois Estados. ultimosegundo

E a política no resto do mundo?

Palestina, Líbano, Sudão, África, América Latina, Cuba, Coréia do Norte, Afeganistão, Irã etc etc

e os lobbies?

São tantas as intervenções americanas que vão faltar 'democratas' para tanta mudança!

novembro 05, 2006

novembro 04, 2006

O inferno astral da classe média

Ou os turistas se organizam para defender seus direitos ou daqui a pouco viajar no feriadão será algo tão penoso quanto conseguir atendimento em hospital público em dia de acidente de trem. Como se não bastasse o caos habitual nas estradas, a desordem nos aeroportos neste Finados lembra ponto de ônibus após noite de ataques a São Paulo. Periga o PCC se aproveitar da confusão na área de check-in para incendiar aviões parados na pista.

Sorte das companhias aéreas, aliás, que passageiro de avião não é de reclamar nem quando lhe servem maxi goiabinha e ice tea de pêssego no almoço. Nas áreas da expansão do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, é comum ver bandos deles circulando feito baratas tontas de um portão de embarque para outro, atendendo aos comandos de voz do sistema de alto-falantes. Viajar de avião não é coisa para amador.

Tá certo que não é só no Brasil que a aviação comercial perdeu inteiramente o glamour - o fenômeno da esculhambação do serviço de bordo é mundial -, mas, convenhamos, tudo tem limites. As cenas que estamos assistindo no “Jornal Nacional” por conta do movimento dos controladores de vôo – ô, raça! - são desumanas com aqueles pobres coitados em gozo de folga. Nem no inferno o Dia dos Mortos é tão animado!

Não sei exatamente o significado dos feriados na vida do leitor, na minha não fazem a menor diferença. Raramente deixo de trabalhar nesses dias em que, por determinação civil ou religiosa, troca-se o serviço pela praia, os engarrafamentos da cidade pelos das estradas, um bom DVD por madrugadas em salas de embarque, um aborrecimento por outro. Jornalistas são como médicos, policiais, porteiros de boate, garçons, flanelinhas, bilheteiros de cinema, funcionários da praça de pedágio, lixeiros, motoristas de táxi, garotas de programa e donas-de-casa. Para essa turma – ô, raça! -, feriados são por vezes até mais trabalhosos, quando não demasiadamente enfadonhos.

Pensando bem, podia ser pior, ainda que não tão ruim quanto a vida de passageiro de avião. Tem gente que nessas ocasiões leva sete, oito horas ao volante do carro para chegar à praia. Acontece também de, em lá chegando, faltar água, fazer calor à noite, entupir o vaso sanitário, acabar a cerveja gelada, pisar no ouriço, vazar óleo no mar, ventar de doer, tocar pagode na vizinhança, chover e, supra-sumo do inferno, os mosquitos invadirem sua praia.

A felicidade, como se sabe, é coisa relativa nos feriadões, quando o ser humano fica mais tolerante com aborrecimentos. De folga, o brasileiro médio é capaz de abrir mão de todo conforto que o trabalho lhe proporciona. Troca o jantar por qualquer pizza, o ar condicionado pelo ventilador de teto, a privacidade do quarto pelo sofá-cama da sala, a TV tela plana de 29’ recém instalada na sala de sua casa por aquela velha 14’ cheia de fantasmas que foi acabar sua vida útil na casinha de veraneio, troca até “Manhattan Conection” por “Sob nova direção”.

Faz qualquer negócio pela sensação de estar experimentando algo diferente para quebrar a rotina. Divide banheiro com o cunhado, pipa d’água com vizinhos, sorvete com a sogra, banana bot com a garotada na praia, não há mico que lhe estrague o dia. Sei lá o que pensam da raça humana em outros planetas, mas devem achar uma loucura esse movimento que leva todo mundo a fugir da confusão urbana ao mesmo tempo, gerando confusão em lugares que não estão preparados para receber tanta gente e deixando para trás, no próprio bairro onde vive, a tranqüilidade que saiu para buscar fora de casa.

Coisa de alienígena! É claro que de vez em quando é divertido, quem já acampou sabe a farra que é a precariedade da existência. Quando está muito a fim de se divertir, o homem não dá a menor bola para a sucessão de coisas erradas que desencadeia a vida de cada um. Diverte-se, e pronto, mas, como disse ainda há pouco, tudo tem limites.

A classe média, a turma que não tem acesso nem à bolsa família nem ao BNDES, não merece o que está passando nos aeroportos de todo o país no último Dia dos Mortos do primeiro mandato da erao governo Lula. Sabe quanto custa um pacote turístico para o feriadão com a família e os namorados das filhas em Porto Seguro? Uma grana, mas o mico de aparecer indignado de bermudas, sandálias e óculos escuro no “Jornal Nacional”, isso não tem preço. É pura sacanagem!

Tutty Vasques

quem controla o céu II

As torres invisíveis

Greve do zelo dos controladores de vôo brasileiros mostra dificuldade em visualizar o mundo do trabalho e seus dramas numa cultura que privilegia o consumo como referência.

Flávio Aguiar

SÃO PAULO – Não houve uma assembléia tradicional, com pessoas convocadas num auditório, encaminhamentos a favor, encaminhamentos contra, mãos erguidas na votação. Não houve palmas, não houve vaias, não houve murmúrios nem assobios. Foi tudo silencioso, e provavelmente pelo computador, com mensagens cifradas ou não. Assim começou o movimento dos controladores de vôo, no Cindacta 1, o centro de controle de vôos em Brasília. E assim o apoio ao movimento (que foi inequívoco) se alastrou pelas demais torres de controle pelo país afora, sobretudo nos outros pontos nevrálgicos do espaço aéreo brasileiro, notadamente São Paulo e Rio de Janeiro.

Os passageiros, nos aeroportos, ficaram perplexos ou furiosos; o mesmo aconteceu na Aeronáutica; o mesmo aconteceu no governo (“Lula mostrou irritação no encontro no Planalto e chegou a dar socos na mesa” – Estado de S.Paulo, 2/11, C1). A mídia, no começo, sobrevoou o problema. Qual a razão? Tem uma tendência a focalizar apenas ou primordialmente o problema do ponto de vista do “consumidor”, ou da “prestação de serviços”, que foi interrompida ou seriamente prejudicada. A questão do “mundo do trabalho” aparece apenas lateralmente, assim como este mundo, na maior parte dos jornais, fica emoldurado pelas seções de “economia” ou de “serviços”, mesmo, em cadernos como “dia a dia”, “cotidiano”, “metrópole”, e outros.

Nos jornais, o movimento dos controladores de vôo ganhou dois nomes: “operação padrão” e “greve branca”. Na verdade, o nome tradicional desse tipo de movimento – demais de esquecido nesta submersão do mundo do trabalho no piscinão neoliberal – é “greve do zelo”. Talvez nem mesmo os controladores de vôo saibam disso. Consiste numa aplicação tão estrita das regras de controle de uma determinada função que o serviço fica lento e prejudicado. É uma greve característica de situações em que há um descompasso muito grande entre as condições de trabalho adequadas para o exercício de uma função, previstas em lei ou em normas consuetudinárias, e a realidade do cotidiano dos trabalhadores. É comum entre fiscais portuários, fiscais da receita, policiais federais (houve uma recentemente, quanto ao controle de passaportes, alguém se lembra?), e em situações repressivas (legais ou outras) ou simplesmente limitadoras, que coíbem o exercício do direito de greve – como é o caso dos controladores de vôo, que exercem uma função ao mesmo tempo vital e militarizada no Brasil.

