julho 31, 2006

Nostalgia de Timor

A vida em Timor torna-se por vezes fastidiosa pela rotina dos seus dias. Pelo menos, era disso que se queixavam muitos dos que aqui viviam por algum período.

Repetiam-se dia após dia, anos a fio, os hábitos simples dos timorenses, esse povo andarilho que gostava de andar de um lado para o outro, sem destino, sem objectivo definido, apenas só pelo prazer de calcorrear atalhos, atravessar ribeiros, transpor colinas, montanhas inóspitas, quase sempre acompanhado do galo transportado cuidadosamente ao colo; gente que vai agora ao mercado vender uns legumes que trouxe da montanha e que lhe vai proporcionar, com sorte, uma refeição quente de supermim, aquela massa instantânea, saborosa, atribuída também como alcunha aos licenciados no tempo da Indonésia –os sarjana surpemim - pelo anterior PM. Gente da montanha que fazia música com uma garrafa na qual o tilintar de um garfo adquiria os acordes melódicos de valsa, tangos ou marchas - conforme a imaginação de cada um - e fazia as delícias dos populares que dançavam ao ritmo da garrafa depois até do último canto do galo. Gente que conversava à sombra do tamarindeiro, mascando, cuspindo vermelho, arrumando a bola de bétel, cal e areca num canto da boca para mais tarde saborear; pessoas que iam ao cemitério em saudosa romagem sem se esquecer de levar um pedaço de tabaco colocado cuidadosamente num canto resguardado para satisfazer os desejos de quem partira!

O tempo tinha outra dimensão. Os dias eram de ramerrão, num repetitivo nasce o sol, põe o sol, chove, não chove, semeia, colhe, anda, pára… De vez em quando um core-metan, um estilo, um casamento, traziam alguma novidade aos dias sempre iguais de Timor.

A novidade para o homem que havia chegado do interior podia ser o mar imenso que se estendia perante os seus olhos cheios de verde escuro-claro da sua montanha… homem perdido em deliciada contemplação do mar azul que via pela primeira vez …

Hoje, tudo está diferente. Estamos confinados às zonas de segurança. Não sei se ainda haverá quem acredite na existência de um pedaço de terra segura neste Timor-Leste onde se dão, se escondem e se entregam armas de uma forma tão banal, como se fosse um acto de rotina e de normalidade possuir armas para o que infelizmente já é considerado um desígnio comum e interiorizado, o de matar. Estou a falar de matar o outro, o próximo, o ser humano.

A angústia toma o lugar da nostalgia. Antes, porém, sobra-me ainda uma réstia de tempo para vos dizer que preferia os dias sempre iguais de antigamente! Angela Carrascalão

Qana: repercussão

Blair pide la "máxima presión" internacional para conseguir una resolución de alto el fuego de la ONU

El primer ministro británico, Tony Blair, indicó hoy que los líderes mundiales deben aplicar "la máxima presión" para que haya "lo antes posible" una resolución de Naciones Unidas que permita alcanzar un alto el fuego sostenido en Oriente Próximo.

Comentarios ¿Porque ahora no se aplica a la comunidad Internacional lo mismo que a Batasuna*?: Lo ONU deplora pero no condena.E Israel se justifica diciendo "que ya avisaron". ¿No fue la misma excusa la que utilizó ETA en relación con HIPERCOR**? Ilegalización de la ONU ¡¡YA!! noticias.ya.com

*Batasuna (organización ilegal considerada como el brazo político de la organización terrorista ETA, a la cual se le imputan mas de 800 asesinatos.)

**HIPERCOR (uno de los atentados de los que más ha disfrutado ETA. Fue el 19 de junio de 1987, y que nadie piense que la bomba se puso en un cuartel o en un bar "donde van policías", en absoluto. La bomba se puso en un hipermercado, exactamente en un Hipercor de Barcelona. El resultado de esta masacre, tan propia de los asesinos etarras, fue de 21 personas muertas y 45 heridas graves, de las cuales 22 quedaron inválidas. Como se puede suponer había un importante porcentaje de mujeres y niños entre las víctimas. Mujeres que pretendían hacer las compras del día acompañadas de sus hijos más pequeños.

“Na guerra há sempre erros e vítimas inocentes. Como aconteceu em Caná, hoje. Lamento profundamente isso. Ninguém queria que acontecesse. Mas as pessoas daquela casa foram repetidamente alertadas para partir. Decidiram permanecer ou foram forçadas a fazê-lo. Acusa-se Israel de uso de força excessiva, mas é o Hezbollah que usa escudos humanos. Não queremos vítimas civis, eles sim, e fazem-no ao atacar as nossas cidades. É preciso que se saiba que a casa atingida em Caná servia para abrigar rockets. Há fotos que o mostram”.

(Colette Avital, ex-embaixadora de Israel em Portugal)

correiomanha.pt

charge: marigoni

por quê?

Mohdhammed Hassan Fohani, de 75 anos, caminhava com um passo titubeante nos arredores de Tiro, tendo andado sozinho durante dois dias sob bombas e um calor intenso para escapar aos guerrilheiros. Residente na aldeia de Qonia, próxima de Bint Jbeil, tinha perdido o contacto com a sua mulher e três filhos adultos no primeiro dia de combates.

«Não sei onde estão ou sequer se estão vivos», disse ele. «Não sei nada deles. Fiquei na minha casa durante duas semanas mas tive de a deixar quando os israelitas a destruíram.» Depois de caminhar durante dois dias sob fortes bombardeamentos, Fohani, aceitou, agradecido, uma boleia de poucos quilómetros até à relativamente segura cidade de Tiro. No carro começou a chorar silenciosamente, mas era demasiado orgulhoso para o admitir, ou para dizer a alguém porquê.

Hussein Malla/AP Photo expresso.clix.pt

opinião

Disproportionate Condemnation!

“Disproportionate force” is the new fancy term, invented by the European Union, France, UN, and you name it diplomats. This slogan, according to them, justifies why they expect and demand from Israel to endure assaults from an uncontrolled, quasi-regime, terror cell that no other government in the world would ignore.

This kind of almost unanimous condemnation – In world bodies and diplomatic circles where its almost impossible and it takes an enormous amount of efforts and deliberations – to draft a phony resolution referring to the world maniacs, like the Iranian President Ahmnendeniad and the North Korean Kim Jong Il. The later is operating concentration camps and is a known sadistic brutalizer of his own nation. Both of them are incalculable, and it’s a great danger to allow them pose a threat to the whole world, besides the innocent people that are dying under there bloody hands.

