outubro 31, 2006

estava sumido ...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu do presidente da Líbia, Muammar Kadafi, os parabéns pela reeleição. Os cumprimentos se deram hoje, por meio de telefonema ao Palácio do Planalto acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lula e Kadafi deverão se encontrar pessoalmente nos dias 29 e 30 de novembro, quando deverão se reunir em Abuja, na Nigéria, os líderes da América do Sul e da África. A cúpula foi idealizada por ambos os presidentes durante a visita de Lula a Kadafi em Trípoli, na Líbia, em dezembro de 2003. Naquela ocasião, Lula pretendia convencer Kadafi a participar da cúpula da América do Sul e do Mundo Árabe, que ocorreu em maio de 2005. Kadafi não acedeu, foi uma das grandes ausências do encontro e insistiu na proposta de um evento mais amplo, entre líderes latino-americanos e africanos. No meio-termo, ambos acataram a idéia da Nigéria de realizar uma cúpula da América do Sul e da África. ultimo segundo

Muammar Kadafi tomou o poder com um golpe de estado em 1969, exilando o rei Idris I . Com a descoberta de grandes reservas de petróleo, o país tornou-se importante no cenário internacional.

A tradição islâmica, a personalidade do ditador e o nacionalismo extremado formaram a nova ideologia do Estado líbio. Após a expulsão dos estrangeiros e desapropriação de seus bens, a Líbia de Kadafi patrocinou atos terroristas em várias partes do mundo, tanto que, nos anos oitenta, foi submetida a sanções internacionais. Atualmente, a situação está se normalizando. Em 1998, Kadafi sobreviveu a um atentado planejado pelo grupo extremista líbio do Movimento dos Mártires Islâmicos.

Leitura interessante: Os sonhos de Kadafi

memória

A queda-de-braço entre a Líbia, detentora de enormes reservas de petróleo, e o Ocidente que, após o atentado de Lockerbie, em dezembro de 1988, com um saldo de 270 mortos, terminou meses atrás dando fim às sanções econômicas americanas, que provocaram enormes sacrifícios ao povo, mas não conseguiram dobrar o ditador Muammar Kadafi. O petróleo era uma reserva não somente para a Líbia sobreviver durante o embargo, mas financiou também um expansionismo islâmico em muitos países africanos.

Com a abertura econômica, houve uma retomada diplomática com outros países, entre os quais o Vaticano, aliviando as restrições que caíam sobre a Igreja católica.

A Líbia, até o advento de Muammar Kadafi, tinha sido ocupada pela Itália e, após a guerra 1940/45, retornou ao poder do legítimo rei Idris. Havia liberdade de praticar todas as religiões, seja o islã como o cristianismo. Quando, aos 27 anos, Kadafi, com um golpe militar, apoderou-se do governo, iniciando uma ditadura, embora acérrimo inimigo do Ocidente e devoto fiel do islã, não permitiu que o fundamentalismo islâmico, que já devastava os países vizinhos como a Argélia e o Egito, entrasse na Líbia.

Contra os fundamentalistas, Kadafi conduziu uma luta dura e cruenta. Aprisionou, perseguiu e fez desaparecer muitos fundamentalistas, redimensionou o poder dos Ulemas, os mestres do Alcorão que tentavam agregar ao seu redor as forças radicais do islã. Atacou rebeldes fundamentalistas aninhados na Cirenáica. Apesar dos anos de repressão, o movimento islâmico está se reforçando.

Estão arrebanhando, em grupos clandestinos, muitos jovens universitários e já existem mesquitas em poder desses fundamentalistas que são fonte de agitação. Até hoje, o exército mantém a neutralidade, mas não é de se descartar que possa se juntar aos fundamentalistas numa linha anti-Kadafi.

Hélio Pedroso

[Revista "MUNDO e MISSÃO" - Líbia: o degelo de um país: pag. n.º 14 a 15 - n.º 82 - mês de Maio - ano 2004]

extra!

mais uma do césar 'malha'

Ex-Blog é agora SHADOW CABINET !