Há duas séries de razões para a eclosão do movimento trabalhista nos aeroportos: uma estrutural e a outra circunstancial. A estrutural é a inadequação das condições às exigências de trabalho: ficaram patentes – nas informações que vieram à tona – os baixos salários, o excesso eventual ou permanente de carga de responsabilidade para cada operador, falta de pessoal, e a falta de reconhecimento dessas dificuldades por parte de autoridades competentes ou simplesmente do mundo cultural em que os usuários (os “consumidores”, em outro jargão) navegam. Não adianta querer atribuir toda a culpa disto ao governo Lula dos últimos quatro anos; mas não adianta também eximi-lo da responsabilidade compartilhada, tanto a de ter deixá-la dormitar quanto a de agora tomar providências urgentes para começar a resolvê-la (a causa estrutural).

A razão circunstancial fica por conta da tragédia do Boeing da Gol, atingido pelo Legacy que vinha na “contra-mão”. Pelo que se revelou até agora, houve uma série de “pequenos” erros que se transformaram numa grande tragédia, desde problemas com mecanismos (o Transponder do Legacy) até problemas lingüísticos e de costumes de países diversos: “OK, 370 to Manaus”, teria dito o controlador da torre de São José dos Campos para os pilotos do Legacy. No comentário de autoridades brasileiras da área, um piloto brasileiro teria entendido que 370 era a velocidade inicial de cruzeiro, devendo o piloto seguir o plano original de vôo. Pelo visto, não foi o que os pilotos do Legacy entenderam, o que pode ter contribuído para a tragédia.

Mas no clima de linchamento que a busca da manchete mais sensacionalista quer, isso já se transformou, em diversos veículos de imprensa, em “Caixa Preta de Legacy revela que torre errou”, ou algo parecido. Os controladores de São José são a bola da vez, como já foram os pilotos norte-americanos ou os operadores do Cindacta 1, de Brasília. Nesse clima de sensacionalismos, linchamentos e espetáculos de fim de semana, em fim de semana de Finados, ainda com a exaltação pós-eleitoral, para que um clima de caos no país é conveniente, é que eclodiu a greve do zelo dos controladores aéreos brasileiros, que terá conseqüências políticas e trabalhistas, sem dúvida.

Mutatis mutandis, como as senzalas de antigamente, as torres de operação deveriam ficar invisíveis, com seus problemas trabalhistas silenciados: jamais poderiam invadir o “clean” espaço dos saguões dos aeroportos. Não foi o que aconteceu: apesar da “vagareza dos minutos”, os tempos mudaram.

quem protesta?

Reações e reações
Notável, notabilíssima, a desfaçatez dos “grandes” (grandes? eu os enxergo mínimos) da mídia nativa, e dos seus costumeiros defensores, eminentes representantes da corporação. Todos se credenciaram contra a “intimidação” que teriam sofrido três repórteres da Veja por parte de um delegado da PF de São Paulo, a quem prestavam depoimento. Mas não percebo qualquer reação por parte dos mesmos “grandes” (mínimos) diante da inaudita condenação do professor Emir Sader por um juiz de primeira instância de São Paulo, por ter definido o senador Bornhausen como “racista” depois deste ter chamado o PT de “esta raça”. Sader foi condenado a um ano de detenção em regime aberto e à perda de sua cátedra. Do arco-da-velha. Mas quem protesta? Só mesmo na internet. Nada nas páginas dos jornais, nada no vídeo, silêncio parlamentar. Está claro que nada esperava da Associação Nacional dos Jornais, ou da Sociedade Interamericana de Imprensa, notórias entidades patrimoniais. enviada por mino

A “ética” do cinismo

No dia em que a grande imprensa saiu em defesa da Veja, Emir Sader foi condenado por crime de opinião. Quem chama Lula de “bêbado” e “mentiroso” e defende a extinção da raça da esquerda está exercendo a liberdade de imprensa. Quem responde a tais xingamentos é condenado. De que liberdade estamos falando? © desabafobrasil.blogspot

Frase
"Em 2002, a esperança venceu o medo. Em 2006, a esperança venceu a mídia".
Alvaro Bernal de Almeida, Painel do Leitor da Folha de S. Paulo, 31/10/2006 carta maior

novembro 03, 2006

quem deve controlar o céu

Militar ou civil?

"O acidente com o Boeing da Gol, matando 154 pessoas, não foi apenas o maior da história da aviação civil brasileira. Foi também o detonador de um movimento de insatisfação dos controladores de vôo e de uma discussão que vem desde a década de 1970: o sistema de controle de tráfego aéreo deve ou não ser militar? Na década de 1970, era militar.

Na de 1980, passou a ser misto, sob comando militar, e logo houve ameaças de greve. Na de 1990, já no governo FHC, começou-se a desmilitarização lentamente, a partir da criação do Ministério da Defesa e do projeto da Anac (a agência da aviação civil).

E chegamos a 2006 com uma típica operação-padrão -que, pela lei, é um direito restrito a civis. Os militares são proibidos de fazer greve, de se associar a sindicatos e associações e até de fazer "reivindicações". Para eles, só é permitido ter "anseios" ou "aspirações". Assinante da Folha leia mais[Da colunista Eliane Cantanhêde na Folha de S.Paulo, hoje] Ricardo Noblat

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Na Folha desta sexta: "No sétimo dia de crise da aviação, feriado de Finados, os aeroportos do país literalmente pararam. Na madrugada de ontem, controladores de vôo de Brasília decidiram ampliar a operação-padrão. O tráfego aéreo ficou completamente paralisado. A Força Aérea Brasileira decidiu intervir. A equipe do turno da madrugada não pôde deixar o trabalho ao final do expediente e os 149 profissionais do setor foram convocados, sob pena de prisão. Mesmo assim, a situação continuou caótica durante todo o dia. Revoltados com os longos atrasos -em alguns casos de mais de 20 horas-, passageiros provocaram tumultos. No Galeão (RJ), houve quebra-quebra. Em Confins (MG), tentaram invadir um avião. Em Cumbica (SP), duas pessoas foram detidas por desacato. Em meio à confusão, quem queria descansar acabou tendo de transformar a mala em travesseiro nas salas de embarque".