In Darfur, Sudan, Government backed rebels have slaughtered hundred thousands of innocent civilians, and they expelled millions from their muddy tents. But we’re still waiting for meaningful steps from Kofi Annan and Jack Chirac to stop these atrocities against innocent men, women and children.

Where are the so conscious and merciful nations?

Why can they sleep when the blood of thousands are spilled in one Muslim nation, But are so appalled and shocked when some four hundred died through tragic mistakes, in the mid of an intense fight against a horrible enemy of the human kind?

How many emergency sessions had the UN convened for Darfur?

Is the current diplomatic buzzing and condemnation proportional to the efforts that Annan had undertaken to bring an end to the Darfur crisis?

Why is the blood of several hundred Lebanese victims – who’s death we, surely, all regret, non less then the 19 Israelis who died from the Katusha rockets - drawing so much attention and condemnation from allover?

The only explanation is that the political interests – of weakening the US and its allies, and the pattern of appeasing to terror – is fueling this Disproportionate Condemnation!

So, Kofi Annan, Jack Chirac, and your alike, stop using the tragic events as human shields in front of your politically motivated rhetoric.

Its not innocent lives, Its pure politics!

samaron.townhall.com

alguns comentários

UNITED NATIONS - The UN Security Council late on Sunday unanimously adopted a statement deploring Israel's deadly attack on the southern Lebanese village of Qana but rejected UN Secretary-General Kofi Annan's call for an immediate truce. The policy statement, read at a public meeting, expressed "extreme shock and distress" at the air strike by the Israel Air Force that killed at least 60 people and asked Annan to report within a week "on the circumstances of this tragic incident." It stressed "the urgency of securing a lasting, permanent and sustainable cease-fire" and affirmed the council's determination to work "without any further delay" to adopt a resolution "for a lasting settlement of the crisis."

1. Annan the hypocrite 21:44 | Baruch 30/07/06 Boston, USA

Why doesn`t Kofi (monkey-like in Hebrew) Annan condemn Hezbollah for sending over 100 rockets a day directly at Israeli population centers? I suppose because they aren`t successful enough at killing Israelis, not for lack of trying, he thinks that only Israel should be condemned. Annan has been useless in every conflict in which the UN is involved, viz., Darfur, etc. And why not condemn the barbaric Iraqi terrorists that kill 100 innocent Iraqis a day? What useless jerk!

60. why would civilians leave their homes? 11:32 | kifah 31/07/06 Lebanon

you built your country by stealing land. why should they leave their homes? to be part of those millions of Arabs who`ve been kicked out on the roads? no, sorry i forgot, because the`re `forced by hizbollah to serve as human shields`. your sick propaganda is going too far. your leaders are very creative to imagine excuses to cover up for their irresponsible cruaulty. why can`t they use this creativity to mainstream your relations with your neighbours and indigenous population and finally bring peace. if this war is for you to protect the israeli civilians today, the results will only be to create more civilian death tomorrow. the ball in on your side to bring peace in the region. ‘UN Security Council rejects Annan's call for immediate cease-fire’

Haaretz Staff and Agencies

irmãos coragem

Oficial recusa-se participar na guerra

O oficial Amir Paster foi condenado a 28 dias de prisão militar neste domingo por se recusar a lutar no Líbano. Trata-se do primeiro caso de recusa a servir ao exército desde que as hostilidades começaram. Paster, 28, informou aos seus soldados que se recusou a fazer parte nas operações que ferem civis inocentes. A atitude do oficial foi fortemente condenada pelo porta voz das forças armadas israelenes (IDF). “Nós tratamos qualquer caso de recusa com severidade máxima ... Os oficiais de exército não escolhem suas missões e espera-se que sejam um exemplo pessoal a seus soldados”. The Jerusalem Post

fotos AP

An IDF soldier stands in position at a concrete wall next to the Lebanese border in northern Israel, Sunday. The Jerusalem Post

An IDF soldier taking a break as he sits next to artillery shells in the Upper Galilee near the Lebanese border on Monday morning. haaretz.com

julho 30, 2006

Watch Out

Qana Massacre II - 30 July 2006
até quando?

©

solidariedade

Líbano: à espera de outro milagre?

Massacre I The Israeli Air force bombed and killed 106 Lebanese civilians (almost all either women, children or old men) who had taken refuge in a UN shelter in the village of QANA. A further 110 civilians were injured

Massacre II 55 Civilians massacred including 27 children in a shelter (Early reports)

Qana is the place where, according to the Fourth Gospel, Jesus performed his first miracle, the turning of a large quantity of water into wine at a wedding feast (John 2:1-11)

© from israel to lebanon

CENTENÁRIO MÁRIO QUINTANA

Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!

A vaca e o hipogrifo’

...”Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”.

‘Mario Quintana por Mario Quintana’

© a magia da poesia

julho 27, 2006

Fim aos massacres, resgatemos a paz

A ocupação de 1967 e a política expansionista de Israel são a maior razão do aumento de violência e de extremismos não só no Médio Oriente bem como em outras partes do Mundo, e a questão palestiniana, quer aprovemos ou não, tem vindo a ser usada.

O processo de paz com os palestinianos teve início há 14 anos e com enorme esforço e boa vontade foi possível convencê-los de que a paz poderia ser uma realidade, mas Israel, como afirma, não encontrou em Arafat, Prémio Nobel da Paz, o ‘parceiro’ adequado para negociar essa paz como também continua a declarar não o encontrar em Mahmoud Abbas, ambos homens de paz. Se Israel não encontrou em nenhum daqueles dois o ‘parceiro’ apropriado, vai encontrá-lo no Hamas? Poderá então alguém explicar- -nos que parceiro afinal Israel pretende? O comportamento de impasse por parte do governo israelita atirou os palestinianos para os braços do Hamas e, quer se goste ou não, o Hamas foi eleito democraticamente. A democracia não pode ser dividida, apesar do castigo colectivo imposto ao povo palestiniano.

Rabin e Arafat foram mortos. O primeiro às mãos de um extremista israelita e o segundo por um governo extremista que o imolou fechando-o e isolando-o no seu quartel-general em Ramallah e cujo fim foi por todos conhecido.

Quando os dirigentes árabes, na cimeira de Beirute em 2002, apresentaram um plano de paz que no seu todo oferecia o reconhecimento do Estado de Israel por todos os países árabes em troca da retirada de Israel para as fronteiras de 1967, Sharon, em resposta, declarou que “aquela oferta não merecia sequer a tinta que a escreveu” e nessa mesma noite as tropas israelitas entraram no campo de refugiados de Jenin, que destruíram.