"A decisão do comando da FAB (Força Aérea Brasileira) de impedir que alguns controladores de vôo deixassem o trabalho ontem foi um aquartelamento na opinião do fundador da associação dos controladores de vôo e ex-presidente da entidade, Ulisses Fontenele. Para a Aeronáutica, porém, houve só uma convocação. ‘Com essa atitude de aquartelamento, o governo federal deu demonstração de que quer fazer dos militares que atuam como controladores de vôo em Brasília uma tropa de soldados comuns, sem nenhum tipo de amparo emocional.’ Segundo relatos repassados a Fontenele por alguns dos controladores no Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa e Controle de Tráfego Aéreo), em Brasília, todos foram informados que só poderiam deixar a sede do 6º Comar (Comando Aéreo Regional) no domingo. Somente após a notícia se espalhar pelo país, segundo ele, é que a FAB resolveu pôr fim ao aquartelamento." Assinante da Folha lê mais aqui, aqui e aqui [Apagão aéreo 1 - Nem aquartelamento de controladores consegue pôr fim a caos nos aeroportos]

Prestem atenção ao que vai a seguir: a autorização errada — ou concordância — da torre para que o Legacy voasse a 37 mil pés está gravada na fita da própria torre, e não na caixa-preta do Legacy. Bem, então é tudo pior do que parecia. A única coisa a concluir é que se sabia do fato desde o primeiro dia. E por que se omitiu a informação? E por que toda a presepada? Por Eliane Cantanhêde e Fábio Amato na Folha desta sexta: “A Aeronáutica confirmou ontem que o controlador da torre de controle de tráfego aéreo de São José dos Campos (SP) autorizou o jato Legacy, que veio a se chocar com o Boeing da Gol, matando 154 pessoas, a voar na altitude errada de 37 mil pés até o aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus. Segundo a Força Aérea, essa autorização está gravada nas fitas da própria torre, que dá o ‘clearance’ (autorização) para a decolagem dos aviões, e não na caixa-preta do Legacy, que era pilotado pelos americanos Joe Lepore e Jean Paladino. Pela fita da torre, que está em poder do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o controlador foi específico na sua conversa em inglês com os pilotos do jatinho, ao falar em 37 mil pés até Manaus, apesar de o plano de vôo prever três alturas diferentes. A partir da fala do controlador, Lepore e Paladino acionaram o piloto automático e seguiram sempre na mesma altura, na qual bateram com o Boeing da Gol, que vinha de Manaus em sentido contrário. Pelo plano de vôo original, eles deveriam sair em 37 mil pés, passar para 36 mil a partir de Brasília e, já sobre Mato Grosso, a 480 km de Brasília, subir para 38 mil. Em entrevista, pela manhã, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, não confirmou nem desmentiu a informação do erro da torre de São José dos Campos, que pode ser um dado fundamental nas investigações e foi publicada ontem pela Folha. Ele observou, porém, que, se houve erro da torre, ele não justificaria, isoladamente, o choque das aeronaves. ‘O piloto, quando perde a comunicação, deve seguir o plano de vôo.’ Bueno evitou relacionar a redução da atividade dos controladores de tráfego aéreo em Brasília a uma eventual culpa de colegas no acidente. ‘Não acredito que essa operação seja desencadeada com o objetivo de disfarçar alguma coisa.’” Assinante lê mais aqui [Apagão aéreo 2 - Aeronáutica admite erro do controle, que está gravado na própria fita da torre. E por que só sabemos disso agora?]

Por Marcelo Godoy e Bruno Tavares no Estadão desta sexta: “A reunião do ministro da Defesa, Waldir Pires, com o sindicato dos controladores de vôo civis, anteontem, provocou contrariedade, para dizer o mínimo, no Comando da Aeronáutica. Há dois motivos para isso: a ausência do brigadeiro Luiz Carlos Bueno, comandante da Força Aérea Brasileira e responsável pelo tráfego aéreo no País, e a falta de uma postura dura do ministro contra pessoas que, no entender dos oficiais, estão criando problemas para conseguir vantagens. 'Estamos diante de uma crise artificial', disse ontem um brigadeiro que não quis se identificar. Apesar disso, o ministro, segundo os oficiais, preferiu encontrar-se com representantes de seis entidades de controladores civis, entre eles Jorge Botelho, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Proteção de Vôo. 'Um notório criador de casos', disse um oficial. E o que lhes pareceu pior: fez concessões, como promessa de aumento e de redução de jornada de trabalho. Para eles, foi preciso que o brigadeiro Bueno tomasse as rédeas da crise e fosse ao Cindacta-1 para mobilizar todo o efetivo. A estratégia é simples. Dos 2.759 controladores de vôo do pais, só 571 são civis. 'O rabo não podia continuar abanando o cachorro', disse um oficial sobre o papel dos civis na crise.” Assinante do Estadão lê mais aqui [Apagão aéreo 3 - Pires em crise com militares] Reinaldo Azevedo

Imagem: São Pedro

limpando o céu

O ministro da Defesa Waldir Pires afirmou nesta quinta-feira, depois de uma reunião com controladores de vôo, que alcançou um acordo com a categoria para que seja assegurada a normalidade dos vôos até o fim do feriado prolongado de Finados.

Em entrevista coletiva, o ministro contou que apóia a reivindicação de que a categoria seja desvinculada à classe militar e que analisará a criação de um plano de carreira e gratificações aos operadores. O acordo aconte apesar das afirmações da Aeronáutica, segundo a qual o tráfego está normal e os transtornos são reflexos de ontem ou overbooking.

Prazos conflitantes

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que a situação dos aeroportos só deve se normalizar no prazo de quatro a cinco dias. No começo do dia, Pereira havia dito que até sexta-feira a situação estaria normalizada. Também vítima do caos do transporte aéreo, o brigadeiro teve que esperar quatro horas para embarcar hoje do Rio de Janeiro para Brasília. Ao chegar, ele admitiu que, apesar da convocação de 149 controladores para a formação de uma força-tarefa, todos os vôos das grandes companhias aéreas - cerca de 600 - sofreram atrasos nesta quinta-feira.

Segundo o brigadeiro, o fluxo começou a se normalizar por volta das 10 horas, depois que o Comando da Aeronáutica convocou todos os controladores de vôo que estavam de folga. Já para o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, José Carlos Botelho, a única maneira de normalizar o funcionamento nos aeroportos em curto prazo é diminuir o número de vôos das empresas aéreas.

Controladores não querem aumento

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo declarou nesta quinta-feira que não foi exigida gratificação para os controladores de vôo em reunião com o ministro do Trabalho Luis Marinho. A informação é da rádio "CBN". O presidente do sindicato disse em entrevista que a situação nos aeroportos estará normalizada no domingo, fim do feriado prolongado.

Diário Oficial publica autorização para contratar

O governo publicou hoje no Diário Oficial da União medida provisória autorizando o Ministério da Fazenda a contratar controladores de tráfego aéreo, por tempo determinado. O governo estuda ainda a criação de um plano de carreira para os controladores.

novembro 02, 2006

Solidariedade a Emir Sader

Caros Amigos,

Estamos vivendo mais um daqueles acontecimentos absurdos (e normais) da vida brasileira: o professor Emir Sader é condenado pela justiça por denunciar o racismo desprezível do presidente do PFL, Jorge Bornhausen. Um juiz de São Paulo condenou-o a perder sua cátedra na USP e a prestar um ano de serviços comunitários. O que vemos não é muito diferente das declarações do presidente do TSE, Marco Aurélio de Melo, ecoando os impulsos golpistas da OAB, da midia, e dos apoiadores de Alckmin. Só que agora, como um alvo para exercer ainda uma ultima violência eleitoral, atingiu-se uma figura pública conhecida por seu compromisso com a democracia. Através dele, o que querem as forças conservadores, é mandar um recado intimidador a todo o pensamento crítico brasileiro. Temos que repudiar com veemência este ato vingativo assinando o manifesto escrito por Antonio Candido.

Bajonas Brito Jr

Filosofia-UFES

Assinem o manifesto de apoio: http://www.petitiononline.com/emir2006/petition.html

Manifesto em solidariedade a Emir Sader

A sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos agredidos em réu. O senador moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação em virtude de artigo publicado no site Carta Maior , no qual Emir Sader reagiu às declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça que deve ficar extinta por 30 anos". Na sua sentença, o juiz condena o sociólogo "à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução". O juiz ainda determina: “(...) considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado”. Numa total inversão de valores, o que se quer com uma condenação como essa é impedir o direito de livre-expressão, numa ação que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É também uma ameaça à autonomia universitária que assegura que essa instituição é um espaço público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e a perda do emprego conquistado por concurso público, é um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças. Nós, abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.
Os que desejarem assinar, favor enviar e-mail para solidariedadeaemirsader@hotmail.com

assim na terra como no céu

a caixa-preta do Legacy

A análise da caixa-preta do jato Legacy revela que a torre de controle de vôo de São José dos Campos, em São Paulo, orientou a aeronave a manter a altitude de 37 mil pés durante todo o vôo até Manaus, no Amazonas. As informações são do jornal “Folha de São Paulo".

As leis de tráfego aéreo previam que o jato deveria baixar para a altitude de 36 mil pés quando entrasse em Brasília, e, no caminho para Manaus, subisse para 38 mil pés. O avião colidiu com o boeing 737-800, pois ambos trafegavam na mesma altitude.

Segundo as informações contidas na caixa-preta, a torre autorizou o piloto norte-americano a decolar e a manter a altitude. No Centro de Controle de Tráfego Aéreo de Brasília (Cindacta-1), os pilotos se identificaram e receberam a ordem de ligar o botão de identificação de vôo – o transponder – que não funcionou. A partir de então o Legacy não conseguiu mais se comunicar com o Legacy.

Advogados da empresa dona do jato, a Excel Aire, afirmaram que os pilotos seguiram o plano original.

A Aeronáutica diz que o piloto do Legacy errou, ao não acionar um código de emergência que teria registrado a perda de comunicação.

Já a defesa dos pilotos acusa o Cindacta-1 de também errar, por não tê-los alertado de que o Boeing trafegava em rota de colisão.

Por sua vez, a Aeronáutica e o Cindacta-1 afirmam que, devido ao problema do transponder, não tinha como identificar com precisão a altitude do Legacy. ultimosegundo.ig

Segurança nacional impede PF de divulgar detalhes do vôo 1907

A Polícia Federal já sabe o que aconteceu com o controle do espaço aéreo no dia do acidente do avião da Gol, em setembro, mas questões de segurança nacional impedem sua divulgação.

Segundo Renato Sayão, delegado da PF responsável pelo inquérito que apura as causas do choque entre o avião da Boeing da Gol e do jato Legacy, a Aeronáutica também já tem conhecimento de como agiram os pilotos das duas aeronaves, mas a legislação da aviação internacional não permitiria que isso seja divulgado.

... "O dado (análise da caixa preta) do Legacy já voltou do Canadá. A conduta dos pilotos a Aeronáutica já sabe", disse o delegado a jornalistas.

"Eu já sei o que aconteceu no espaço aéreo. Não vou falar em erro. Tem que reunir informações do contato bilateral entre as aeronaves. É uma questão de segurança de Estado", acrescentou.

Sayão explicou que o inquérito da PF investiga a conduta dos pilotos e que os controladores de vôo, no total de 18 que podem prestar depoimentos, são testemunhas. No início da semana, ele foi surpreendido pela apresentação de atestado médico da Força Aérea Brasileira (FAB) quando se preparava para ouvir dez controladores da Base Aérea de Brasília. O novo depoimento deles deve ser remarcado após o feriado do dia 15, quando vence o prazo da licença médica.

O delegado diz que vai pedir a prorrogação de mais 60 a 90 dias do prazo das investigações, que vence dia 6 de novembro.

Sayão tem a "convicção de que a competência para julgar os controladores é da Justiça Militar", pois estão sob trabalho de uma organização do setor e os profissionais são militares.

Simultaneamente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda decide de quem é a competência para investigar as causas do acidente, se a Polícia Civil de Mato Grosso ou a Polícia Federal, para a Justiça definir culpados e atribuir penas. ultimosegundo.ig.

Lula se diz refém dos controladores de vôo

No sexto dia da operação-padrão dos controladores de tráfego aéreo e véspera do feriado de Finados, houve atrasos de até seis horas nos vôos nos principais aeroportos do País.

A crise provocou irritação e cobranças no Palácio do Planalto. "Quer dizer que nós estamos reféns dos controladores?", quis saber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com assessores ainda na terça-feira.

Lula chegou a avisar, incisivo: "Se vocês não derem uma solução, eu vou dar".

. "Se eles estão fazendo operação-padrão, quer dizer que antes estavam fazendo errado?" O presidente não considerou satisfatória as alegações dos assessores. Nenhum deles admitiu a realização da greve branca. Além do comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, estavam presentes os ministros da Defesa e da Casa Civil, os presidente da Infraero e da Anac.

O presidente cobrou da Anac o porquê da liberação de novas linhas para as empresas de aviação, apesar de operadores alegarem falta de pessoal e de estrutura para monitorar vôos. Quis saber ainda o motivo de a Aeronáutica ter cancelado, em junho, um concurso para contratar 144 controladores.

Antes de embarcar para quatro dias de descanso em Salvador, o presidente quis saber se algo havia mudado na situação dos aeroportos. Dessa vez, a cobrança recaiu sobre Dilma.

O presidente não gostou de saber por meio de reportagem publicada pelo Estado que, em outubro de 2003, um estudo do Conselho de Aviação Civil (Conac), alertava para o risco de colapso no sistema de controle aéreo, por causa da retenção de investimentos no setor. Pediu a Dilma que verificasse o que aconteceu com o estudo, enviado à Casa Civil.

Apesar da irritação de Lula, a situação deve se normalizar só no início de 2007, prazo definido pela Aeronáutica para controladores de Brasília deixarem de operar no limite da segurança. O novo padrão será o da greve branca: cada operador vai acompanhar no máximo 14 aviões.

"Precisou acontecer um acidente como o do Boeing da Gol para o País dar atenção aos problemas do tráfego aéreo", disse Ernandez Pereira da Silva, diretor do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo. ultimosegundo.ig

Caos nos aeroportos

Esse é o sétimo dia da crise nos aeroportos provocada pela operação-padrão iniciada por controladores de tráfego aéreo da capital federal, depois do acidente com o Boeing 737-800 da Gol, que provocou a morte de 154 pessoas. A categoria afirma que a medida segue as recomendações internacionais de segurança, o que reduziu para 14 o número de aeronaves observadas por cada controlador.