Perante esta situação, o Presidente Abbas anunciou a realização de um referendo para votar o “documento dos prisioneiros” e cuja principal finalidade seria o reconhecimento da OLP por parte do Hamas e da Jihad Islâmica e a ela se juntarem, bem como a aceitação da Declaração de Beirute e a solução de dois estados. Ao longo de um mês, um intenso diálogo interno palestiniano teve lugar após o qual o Hamas aceitou integrar a OLP, o que significaria legalmente aceitar todos os acordos e protocolos anteriormente assinados pela OLP com Israel. O optimismo parecia voltar aos palestinianos, mas Israel, apesar de ter conhecimento de todas estas negociações, não abrandou a forte agressão que estava a levar a efeito contra a Faixa de Gaza, não dando portanto oportunidade aos palestinianos de anunciarem o estabelecimento de um governo conjunto, bem como informarem que já não se tornava necessária a realização de um referendo. Foi nesta altura que aconteceu o que a dramática imagem transmitida a todo o Mundo nos mostrou de uma criança, Huda Ghalia, correndo em lágrimas pela praia de Gaza após lhe terem matado toda a família.

Então, o soldado Gilat Shilat foi raptado de dentro do seu tanque que bombardeava a Faixa de Gaza. A desumana reacção de Israel nós compreendemo-la, ela não foi apenas para destruir completamente a Faixa de Gaza mas sim também para destruir o acordo que tinha acabado de ser assinado com o Hamas e outras organizações da OLP. Israel pretende ter um inimigo “isolado e terrorista”, pois através desse inimigo Israel pretende justificar a razão dos seus objectivos expansionistas.

O sucesso do acordo nacional palestiniano com o Hamas obrigaria Israel, de acordo com o ‘Roteiro da Paz’, a sentar-se à mesa das negociações, mas Israel prefere dar continuidade ao plano ‘Sharon/Olmert’ que projecta, unilateralmente, um novo traçado das fronteiras de Israel, incluindo Jerusalém Oriental, o muro, o vale do Jordão e os maiores colonatos na Cisjordânia. Aquele plano, a ir em frente, tirará aos palestinianos 58% dos territórios da Cisjordânia. Assim, Israel está a usar o rapto do soldado como desculpa com a finalidade de atingir os seus objectivos ilegais. Deste modo, encontramo-nos novamente na estaca zero e a braços com uma catástrofe humanitária em Gaza, pois a presente guerra no Sul do Líbano virou as atenções mundiais para aquela região.

A paz tem de chegar a esta desapontada, cansada e miserável zona do Mundo e a comunidade internacional tem de actuar. O Mundo tem de ver o que se passa com a violência ali instalada, pois, como já declarei anteriormente, a razão da violência e dos extremismos explica-se numa única palavra: ocupação, bem como pela política de expansão de Israel e à forma diferenciada como o Mundo trata Israel e a Palestina, tornando Israel um país acima da lei. Que Israel declare que retirará de imediato de todos os territórios ocupados e a paz chegará para todas as partes e deixará de existir qualquer tipo de desculpa.

Com estas últimas agressões, Israel não está apenas a destruir a Faixa de Gaza, as suas infra-estruturas e o seu povo, mas poderá estar igualmente a destruir o campo da paz em ambos os lados. A paz trazida pela força é uma paz temporária e nunca será a “paz dos bravos” desejada por Rabin e Arafat. Israel tem de estar consciente de que esta política de destruição e humilhação não aniquilará o terrorismo, mas sim fará crescer a violência e os extremismos entre o nosso desarmado e desiludido povo, vendo a sua terra a ser anexada metro a metro, vendo que a guerra continua mesmo contra a vontade internacional, vendo a menina dos seus olhos, a sua capital de Jerusalém Oriental, a ser judaizada, vendo os seus direitos abandonados no Conselho de Segurança da ONU, sentindo que não têm futuro excepto, se quiserem, receber as migalhas que Israel lhes quiser dar, e tudo isto perante os olhos do Mundo inteiro – nós os do campo da paz fomos junto do nosso povo tentar convencê-los a aceitar a paz com Israel. Arafat pagou com a vida como Rabin pagou com o seu sangue – todos os que morreram pela paz morreram para nada? Será que a paz clamada por Israel enquanto tenta ganhar tempo de forma a criar factos consumados não passará de uma grande mentira? Será que alguém poderá ter noção de quão difícil e longo será o caminho para se tentar novamente construir a confiança na paz?

Não me cansarei de repetir: a paz na Palestina está em perigo, a paz no Mundo está em perigo, as nossas crianças e as crianças de Israel estão em perigo – ponham fim aos massacres! Resgatemos a paz!

Randa J. Nabulsi, Delegada-geral da Palestina correiomanha.pt

solidariedade

Só a solidariedade internacional travará o banho de sangue

As causas e os objectivos da sangrenta agressão israelense contra o Líbano

O Líbano, todo o Líbano, arde e sangra desde há oito dias sem que as Nações Unidas ou seu conselho de segurança cheguem a uma decisão mínima: a de exigir de Israel um cessar fogo acompanhado de uma condenação clara e nítida quanto aos massacres de civis, à destruição da infraestrutura e o emprego de armas proibidas (bombas de fósforo, gás, bombas de fragmentação, etc). Mais de 400 mortos e 3500 mutilados e feridos, dezenas de milhares de alojamentos destruídos, dezenas de pontes e estradas esventradas, mais de vinte fábricas arrasadas, milhares de carros e camiões deslocados, milhares de hectares de culturas e de árvores frutíferas incendiados. E o crime prossegue sob o olhos de Georges W. Bush e do seu embaixador nas Nações Unidas, John Bolton, mas também de todos os chefes de Estado árabes que acham normal ceder às exigências americanas enquanto os soldados da FINUL (Forces Intérimaires des Nations Unies au Liban) recusam toda assistência aos habitantes da aldeia de Marwahine, cujos 25 habitantes pereceram sob as bombas israelenses às portas das tropas enviadas por Kofi Annan para proteger os civis. Esta descrição não reflecte todos os factos da agressão, sobretudo porque a operação israelense perpetua-se.