Os atrasos nos vôos domésticos e internacionais nos principais aeroportos do Brasil se intensificaram nesta quinta-feira devido ao maior número de vôos por causa do feriado de finados. Passageiros reclamam da falta de informações já que poucos vôos são cancelados oficialmente e a maioria está atrasado ou apenas com o status no painel dos aeroportos como "previsto". 149 controladores foram convocados nesta quinta-feira para formar uma força-tarefa. A Infraero anunciou que o caos deve se manter até a noite de amanhã.

Passageiros tumultuam aeroportos do país e ameaçam com quebra-quebra

Os atrasos não acontecem apenas para quem quer embarcar, mas vôos estão atrasados também no pouso. Passageiros que desistem, enfrentam filas de várias horas para reaver as bagagens. O atraso em alguns vôos chega a seis horas.

Na manhã desta quinta-feira, passageiros agrediram funcionários das empresas aéreas e depredaram os guichês das companhias aéreas. A Polícia foi chamada para manter a ordem. Há vôos atrasados há mais de 16 horas, como o avião que deveria ter pousado vindo de Aracajú, às 20:30 desta quarta-feira. Até às 13 h de quinta, o vôo não havia pousado em Guarulhos.

[deve ser praga da Varig! Nunca foi tão difícil voar!]

Controladores de vôos confinados

"Metade dos controladores aéreos de Brasília, sediados no Cindacta 1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) estão retidos no local e terão de trabalhar em sistema de plantão até o próximo domingo (5). Segundo informou o ex-presidente da Associação dos Controladores, Ulisses Fontenele, 80 controladores ficarão "presos" no trabalho neste final de semana por ordem do Comando da Aeronáutica.

Informou que os controladores que se negarem a trabalhar podem ser enviados para julgamento militar na corte marcial.

"Com esses controladores trabalhando tanto, há uma preocupação grande por conta do stress. O Comando da Aeronáutica diz que eles não estão presos, mas não há o direito de ir e vir. Então eu não sei mais o que é a definição de prisão. Uma das preocupações básicas da profissão é manter o equilíbrio emocional, mas há informação de que tem controlador chorando. O problema maior é neste fim de semana", afirmou Fontenele a jornalistas." Leia mais aqui

"Passageiros indignados pelo cancelamento de vôos e as demoras de até oito horas registrados há sete dias nos principais aeroportos do país causaram hoje tumultos e até destruição das instalações em alguns terminais, informou a Polícia." Leia mais aqui

Ricardo Noblat [Do portal G1]

novembro 01, 2006

vamos trabalhar!

Trechos selecionados do pronunciamento feito ontem à noite pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cadeira de rádio e televisão

No último domingo, nós brasileiros demos um belíssimo exemplo de democracia.

... gostaria de agradecer aos mais de 120 milhões de eleitores que foram às urnas e celebraram o rito democrático mais sagrado - a opção livre e soberana do voto.

Sei que agora, encerrada a disputa eleitoral, o que interessa a todos é a vitória do Brasil. Pois os verdadeiros adversários são a injustiça social, a desigualdade e as várias formas de atraso que atravancam a vida nacional.

... Volto a afirmar que o nome do meu segundo mandato será desenvolvimento - desenvolvimento com distribuição de renda e educação de qualidade. E é em torno desta proposta, capaz de unir todos os brasileiros e brasileiras, que venho pedir o esforço e o entendimento nacionais.

... estendo mais uma vez as mãos para o diálogo e a concórdia. Conclamo toda a sociedade, a começar pelas lideranças políticas e movimentos sociais, a unirmos o Brasil em torno de uma agenda comum de temas de interesse geral.

... é preciso agilizar a votação de matérias importantes que já estão no Congresso

... É necessário, igualmente, criar um clima de profunda responsabilidade republicana para a discussão e votação de reformas importantes, a começar pela Reforma Política.

É preciso, também, a união das forças regionais em favor de projetos de desenvolvimento já em curso e que trarão progresso para todos os estados do país

... Tivemos uma das eleições mais transparentes e democráticas da nossa história.

... Isso ocorreu por causa do amadurecimento de nossas instituições, da postura dos candidatos e, muito especialmente, da ação e vigilância do nosso povo.

... pela primeira vez, o Brasil enfrentou uma disputa presidencial sem nenhum tipo de abalo econômico, seja antes, durante ou depois das eleições. A estabilidade é uma das conquistas que precisamos manter e ampliar.

... a exposição franca dos problemas mostrou, para toda a sociedade, que ainda existem brasis profundamente desiguais. E o quanto é urgente e necessário que as desigualdades sociais e regionais diminuam.

O Brasil tem ainda uma enorme dívida social a resgatar, um grande atraso político a vencer e questões éticas a discutir e superar.

... Continuarei empenhado em que os órgãos de investigação e da Justiça apurem todas as denúncias de corrupção e que os verdadeiros culpados sejam exemplarmente punidos.

... quero continuar fazendo um governo que conjugue uma política econômica correta e uma forte sensibilidade social, com uma gestão administrativa eficiente e um comando político acertado. Um governo que continue a diminuir as desigualdades entre pessoas e regiões. Um governo que aprofunde, ainda mais, a inserção soberana do Brasil no mundo.

... vamos fazer do Brasil a nação livre e justa que nós todos sonhamos.

extraído de tribunadaimprensa (01/10)

Imagem: juan genoves ‘El abrazo 1976’

Brasil: país justo e independente Onde o presidente é povo E o povo é presidente!

© fernandes diário do abc

impressões sobre a imprensa

Função social da prensa...

Entre blogs voltados para a cobertura política e/ou mídia, ignoraram as agressões de que foram vítimas os repórteres da Veja: Observatório da Imprensa, Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Franklin Martins, Tereza Cruvinel, Ilimar Franco, Jorge Bastos Moreno e Paulo Moreira Leite. Reinaldo Azevedo (01/11)

Globo responde e explica críticas feitas no OI na TV

"Em relação ao Observatório da Imprensa da semana passada, a TV Globo repudia com veemência as afirmações de Caio Túlio Costa, presidente da Brasil Telecom Internet, Luis Nassif, diretor da Agência Dinheiro Vivo, e Venício de Lima, professor da UnB, com insinuações segundo as quais o Jornal Nacional do dia 29 de setembro deixou de publicar o acidente da Gol propositadamente para que o destaque do noticiário se concentrasse apenas nas fotos do dinheiro apreendido com petistas pela Polícia Federal. ultimosegundo.ig