Os detidos libaneses e o direito internacional

As causas desta agressão continuam a fazer correr muita tinta no ocidente a ajudam as cadeias de televisão a encontrar temas de discussão. E a acusação que ouvimos repetir-se incansavelmente ao longo do dia é: porque o Hezbollah escolheu este momento preciso para tomar como reféns dois soldados israelenses a fim de exigir a libertação de outros reféns libaneses presentes (ilegalmente, bem entendido) em Israel desde há mais de 24 anos e até mesmo, para Samir Kantar, desde há mais de 28 anos? A esta pergunta, respondemos com duas outras: porque os sucessivos governos em Israel recusam-se a libertar os reféns libaneses, apesar da sua retirada da maior parte do Líbano já há 5 anos? E porque se recusam a aplicar resoluções datando de 1948, 1967, 1973 referentes à retirada da sua ocupação de Nkhaileh, das sete aldeias libanesas fronteiriças, de Chebaa e das alturas de Kfarchouba? Sobretudo, porque John Bolton, e antes dele Georges Bush e Condolezza Rice e outros chefes de Estado, dão a Israel a autorização para executar pelo fogo e pelo sangue a resolução 1599, aparecida em 2004, referente à tomada das armas da Resistência nacional libanesa contra a ocupação israelense. As razões certamente não faltam ao mais forte, cuja razão "é sempre a melhor", uma vez que alguns argumentam com o facto de que estas armas estão ao serviço do Irão ou então da Síria, como se o Hesbollah, hoje, e antes dele os comunistas e outros resistentes, não fossem patriotas libaneses e como se o direito internacional e a Carta das Nações Unidas (para a redacção da qual o Líbano contribuiu activamente) não fossem feitos senão para certos povos em detrimento de outros. Senão, como explicar esta unanimidade para apoiar o assassínio em detrimento das vítimas (dentre as quais o povo palestino em Gaza e nos territórios ocupados). A resistência libanesa tem o direito de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para libertar os detidos libaneses e, também, os territórios sempre ocupados. E não é necessário ter, como pretendem alguns, um reconhecimento da parte da Síria que havia tomado, pela força, estes territórios no começo dos anos cinquenta do século passado, para poder afirmar sua pertença ao Líbano, uma vez que existiam documentos em França (o Estado mandatário antes da independência do Líbano) e que em 1968 (portanto bem antes da resolução 242) o presidente libanês Charles Hélou havai, por intermédio das instâncias internacionais, pedido à Síria para sair de Chebaa. Aliás, o "Front de Résistance Nationale Libanaise", comunista, havia falado novamente destas terras em 1978 e o anais da história do Líbano notam que mais de uma operação de resistência tem sido feita nesta região antes mesmo do nascimento do Hezbollah.

O plano israelense para o Líbano e a região

Portanto, a agressão sofrida hoje pelo Líbano ultrapassa de longe os dois reféns israelenses ou a libertação dos três reféns libaneses.

Ela visa outros objectivos:

O primeiro, no plano libanês, é prosseguir os objectivos da agressão de 1983, a saber: fazer do Líbano um Estado-satélite que aceite sem condição alguma a liderança de Israel na região no âmbito do projecto evidenciado em 1993: o Grande Médio Oriente dirigido pelos Estados Unidos e, acessoriamente, por Israel. Um Médio Oriente onde os países árabes serão desarmados e Israel cumulado de armas, inclusive de arsenal nuclear e químico. Eis porque os exércitos do Egipto e do Iraque foram desmantelados e eis porque é preciso que os palestinos e os libaneses entreguem as armas. Assim, a resolução 1559 ganha uma nova luz.

O segundo, ainda no plano libanês, é o domínio sobre a água, considerada como fonte de energia essencial neste começo do terceiro milénio. E Israel havia contado com a água libanesa (Litani, Hasbani, Wazzani) assim como com a água proveniente das alturas do Golan. Eis porque tem necessidade das terras de Chebaa, que guarnecem a rota da água, e também porque Israel precisa uma zona desmilitarizada no sul do Líbano, ou antes, uma zona onde não viva ninguém. E as 21 aldeias fronteiriças do Líbano, assim como a presença actual da Resistência, devem ser eliminadas o mais cedo possível.

O terceiro tem relação com a situação na Palestina. Com efeito, a guerra contra o Líbano "fez esquecer" o que se passa lá: massacres quotidianos, destruição, tomadas de reféns, etc. Tudo isto em nome da "democracia" à moda americana, uma vez que os Estados Unidos de Georges W. Bush consideram normal que um povo seja punido porque votou contra os desejos daquele que o ocupa e que o ocupante e assassino deste povo seja recompensado com uma ajuda incondicional: 2,2 mil milhões em armas refinadas só no ano de 2005, dentre as quais os F15 e os F16 muito aperfeiçoados que nos bombardeiam hoje.

O quarto, enfim, tem relação com o Iraque (e o Irão), onde a actual administração americana se atola. Ela desejaria, portanto, antes da abertura da campanha presidencial, reforçar suas oportunidades reagrupando através do medo de um terrorismo inexistente entre nós, mas criado previamente por esta administração que havia dado pleno poder a Ben Laden e aos seus "moujahidins" para fazer "a guerra santa" à antiga União Soviética. E neste objectivo pomos o que se passa no Iraque e no Afeganistão. Sem esquecer a campanha referente à "ameaça nuclear iraniana" que Henry Kissinger havia evocado no jornal Le Monde, há alguns meses, e recusando compará-la ao armamento nuclear detido por Israel porque este país defende os valores americanos!!

Este plano americano-israelense prossegue porque o governo libanês não chegou a executar a parte que lhe cabia e que consistia em por fim à presença armada do Hesbollah e das facções palestinas no Líbano: o que facilitaria a implantação destes palestinos no Líbano e permitiria acelerar as etapas da elaboração do Grande Médio Oriente supracitado.

Conclusão

Por todas estas razões, a agressão generalizada de Israel vai prosseguir sob a direcção dos Estados Unidos. Somente uma grande campanha de protesto e de pressão pode travá-la antes que seja demasiado tarde. Um cessar fogo imediato e durável deve ser exigido. Quanto à resolução 1559, ela tem a ver com a resiliência do Líbano que exige também a aplicação das outras resoluções internacionais, inclusive daqueles a exigir o direito de retorno do povo palestino e a construção do Estado independente sobre o seu território nacional.

O povo libanês tem necessidade de toda solidariedade internacional sob todas as formas para travar o banho de sangue no qual Israel o mergulhou desde há mais de 10 dias. Suas crianças, mortos e mutilados exigem um grito unânime contra os seus assassinos e aqueles que os dirigem e lhes fornecem as armas.