Os escritos n'O Globo

Foragido de uma peça de Moliére, Tartufo, o jornalista Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, escreve hoje (31/10) na página de Opinião do diário do grupo um artigo em que transparece a resposta à última edição de CartaCapital. Na revista, um editorial que começa por dizer que “milagre não houve, Lula ganhou”, enquanto o título da reportagem de capa afirma que “o povo não crê em bruxas”. Kamel assim intitula seu texto: “Nem Milagres, Nem Bruxarias”. Ao cabo, ministra uma lição de sabedoria. Mesmo os leitores que viveram com paixão a refrega eleitoral, “e onde há fatos viram conspiração; onde há notícias viram distorção; onde há isenção viram parcialidade”, se habilitam agora a entender “que a distorção não estava nos veículos, mas nos próprios olhos”. Iniciemos, portanto, uma procissão na rota do oculista. Claro que Kamel não se refere aos leitores que repudiaram o abaixo-assinado promovido pela Globo entre seus funcionários para responder às denúncias de CartaCapital, larguíssima maioria registrada pelo Observatório da Imprensa. Mas não é fato, definitivamente provado, que o Jornal Nacional adiou a notícia do acidente do avião da Gol para escancarar no vídeo a imagem do dinheiro do dossiê? E não é fato, reconhecido pelo próprio repórter, que o delegado Bruno teve um encontro privilegiado com César Tralli para lhe entregar uma cópia exclusiva? E por aí afora. Assim como, só para rememorar o passado, não é fato que a Globo implorou o golpe de Estado em 1964, para sustar a subversão em marcha, e que ainda estamos no aguardo da própria 42 anos depois? mino

Inaceitável

A revista Veja relata em seu site o constrangimento por que passaram três de seus jornalistas que foram depor hoje na Polícia Federal na condição de testemunhas. A PF nega as acusações. A descrição dos fatos publicada no site da Veja mostra um cenário de pressão e intimidação. Coisa inaceitável, no tratamento de jornalistas ou quaisquer outros cidadãos. Mas a minha dúvida é anterior. Por que um jornalista deve ser obrigado a ir à polícia prestar esclarecimentos sobre circunstâncias em que produziu ou editou uma reportagem? Está tudo errado. Se a polícia estiver interessada no conteúdo da reportagem, que a leia. Se estiver interessada em fontes eventualmente omitidas, a Constituição garante ao jornalista o direito de mantê-las em segredo. O endeusamento acrítico da atividade policial leva a coisas assim. A polícia não está acima das leis e do Estado de Direito. Aliás, ninguém está acima das leis e do Estado de Direito. Alon Feuerwerker (31/10) O Blog do Alon

Veja na PF - Imprensa não pode continuar acima da lei

# Jornais de hoje trazem defesa da liberdade de imprensa, mas não questionam qualidade jornalística de reportagem que gerou depoimento à Polícia Federal

# Impressão de que o Brasil está à beira do autoritarismo é falsa – protestos defendem as empresas, não os jornalistas

# Democracia do Brasil necessita de um código de conduta e de uma comissão auto-regulamentadora para defender o cidadão dos erros e abusos cometidos pela imprensa

Todos os jornais de hoje reagem ao depoimento de jornalistas da revista Veja na PF, como se os maiores órgãos de informação do país tivessem atuado com a isenção desejada durante a campanha eleitoral. Nenhum se rende às evidências da parcialidade da mídia, constatada quantitativa e qualitativamente pelo Observatório Brasileiro de Mídia. Rapidamente, passam de inquisidores a vítimas, rendendo-se ao corporativismo, sem um senão sequer à qualidade jornalística da reportagem da revista sobre a suposta ‘operação abafa’ dentro da PF para afastar o ex-assessor de Segurança da Presidência da República, Freud Godoy, das investigações sobre a compra do dossiê falso que conteria informações contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra.

Vários articulistas imprimem, hoje, a sensação de que o Brasil vive à beira do autoritarismo, e que a Polícia Federal tornou-se o braço repressor desse regime no constrangimento, na coação e nas ameaças a três dos seis jornalistas da revista que participaram da elaboração e edição da reportagem. Nada mais falso e precipitado. Todos concluem, sem a necessária autocrítica e reconhecimento às evidências de tentativa de influenciar no resultado das eleições presidenciais, foi detectada e denunciada por vários jornalistas que reconheceram – e tiveram coragem de denunciar – os desvios de conduta da imprensa e suas empresas. Os textos colocam o Brasil sob o risco de nova ditadura, recorrem a exemplos de intimidação à imprensa ocorridos no passado, acusam o governo de querer limitar a liberdade de expressão, mas nenhum – nenhum – reconhece os exageros cometidos nos últimos meses.

Luís Nassif, Mino Carta, Raimundo Pereira, Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Ricardo Boechat e Marcelo Beraba são alguns dos que tiveram a honestidade que falta aos articulistas dos jornais de hoje, e denunciaram as irregularidades. Por certo, nenhum desses profissionais mencionados assinaria uma reportagem baseada no testemunho da conversa de uma pessoa ao telefone com uma terceira pessoa, como é o caso da reportagem sob inquérito. Muito menos usar esse testemunho para a construção de um ambiente de ilegalidade que pôs a instituição policial sob suspeita, anulando todo o trabalho apresentado pela Polícia Federal nos últimos anos.

Todas as profissões, cujo exercício trazem riscos de prejuízo aos cidadãos e à sociedade, são exercidas sob rigorosos códigos de ética e conduta – menos os jornalistas. Todas prevêem sanções em casos de comportamento antiético, imoral ou ilegal – menos os jornalistas. Todas são exercidas por pessoas físicas claramente identificadas pelos números de sua ordem ou conselho regional – menos os jornalistas. Essas exceções produzem outra deformação. Quando se exige o cumprimento do preceito constitucional do respeito à liberdade de imprensa, não se defende a liberdade do cidadão jornalista, mas sim dos grupos econômicos que controlam a indústria de mídia no Brasil.

É mais do que urgente que os jornalistas se dêem conta de que a adoção de um código de conduta para o exercício da profissão não pretende cerceá-los, mas garantir sua liberdade de expressão dentro de um conjunto de cuidados e obrigações que são comuns em outras profissões. Esse blog tem se manifestado continuamente sobre essa necessidade, e tem procurado apresentar garantias à liberdade de imprensa proporcionadas pela auto-regulamentação. Países mais e menos desenvolvidos do que o Brasil adotaram, com sucesso e sem ameaças à democracia, comissões e códigos de conduta que supervisionam a auto-regulamentação que protege todos os cidadãos, inclusive os jornalistas.

Está mais do que propícia a ocasião para que o governo apresente uma proposta ao Congresso contendo normas e sanções aplicáveis, dentro de um modelo de auto-regulamentação semelhante ao do Conar, que visa impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas. Essa iniciativa não pode incorrer novamente no erro de permitir que qualquer interesse sindical ou corporativo contamine uma proposta que, acima de tudo, busca proteger o cidadão comum dos erros, abusos e manipulações possíveis com o manejo da informação.

A imprensa do Brasil não pode continuar acima da lei. Alceu Nader (01/11) blog.contrapauta

O leitor patrulheiro assusta editores

A julgar pelo número de comentários e pelas polêmicas surgidas em weblogs e páginas jornalísticas na Web, os eleitores de classe média nas principais cidades brasileiras já elegeram a internet como o arena política preferencial.

A campanha para o segundo turno das eleições presidenciais revelou também um outro fenômeno capaz de provocar antagonismos sérios e polêmicas não menos apaixonadas. Trata-se do patrulhamento de jornalistas e formadores de opinião por cidadãos com acesso á internet.

A Web oferece a um número cada vez maior de pessoas a possibilidade de expressar seus pontos de vista, ressentimentos e conhecimentos para audiências que também não param de crescer.

Como acontece noutros países, especialmente nos Estados Unidos, a grande maioria dos novos protagonistas da arena política dedica uma atenção especial à cobranças de todos os tipos aos jornalistas que detém espaços informativos, tanto na imprensa escrita como na online.

O patrulhamento rompe, pela primeira vez na história da imprensa, com a tradicional unidirecionalidade do fluxo informativo. Até agora, quase toda a informação fluia dos tomadores de decisões e formadores de opinião, através dos jornalistas, até o público, cujo poder de retroalimentar o circuito informativo era muito limitado.

O rompimento ocorre em circunstâncias traumáticas, especialmente para os jornalistas, que passam a se sentir encurralados e hostilizados por uma massa de leitores que estraçalha reportagens e comentários com um ímpeto também inédito na história do jornalismo brasileiro.

Quem lê os comentários postados em weblogs e páginas políticas online percebe rapidamente que a esmagadora maioria dos comentários revela uma atitude ácida em relação à imprensa. A argumentação quase sempre responde ao impulso e à paixão, o que provoca ressentimentos dos patrulhados.

Esta mesma sensação foi experimentada por jornalistas norte-americanos de todos os matizes na campanha eleitoral de 2004, como mostram dois textos (Watchblogs, a nova patrulha da imprensa e A vitória dos "jornalistas de pijamas" ) que escrevi, na época, aqui no Observatório.

É compreensivel a reação dos profissionais, mas a melhor alternativa para evitar a intensificação do patrulhamento e a vilanização da imprensa é procurar entender a natureza do processo em curso, onde a ascensão do leitor como protagonista informativo é irreversível.

O leitor trás para os comentários que posta em blogs a páginas web uma enorme carga de frustrações e ressentimentos acumulados ao longo de anos de impotência informativa criada por uma imprensa unidirecional. É inevitável que a catarse seja ampliada, também, pela falta de experiência prévia no diálogo público num veículo novo como a internet, onde as regras de convivência social ainda estão sendo desenvolvidas.

Os períodos pré-eleitorais e as crises políticas oferecem um terreno muito fértil para o maniqueismo e passionalismo políticos. A imprensa inevitavelmente acaba envolvida neste clima e pelo que se pode ver na campanha do segundo turno, não conseguiu imunizar-se contra os mesmos processos que ela criticou nos eleitores.

É fácil prever que nos próximos anos a arena informativa virtual continuará marcada por aquilo que muitos classificam como ambiente caótico. O comportamento dos internautas mais experientes tende a assimilar as novas realidades do diálogo político online, mas ao mesmo tempo novas levas de neófitos estarão ingressando na arena cibernética mantendo a sensação de caos, desordem e anarquia.

Portanto não resta aos jornalistas outra alternativa senão procurar assimilar a nova situação. A mudança de atitudes dos consumidores de informação é irreversível porque está sendo impulsionada por inovações tecnológicas igualmente irrevogáveis. Assim resistir à mudança é quase um sinônimo de suicídio. Carlos Castilho (30/10) observatório

imagem: © desabafobrasil.blogspot

mestres explicam

Brasília - As correntes tradicionais de poder político concentradas, sobretudo, na região Nordeste, anunciam um princípio de enfraquecimento. Para o professor de História Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB) Antônio Barbosa, o caso mais sintomático o da oligarquia da família do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), na Bahia.

... Barbosa cita o caso das candidaturas à presidência da República, ao governo do estado e ao senado federal, nas quais os políticos ligados ao grupo de ACM sofreram derrota. “O candidato Lula foi o mais votado na Bahia, o candidato do senador ao governo do estado [Paulo Souto] foi derrotado e o seu candidato ao senado [Rodolfo Tourinho] foi derrotado”.

O professor ressalva que a análise deve ter cautela. Segundo ele, ao longo de 500 anos de história, a força do “mandonismo político” no Brasil, “traduzida em clientelismo, em fisiologia, em coronelismo” é muito forte. “Não vai ser uma ou outra eleição que estabeleceria um fim, digamos assim, desse tipo de prática política”.

O que acontece, acrescenta o professor, é o fim da influência de determinadas lideranças. Na avaliação dele, há um esgotamento natural e isso fica claro em relação a ACM, na Bahia, e a José Sarney, no Maranhão.

“Aliás, para se manter como senador nas duas últimas eleições, Sarney transferiu o seu domicílio eleitoral para um pequeno estado do extremo Norte do país e, agora, viu a sua filha sendo derrotada no Maranhão”, constatou, em referência à Roseana Sarney, que perdeu a candidatura ao governo do estado para Jackson Lago (PDT).

A queda dessas correntes políticas mostra que a população local está tendo maior autonomia. “Seguindo uma tendência que vem da eleição anterior, está havendo uma certa autonomia política das camadas mais pobres, mais humildes e tradicionalmente mais excluídas da população brasileira", observa. "Isso se explica pelo fato de o Brasil estar se urbanizando rapidamente. E essa urbanização não vem sozinha, mas acompanhada de um processo de modernização da economia”.

O professor cita como exemplo o acesso aos meios de comunicação, principalmente ao radio e à televisão. “Ainda que de maneira superficial, uma parcela muito expressiva da população brasileira toma contato com algum tipo de informação e, isso está ajudando a tomar posição na hora de votar”.

A maior concentração das famílias com tradição política está no Nordeste e a explicação disso está na história do Brasil. Barbosa diz que desde o século 16 a organização da região foi feita em moldes “extremamente excludentes do ponto de vista social”, com domínio da grande propriedade e uso maciço da mão-de-obra escrava.

A partir desta eleição, a vitória de um governador do PT na Bahia, Jacques Wagner, é simbólica. De acordo com Barbosa, isso “transmite para a população um sentimento de que alguma coisa de muito importante, estrutural, está sendo transformada no estado. Como se estivesse dizendo que acabou o tempo dos coronéis. Agora, se isso vai ter densidade, só o tempo dirá”. [Eleição anuncia enfraquecimento de correntes políticas tradicionais, diz professor da UnB]

*/*

Com a entrada de novas forças em regiões anteriormente dominadas na política por clãs tradicionais, como é o caso da Bahia e do Maranhão, a população tem uma chance de mudar sua situação socioeconômica.

Para a cientista política e professora da Universidade Federal de São Carlos, Maria do Socorro Braga, é preciso que, nos próximos quatro anos, um projeto político seja capaz de beneficiar os principais seguimentos sociais. “Do contrário, se não der certo, o grupo político anterior acaba voltando com muito mais força”.