Beirute, sexta-feira, 21 de Julho de 2005

Resumo preparado pela Comissão Política do Partido Comunista Libanês

O original encontra-se em http://www.lcparty.org/210706_3.html

Estes documentos encontram-se em http://resistir.info/

Manifestações em Lisboa e no Porto

Mais de 1000 pessoas concentraram-se em Lisboa dia 26 frente à Embaixada de Israel para protestar contra os massacres cometidos pela entidade sionista contra o povo libanês e o povo palestino. O embaixador recusou-se a receber o documento de protesto que lhe foi apresentado pela comissão de manifestantes, pelo que esta decidiu enviar-lhe pelo correio.

No Porto, igualmente, centenas pessoas reuniram-se na Praça da Batalha a fim de condenar as atrocidades de Israel contra os povos libanês e palestino. resistir.info

A cobertura de guerra do YouTube

Nos últimos dias, o YouTube, site de compartilhamento de vídeos, foi inundado por uma série de gravações do conflito entre Líbano e Israel, feita por moradores dos dois países com câmeras digitais ou modernos celulares. São cenas de mísseis cruzando os céus, de explosões nos centros urbanos, de casas e escolas destruídas – quase sempre de baixa qualidade, mas com enorme sentido de urgência.

Identificado como “msoubra”, um libanês gravou os clarões das bombas de Israel explodindo na noite de Beirute (veja aqui). Ao colocá-lo no YouTube, deixou o seguinte comentário: “Esse vídeo traz de volta memórias assombrosas da invasão israelense de Beirute em 1982. Eu tinha apenas 4 anos. Mas o impacto dessas explosões nunca me abandonou. Para aqueles com sorte suficiente para não ter vivido uma guerra, pode parecer que se entende tudo apenas de ver a CNN ou a BBC ou de ler os jornais. Esse vídeo é uma tentativa de dar a você um sentido mais realista do qual terrível uma guerra pode ser para civis inocentes e crianças – como eu, 24 anos atrás.”

... A guerra de Israel e Líbano pode ser a primeira da era YouTube, com uma cobertura extensiva no site feita pelos dois lados. No início dos outros dois grandes conflitos bélicos atuais, no Afeganistão e no Iraque, o site ainda não existia (ele foi ao ar em fevereiro de 2005). Além disso, o poder aquisitivo de israelenses e libaneses é bastante superior ao de afegãos e iraquianos – o que permite maior acesso a câmeras e celulares sofisticados. Ricardo Calil

no mínimo

nonsense

Reunião pela paz no Líbano não dá em nada e no Brasil, libanses e palestinos brigam em protesto contra Israel no Rio

Imagem EFE

desamores cariocas

pesquisa do Ibope no Rio

Lula está na frente, com 39% das intenções de votos

Geraldo Alckmin, 17%

A senadora Heloísa Helena, a candidata do PSOL, tem 19%

Cristovam Buarque (PDT) tem 1% (mesmo percentual da média nacional)

O índice de quem votaria nulo é de 14%

Não sabem ou não opinaram 9% dos eleitores

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

...

Lula é o mais rejeitado, com 32%.

Alckmin em segundo, com 20%.

Heloísa e Cristovam têm 13% cada um

O Ibope ouviu 1.204 eleitores de 22 a 24 de julho, em 33 municípios.

...

escolaridade

Heloísa Helena tem 26% de votos entre os eleitores com ensino superior.

Lula 29%

Alckmin, 21%

Cristovam, 5%.

Lula ganha com folga no segmento de eleitores que têm até a 4 série do fundamental, com 45% das intenções de voto.

Heloísa aparece em segundo com 16%

e Alckmin, com 11%.

renda

Entre os que ganham mais de cinco salários-mínimos, Heloísa Helena tem 28% das intenções de votos, perdendo de Lula por apenas um ponto percentual.

Alckmin teria, nessa faixa, 17%.

o eleitor de mais baixa renda, ganhando até um mínimo, confere a Lula o seu maior índice na pesquisa: 50% declaram que votarão no petista.

Apenas 13% votariam na senadora e 10%, no tucano.

Num eventual segundo turno, Lula ganharia de Alckmin, no Rio, por 45% a 30%

votariam em branco ou nulo 16%

8% não quiseram opinar

no país

Lula tem 44%; Alckmin, 27%; e Heloísa, 8%

o globo

didática

© tribuna da imprensa

utilidade pública

Listas com nomes de deputados envolvidos em escândalos

Esta postagem será atualizada, sempre que surgirem novas listas. Última atualização: 26/07/06 Obs: Além de deputados, estas listas têm nomes de senadores, prefeitos, governadores e outros gestores públicos. Muitos tentarão se eleger ou reeleger agora em outubro. Esta lista das listas estará sempre disponível, a partir do banner aí em cima.
. Escândalos comuns: São alguns deputados envolvidos na Máfia das Sanguessugas e no "Mensalão". . Clique aqui a acesse a lista de O Globo.

. Escândalos das Sanguessugas

. Lista de O Globo. 33 com fotos, e nomes de outros 57.

. Lista de O Globo (nome, partido e fotos)

. Lista do Blog do Noblat (nome, partido e e-mail de cada um)

. Lista do Blog Entrelinhas (nome, partido, quem apóiam na corrida presidencial)

. Lista da Veja (nome, fotos)

. Lista da Veja (novos nomes, com fotos)

. Inelegíveis, segundo o Tribunal de Contas da União

Lista com nomes dos responsáveis (pessoas físicas não falecidas) que tiveram suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por irregularidade insanável e por decisão irrecorrível nos últimos cinco anos.

. A lista completa está aqui.

. Por estado ou região: (Do Blog Deu no Jornal)

. Paraná . Goiás

. Espírito Santo

. Cinco governadores do Norte

. Rio Grande do Sul

. Aqui a lista com todos os nomes, divididos por estados

. Inelegíveis, segundo o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro

. A lista completa está aqui, em pdf

. Aqui os que concorrem a deputado federal e estadual

Antônio Mello

julho 26, 2006

horror até quando?

A guerra que o Hezbollah está realmente a combater

por Kaveh L Afrasiabi [*]

A guerra assimétrica entre a superpotência regional apoiada pelos EUA e um movimento islâmico de resistência mal equipado para retaliar com golpes mortíferos da mesma espécie do seu adversário está agora a entrar na segunda semana sem qualquer sinal de declínio.