De acordo com ela, esses clãs foram responsáveis pela continuidade da situação socioeconômica dos estados que dominavam. “A concentração das pessoas mais carentes e empobrecidas no Nordeste favorece a manutenção dos clãs", avalia. "São eles que mantêm em suas mãos os principais meios de comunicação, a retransmissão de emissoras importantes no país. Agora, estão perdendo força. Isso vem acontecendo há algum tempo”.

A partir das eleições deste ano, Braga passou a observar a competitividade de forças em nível estadual. No municipal, no entanto, outros partidos já vinham competindo.

A derrota da oligarquia do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), que há 20 anos controlava politicamente a Bahia, é, na avaliação da professora, “um sinal de como a democracia está muito mais consolidada agora”. “Um sistema em que você tem uma força predominando durante tanto tempo não demonstra uma democracia, que é quando você tem que ter competição entre os principais partidos”. [Queda de famílias políticas tradicionais permite à população mudar situação socioeconômica, diz professora]

Keite Camacho

Agência Brasil

outubro 31, 2006

estava sumido ...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu do presidente da Líbia, Muammar Kadafi, os parabéns pela reeleição. Os cumprimentos se deram hoje, por meio de telefonema ao Palácio do Planalto acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lula e Kadafi deverão se encontrar pessoalmente nos dias 29 e 30 de novembro, quando deverão se reunir em Abuja, na Nigéria, os líderes da América do Sul e da África. A cúpula foi idealizada por ambos os presidentes durante a visita de Lula a Kadafi em Trípoli, na Líbia, em dezembro de 2003. Naquela ocasião, Lula pretendia convencer Kadafi a participar da cúpula da América do Sul e do Mundo Árabe, que ocorreu em maio de 2005. Kadafi não acedeu, foi uma das grandes ausências do encontro e insistiu na proposta de um evento mais amplo, entre líderes latino-americanos e africanos. No meio-termo, ambos acataram a idéia da Nigéria de realizar uma cúpula da América do Sul e da África. ultimo segundo

Muammar Kadafi tomou o poder com um golpe de estado em 1969, exilando o rei Idris I . Com a descoberta de grandes reservas de petróleo, o país tornou-se importante no cenário internacional.

A tradição islâmica, a personalidade do ditador e o nacionalismo extremado formaram a nova ideologia do Estado líbio. Após a expulsão dos estrangeiros e desapropriação de seus bens, a Líbia de Kadafi patrocinou atos terroristas em várias partes do mundo, tanto que, nos anos oitenta, foi submetida a sanções internacionais. Atualmente, a situação está se normalizando. Em 1998, Kadafi sobreviveu a um atentado planejado pelo grupo extremista líbio do Movimento dos Mártires Islâmicos.

Leitura interessante: Os sonhos de Kadafi

memória

A queda-de-braço entre a Líbia, detentora de enormes reservas de petróleo, e o Ocidente que, após o atentado de Lockerbie, em dezembro de 1988, com um saldo de 270 mortos, terminou meses atrás dando fim às sanções econômicas americanas, que provocaram enormes sacrifícios ao povo, mas não conseguiram dobrar o ditador Muammar Kadafi. O petróleo era uma reserva não somente para a Líbia sobreviver durante o embargo, mas financiou também um expansionismo islâmico em muitos países africanos.

Com a abertura econômica, houve uma retomada diplomática com outros países, entre os quais o Vaticano, aliviando as restrições que caíam sobre a Igreja católica.

A Líbia, até o advento de Muammar Kadafi, tinha sido ocupada pela Itália e, após a guerra 1940/45, retornou ao poder do legítimo rei Idris. Havia liberdade de praticar todas as religiões, seja o islã como o cristianismo. Quando, aos 27 anos, Kadafi, com um golpe militar, apoderou-se do governo, iniciando uma ditadura, embora acérrimo inimigo do Ocidente e devoto fiel do islã, não permitiu que o fundamentalismo islâmico, que já devastava os países vizinhos como a Argélia e o Egito, entrasse na Líbia.

Contra os fundamentalistas, Kadafi conduziu uma luta dura e cruenta. Aprisionou, perseguiu e fez desaparecer muitos fundamentalistas, redimensionou o poder dos Ulemas, os mestres do Alcorão que tentavam agregar ao seu redor as forças radicais do islã. Atacou rebeldes fundamentalistas aninhados na Cirenáica. Apesar dos anos de repressão, o movimento islâmico está se reforçando.

Estão arrebanhando, em grupos clandestinos, muitos jovens universitários e já existem mesquitas em poder desses fundamentalistas que são fonte de agitação. Até hoje, o exército mantém a neutralidade, mas não é de se descartar que possa se juntar aos fundamentalistas numa linha anti-Kadafi.

Hélio Pedroso

[Revista "MUNDO e MISSÃO" - Líbia: o degelo de um país: pag. n.º 14 a 15 - n.º 82 - mês de Maio - ano 2004]

extra!

mais uma do césar 'malha'

Ex-Blog é agora SHADOW CABINET !

...

ex-blog se transforma agora em SHADOW CABINET uma prática britânica -com auge nos anos 50, onde o partido de oposição constituía um ministério na sombra, onde cabia a cada ministro designado acompanhar com rigor o trabalho do ministro oficial.

03. Estão sendo constituídos os seguintes ministérios na sombra:

1. Finanças,( fazenda,banco central e banco do brasil);

2. Relações Exteriores;

3. Segurança Pública,( justiça e polícia federal);

4. Infra-estrutura, ( transportes,telecomunicações, minas e energia);

5. Economia,( desenvolvimento econômico,agricultura e bndes);

6. Educação;

7. Saúde;

8. Social, ( ação social, trabalho, cidades e caixa econômica);

9. Previdência Social;

10. Meio Ambiente;

11. Gabinete Civil,( relações políticas e assuntos gerais da rotina do presidente).

04. Para fazer os convites aos ministros, esse ex-blog vai precisar de 15 a 20 dias. Serão os quadros mais destacados do ponto de vista técnico, em cada tema. Alguns convites já foram feitos e aceitos, embora a maioria deles prefira ficar na sombra. Se for assim esse ex-blog garantirá o off -como o blog-crise e o ex-blog-eleições- já o fazem.

05. Da mesma forma o Shadow Cabinet trabalhará com teoria aplicada e crítica à ação, simultaneamente.

06. Como já vem ocorrendo na crise e nas eleições, os ministros na sombra contarão com uma enorme assessoria que serão todos aqueles inscritos, que passarem a esse ex-blog, diretamente a seu diretor de redação ou a equipe, informações, análises e sugestões. Os ministros na sombra receberão imediatamente o que for repassado.

07. Antes de terminar o mês de novembro o SHADOW CABINET desse ex-blog estará em campo, marcando corpo a corpo, cada um dos ministérios e o presidente.

08. Não haverá a necessidade de renovar a inscrição. Todos estão automaticamente inscritos. Mas, claro, a qualquer momento poderão pedir sua exclusão. Aguardem! São só uns 15 a 20 dias para que "eles" possam respirar e descansar da campanha. E depois,... que cumpram com as suas promessas e as expectativas que criaram.

INFORMAÇÃO e OPINIÃO -IOCM- !

ex-Blog do Cesar Maia 31/10/2006