Tanto militarmente como política e diplomaticamente, ambos os lados nesta "guerra em ampliação! têm imagens invertidas um do outro ao alvejar cidades e aldeias indiscriminadamente, apesar de a morte e destruição provocada pelo armamento do estado-da-arte de Israel amesquinhar amplamente os danos infligidos pelos rockets primitivos do Hezbollah.

Independentemente disso, o Hezbollah pode ostentar a sua firmeza em face do bombardeamento implacável, que recorda o bombardeamento da Sérvia pela Organização do Tratado do Atlântico Norte no verão de 1999. Pode também tomar alento da sua capacidade sem precedentes para atingir o norte de Israel com ataques de rockets, conduzindo a vida normal em um terço do estado de Israel a uma virtual paralisação.

A questão chave é, naturalmente, durante quanto tempo o Hesbollah pode opor-se ao poder aéreo israelense e ao (cada vez maior) ataque terrestre sem ficar desprovido de munições, apoio logístico e força de vontade. Uma guerra de atrito, quando o arsenal de Israel é plena e rapidamente reabastecido pelos EUA, conforme relatos da imprensa, ao passo que as rotas de abastecimento do Hezbollah são obstruídas, não está nos interesses estratégicos de Hesbollah.

Mas isto pode ser inevitável uma vez que Israel comprometeu-se publicamente a desmantelar a infraestrutura militar do Hesbollah "de uma vez por todas" e, ainda, a campanha aérea cairá terrivelmente perto deste objectivo. Enfraquecer o Hezbollah, ainda que temporariamente, pode ser o máximo alcançável pela campanha aérea israelense.

A ampliação da invasão terrestre de Israel

No momento desta redacção, o exército de Israel penetrou umas três milhas (4,8 km) dentro do Líbano, capturando algumas aldeias, enquanto concentrava tropas na fronteira na previsão de uma potencial invasão em plena escala. Isto tem o objectivo duplo de eliminar os pontos fortes do Hezbollah próximos à fronteira e criar um "amortercedor em profundidade".

Atento à história, de quando as guerrilhas do Hezbollah travaram uma contra-estratégia que acabou por ter êxito em 2000 ao forçar a retirada de Israel do sul do Líbano, Israel está plenamente consciente da "armadilha da guerra" e está à procura de uma fórmula de actuação pela qual possa cumprir seu objectivo de guerra limitado de reocupar partes do Líbano.

O padrão de escalada da guerra pode, por outro lado, criar o seu próprio momento em direcção a uma invasão em grande escala, caso em que todas as estradas conduzirão a Beirute. Isto é a principal razão porque a perseguição renhida do Hezbollah pelas forças israelenses culminará na guerra urbana na vizinhança de Beirute e, na verdade, em toda a extensão da cidade capital actualmente sob sítio.

Assim, este é o dilema militar de Israel: procurar menos do que a vitória plena contra o determinado Hezbollah danificará o prestígio militar de Israel, mas o preço da vitória total pode demonstrar-se demasiado alto em termos de destruição do Líbano e do nível de tolerância da opinião pública internacional. Pior: não há garantia de que a busca de Israel da destruição total do Hezbollah terá êxito. De facto, Beirute pode demonstrar-se a Stalingrado dos árabes, proporcionando um impressionante golpe ao exército invasor israelense e o fim de uma campanha sangrenta.

Com a guerra principiando a galvanizar a rua árabe, um conflito prolongado trará a al-Qaeda para o Líbano às horas, alargando então exponencialmente a rede de terrorismo árabe. Um oportuno desenvolvimento unificador que potencialmente adia o actual cisma sunita-xiita que se torna violento no Iraque e no Paquistão, a guerra no Líbano também está a proporcionar um antídoto crítico ao faccionalismo libanês, à luz do anúncio de vários líderes libaneses de que o Líbano permanecerá unido contra uma invasão israelense.

Analistas militares ocidentais prontamente descartaram o Exército Libanês como "sem comparação" com o de Israel, o que é verdade, mas os 60 mil soldados podem rapidamente duplicar de número através de uma moblização geral, bem como pela aceitação de recrutas de outros países árabes e muçulmanos.

Além disso, o primeiro-ministro do Líbano já aludiu a transformar o seu exército num exército do tipo guerrilheiro, o qual tem a vantagem da familiaridade com o terreno, de combater uma guerra pela independência e auto-determinação contra o que é percebido como um inimigo brutal que nem sequer poupou os hospitais de Beirute. O Líbano pode estar fisicamente devastado agora, mas politicamente demonstrou uma admirável nova maturidade que será louvado pelos futuros historiadores.

A guerra na frente diplomática

"Não há diplomacia" condenou o representante do Líbano na ONU após uma semana de derramamento de sangue passivamente observada pelas Nações Unidas, apesar de uma queixa formal apresentada pelo Líbano no Conselho de Segurança.

Ignorando repetidos pedido do secretário-geral da ONU, Koffi Annan, por um cessar fogo imediato, apoiado por certos países europeus, tais como a França e praticamente todo o bloco dos países em desenvolvimento conhecido como o Movimento Não Alinhado, os EUA por si sós levaram o Conselho de Segurança a um estado de paralisia. O fraco argumento do seu representante, John Bolton, é que "devemos esperar e ver o que será o resultado militar" e que fazer de outra forma é "colocar o carro diante do cavalo".

Isto mesmo sabendo que a Carta da ONU e o mandato do conselho é impedir conflitos armados e instituir a paz em conflitos inter-estados. Tal desprezo pelo papel da ONU simplesmente acrescenta nova acha ao forno candente do anti-americanismo que corre desenfreado no Médio Oriente e, na verdade, em todo o mundo muçulmano.

A justificação americana de que "Israel tem o direito de se defender" nunca é estendida ao povo oprimido da Palestina, que tem estado a aguentar a mais horrível série de assaltos aéreos e terrestres. De acordo com o representante palestino na ONU, que relatou ao Conselho de Segurança na sexta-feira, Israel executou mais de 100 ataques aéreos e bombardeou Gaza mais de 1.100 vezes.

O Congresso americano auto-limitou-se ao apoio acrítico a Israel, aprovando uma resolução que condena a Síria e o Irão, sem mesmo incomodar-se com as anteriores ninharias de manter uma fachada de equanimidade.

Uma nova resolução da House of Representatives apela à libertação de soldados israelenses sequestrados, sem mencionar o facto, citado pelo London Observer, de que um dia antes do sequestro de um soldado pelo Hamas, comandos israelenses violaram a soberania territorial de Gaza "sequestrando" ("abducting") dois membros do Hamas. Para serem equânimes, os respeitados juristas americanos deveriam analogamente pedir a Israel a libertação de detidos árabes.

Poucos políticos americanos ousam criticar a destruição por Israel de grande parte da infraestrutura da Autoridade Palestina, o aprisionamento de dúzias de juristas palestinos e de metade do seu gabinete de ministros.

Uma reacção justa do Congresso seria considerar abertamente represálias contra Israel se este recusasse parar sua campanha mortífera. Um conjunto de opções deve se explorado: reduzir intercâmbios militares, congelar a entrega de armas compradas por Israel e reduzir a cooperação de militares de um e outro lado.

Washington pode também ameaçar retirar a assistência económica, adiar investimentos, congelar acordos de comércio preferencial e dissolver projectos económicos conjuntos e, no cenário de pior caso, congelar activos económicos.

Com a falta do peso americano sobre Israel, a ameaça da escalada prejudicando potencialmente os interesses estratégicos americanos na região por um longo tempo assoma no horizonte.

Quando a secretária de Estado Condoleez Rice principia sua jornada "na região", a qual não inclui qualquer capital árabe [1], apesar do desejo declarado pela Síria de entrar em diálogo com os EUA, é muito claro que isto é principalmente um quadro diplomático para enfeitar os esforços de guerra de Israel.

A bravata de Rice acerca de um "novo Médio Oriente" é oca, à luz da posição unilateral pró-Israel da administração Bush e da ausência anterior de qualquer iniciativa para de alguma forma resolver a "questão" palestina. E, se os EUA e Israel estão a empolgar-se com a noção de uma força internacional de interposição na fronteira Israel-Líbano, isto deve-se menos devido à preocupação americana com a paz e mais ao fracasso de Israel para quebrar a espinha do Líbano e os seus temores da guerra armadilha acima mencionada.

Opção do Hezbollah: cessar fogo unilateral

O Hezbollah é a única entidade árabe que proporcionou uma espantosa derrota a Israel, forçando-o a abandonar o Líbano após 18 anos de combate; mais uma razão para a sua imensa popularidade no Líbano e na região circundante.

Longe de ser um "grupo de terror puro e simples" como repetidamente etiquetado pelos líderes do governo americano, o Hezbollah é um movimento político-militar bem entrincheirado que participa na vida nacional do Líbano enquanto, simultaneamente, actua como um braço previdenciário do sistema libanês ao proporcionar serviços básicos de bem estar à sua base de massa de destituídos.

Claramente, o Hezbollah não é um exército estrangeiro, como a Organização Palestina de Libertação, que foi forçada a fugir do país. Ao invés disso, é um fenómeno que cresceu internamente e está profundamente imerso na sociedade libanesa e na sua identidade colectiva.

Em consequência, tanto a política americana como israelense de destruir o Hezbollah está condenada ao fracasso, e não importa quão severamente é triturado por bombas maciças, ele sobreviverá e o seu fénix levantar-se-á das cinzas do Líbano.

Ao mesmo tempo, isto não quer dizer que o Hezbollah esteja para além da censura crítica. Em primeiro lugar, ao alvejar civis em Israel o Hezbollah colocou-se na mesma equação (i)moral do estado de Israel que actualmente aterroriza toda a nação libanesa. Mas, uma estratégia mais prudente do Hezbollah poderá ser declarar unilateralmente um cessar fogo e evitar quaisquer novos ataques de rockets no norte de Israel, focando-se nas forças terrestres israelenses que fazem incursões no Líbano.

Há múltiplas vantagens numa tal iniciativa por parte do Hezbollah. Primeiro, o Islão proíbe o dano a populações civis e o Hezbollah juntaria sua firme resistência com um alto padrão moral.

Segundo, Israel seria pressionado pela comunidade internacional ao continuar com seu assalto aéreo sobre o Líbano na sequência do cessar fogo uniltateral do Hesbollah, e quanto mais Israel o mantivesse mais isolado ficaria internacionalmente, dada a maré da opinião pública mundial já horrorizada pelos danos colossais em Beirute e por toda a parte no Líbano.

Com a fachada de alguma "simetria" entre a campanha aérea de Israel e o ataques com rockets do Hezbollah, os quais os media americanos pro-Israel tem estado a explorar, assim desaparecendo, Israel pode vencer a guerra militarmente, mas certamente perderá política e diplomaticamente.

[*] PhD, autor de After Khomeini: New Directions in Iran's Foreign Policy (Westview Press) e co-autor de "Negotiating Iran's Nuclear Populism", The Brown Journal of World Affairs, Volume X11, issue 2, Summer 2005, com Mustafa Kibaroglu. Também escreveu "Keeping Iran's nuclear potential latent", Harvard International Review. É o autor de Iran's Nuclear Program: Debating Facts Versus Fiction.

[1] No dia 24 de Julho ela esteve em Beirute.

O original encontra-se em

http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/HG25Ak02.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

Foto: criança palestina ferida é levada ao hospital Shifa

Carta ao primeiro-ministro do Líbano

Caro primeiro-ministro Fouad Siniora:

Talvez o sr. seja bastante gentil para responder umas poucas questões quanto à recente visita da secretária de Estados dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, de modo a que os povos de todo o mundo que consideram com simpatia o seu país, arrasado pela invasão israelense, possam entender seus sentimentos sobre estes importantes assuntos.

Em primeiro lugar, por que permitiu à secretária de Estado visitar Beirute? A administração Bush já tornou inteiramente clara sua posição e todos os que acompanharam a questão sabiam que os EUA continuariam a dar a Israel o "sinal verde" até acabar suas operações militares de acordo com o seus planos originais.

Estava o sr. inconsciente de que Rice já declarara que não estava preparada para oferecer um "cessar fogo"?

Estava o sr. inconsciente de que os Estados Unidos estavam a "acelerar um carregamento de bombas guiadas de precisão para Israel" para continuar o massacre de civis libaneses e a destruição da infraestrutura da nação?

Por que deveria o sr. permitir-se ser fotografado com "cara sorridente" e a apertar as mãos de uma mulher que está a destruir seu país e a matar o seu povo?

O sr. não viu as fotos da vasta devastação no sul do país, onde 750 mil pessoas do seu povo foram forçadas a sair da sua terra e transferir-se para campos de refugiados? Não ouviu acerca dos muitos incidentes de militares israelenses a bombardearam intencionalmente civis, lares, pontes, fábricas de lacticínios, mesquitas, aeroportos, centrais eléctricas, faróis e portos?

Não viu as fotos das sepulturas em massa e de caixões improvisados que foram dispostos lado a lado em longas filas a seguir aos bombardeamentos israelenses?

Não ouviu os relatos de que Israel está a utilizar estranhas armas proibidas no sul do Líbano, incluindo granadas de fragmentação, armamento de laser e fósforo branco?

Não ouviu os gritos pungentes do rapaz que foi filmado no hospital pela CNN depois de ser incinerado pelo napalm israelense?

Não viu a foto de cortar o coração da mãe libanesa a olhar pela última vez seu filho a gotejar de sangue, outra vítima da carnificina israelense?

Que tipo de homem estenderia o "tapete vermelho" para o seu inimigo enquanto o seu povo ainda está a ser massacrado no terreno?

Um simples telefonema ao Departamento de Estado poderia ter impedido a secretária de aterrar no Líbano. Quanta coragem seria necessária?

Se o sr. fosse um homem corajoso teria colocado a secretária e toda a sua comitiva sob "prisão domiciliar" exigindo que Israel parasse sua campanha de "terra arrasada" até libertar Rice e sua gente. Mas não esperamos que faça a "coisa corajosa", apenas a "coisa decente".

Ninguém espera que o sr. se junte à resistência e combata os carniceiros que invadiram seu país a partir do sul. Ninguém espera que arrisque a sua vida para mostrar amor pelo Líbano ou disposição para morrer pelos seus compatriotas. Mas por que deveria o sr. humilhar-se posando com as mesmas pessoas que devastaram sua pátria e mataram os filhos do seu país? Estará o valor da sua dignidade tão em baixo para o sr. rastejar aos pés de Israel/América em troca de uma villa na Riviera e um bolso cheio de prata?

Jesus Cristo disse: "Para o que lucraria um homem se ele ganhasse todo o mundo mas perdesse sua alma".

O que há acerca da sua alma, primeiro-ministro? Será que ela também fez parte do negócio com a América? O sr. desgraçou seu país e traiu seu povo. Deveria fazer a coisa honrosa e apresentar sua renúncia de modo a que o seu povo possa eleger um líder digno do seu respeito.

Sinceramente,

Mike Whitney

25/Julho/2006

O original encontra-se em http://www.uruknet.info/?p=m25059&hd=0&size=1&l=e

Esta carta encontra-se em http://resistir.info/

Cineastas israelíes contra la guerra

Nosotros, cineastas israelíes, saludamos a todos los cineastas árabes reunidos en París en la Bienal del cine árabe. A través de ustedes, deseamos enviar un mensaje de amistad y de solidaridad a nuestros colegas libaneses y palestinos que están siendo encerclados y bombardeados por el ejército de nuestro país.

Nosotros nos oponemos categóricamente a la brutalidad, a la crueldad de la política israelí, que ha alcanzado nuevas cimas en estas últimas semanas. Nada puede justificar la continuación de la ocupación, el aislamiento y la represión en Palestina. Nada puede justificar el bombardeo de la población civil y la destrucción de las infraestructuras en el Líbano y en la banda de Gaza.

Permítannos decirles que vuestras películas, que nosotros nos esforzamos de ver y de divulgar en torno nuestro, son muy importantes para nosotros. Ellas nos ayudan a conocerles y a comprenderles. Gracias a vuestras películas, los hombres, las mujeres y los niños que sufren en Gaza, en Beirut y en todas partes en donde nuestro ejercito despliega su violencia, adquieren para nosotros nombres y rostros. Nosotros queremos agradecerles y alentarles para que continúen filmando a pesar de todas las dificultades.

En lo que nos concierne, nos comprometemos a seguir expresando, a través de nuestras películas, nuestras tomas de palabra y nuestras acciones personales, nuestra oposición categórica a la ocupación y nuestro anhelo de libertad, de justicia y de igualdad para todos los pueblos de la región.

Nurith Aviv / Ilil Alexander / Adi Arbel / Yael Bartana / Philippe Bellaiche / Simone Bitton / Michale Boganim / Amit Breuer / Shai Carmeli-Pollack / Sami S. Chetrit / Danae Elon / Anat Even / Jack Faber / Avner Fainguelernt / Ari Folman / Gali Gold / BZ Goldberg / Sharon Hamou / Amir Harel / Avraham Heffner / Rachel Leah Jones / Dalia Karpel / Avi Kleinberger / Elonor Kowarsky / Edna Kowarsky / Philippa Kowarsky / Ram Loevi / Avi Mograbi / Jud Neeman / David Ofek / Iris Rubin / Abraham Segal / Nurith Shareth / Julie Shlez / Eyal Sivan / Yael Shavit / Eran Torbiner / Osnat Trabelsi / Daniel Waxman / Keren Yedaya

Carlos Abrego

os menos iguais

Justiça Eleitoral recomenda que presos provisórios votem “se possível”

A Constituição Federal assegura o direito do preso provisório votar. Mas o Tribunal Superior Eleitoral não garante a prática do direito, dizendo que os juízes eleitorais devem, “se possível”, instalar seções eleitorais nos presídios. O preso precisa ainda ter pedido transferência eleitoral.

De acordo com o artigo 15 da Constituição, a perda ou suspensão dos direitos políticos só se dará nos casos de “condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos”. Ou seja, à pessoa julgada culpada em última instância e condenada.

Os presos provisórios são aqueles autuados em flagrante, presos preventivamente, que irão a julgamento por júri popular ou que foram condenados por sentença penal recorrível. No Brasil, por falta de vagas suficientes e pelo atraso nos processos, os presos provisórios e condenados, muitas vezes, dividem as mesmas celas.

Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, em São Paulo, chega a haver pessoas que esperam julgamento presas provisoriamente há 17 anos.

O direito dos presos provisórios ao voto foi instituído também pela resolução nº 21.804/2004 do TSE. A resolução nº 20.471/1999 é que condiciona o voto do preso à possibilidade de levar urnas aos locais de detenção. A regra é estabelecida ainda pelo artigo 49 da Resolução nº 20.997/2002.

O direito à cidadania do preso é garantido também pelo Código Penal Brasileiro, pela Lei de Execução Penal (nos artigos 40, 41, 64, 66 a 68 e 78 a 81) e constitui um princípio fundamental do direito penitenciário. De acordo com dados do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, órgão do Ministério da Justiça, o Brasil possui 308 mil presos, sendo 67 mil na condição de provisórios. Aproximadamente 3,5 mil pessoas são presas mensalmente e permanecem nos presídios, representando 41 mil presos a mais por ano. Alessandra Bastos Repórter da Agência Brasil