...

ex-blog se transforma agora em SHADOW CABINET uma prática britânica -com auge nos anos 50, onde o partido de oposição constituía um ministério na sombra, onde cabia a cada ministro designado acompanhar com rigor o trabalho do ministro oficial.

03. Estão sendo constituídos os seguintes ministérios na sombra:

1. Finanças,( fazenda,banco central e banco do brasil);

2. Relações Exteriores;

3. Segurança Pública,( justiça e polícia federal);

4. Infra-estrutura, ( transportes,telecomunicações, minas e energia);

5. Economia,( desenvolvimento econômico,agricultura e bndes);

6. Educação;

7. Saúde;

8. Social, ( ação social, trabalho, cidades e caixa econômica);

9. Previdência Social;

10. Meio Ambiente;

11. Gabinete Civil,( relações políticas e assuntos gerais da rotina do presidente).

04. Para fazer os convites aos ministros, esse ex-blog vai precisar de 15 a 20 dias. Serão os quadros mais destacados do ponto de vista técnico, em cada tema. Alguns convites já foram feitos e aceitos, embora a maioria deles prefira ficar na sombra. Se for assim esse ex-blog garantirá o off -como o blog-crise e o ex-blog-eleições- já o fazem.

05. Da mesma forma o Shadow Cabinet trabalhará com teoria aplicada e crítica à ação, simultaneamente.

06. Como já vem ocorrendo na crise e nas eleições, os ministros na sombra contarão com uma enorme assessoria que serão todos aqueles inscritos, que passarem a esse ex-blog, diretamente a seu diretor de redação ou a equipe, informações, análises e sugestões. Os ministros na sombra receberão imediatamente o que for repassado.

07. Antes de terminar o mês de novembro o SHADOW CABINET desse ex-blog estará em campo, marcando corpo a corpo, cada um dos ministérios e o presidente.

08. Não haverá a necessidade de renovar a inscrição. Todos estão automaticamente inscritos. Mas, claro, a qualquer momento poderão pedir sua exclusão. Aguardem! São só uns 15 a 20 dias para que "eles" possam respirar e descansar da campanha. E depois,... que cumpram com as suas promessas e as expectativas que criaram.

INFORMAÇÃO e OPINIÃO -IOCM- !

ex-Blog do Cesar Maia 31/10/2006

Una voz normalmente silenciada

Extraditado al Estado español el Camarada Arenas, secretario general del PCE (r)

inSurGente.- La organización humanitaria Socorro Rojo Internacional nos ha remitido un comunicado en el que se denuncia la extradición al Estado español del secretario general del Partido Comunista de España (reconstituido), Manuel Pérez Martínez (en la fotografía), hata ayer preso en el Estado francés. Aunque está escrito en un lenguaje poco periodístico y un tanto ditirámbico, consideramos que la noticia tiene indudable interés y por eso lo publicamos en su integridad, sin añadir ni quitar una sola coma. Hagan clic en "Leer más".

Enviado por Erra el Martes, 31 octubre (58 Lecturas)

Animem-se Curupiras,

é o aniversário do Saci!

Omar L. de Barros Filho

O registro do evento é resultado da “ação política” da Fundação da Sociedade dos Observadores do Saci, www.sosaci.org, criada em julho de 2003, por um grupo de amigos incomodados com mais um “inimigo externo” que vem desembarcando insidiosamente em nossa praia, o tal de “raloin”.

A estratégia de combate às bruxas puritanas (“e imperialistas”!) foi traçada em uma mesa de bar, o Sol Nascente (não é no Japão!), da cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, em São Paulo. Com pouco mais de quatro mil habitantes, a tranqüila localidade virou a cidadela da luta em defesa de nossa magia. Famosa por sua boa cachaça, São Luiz do Paraitinga é vista como um ponto privilegiado de aparições de sacis, cujas existências permitem agregar ao caldeirão brasilino os ingredientes de três culturas.

Tais elementos, de acordo com os dirigentes da Sociedade dos Observadores de Sacis, também conhecida como Sosaci, são os que levaram à constituição da nação gigante da América do Sul: o índio, o negro e o europeu. “Na cultura indígena, o Saci é um curumim protetor da floresta com duas pernas. Na africana, adaptou-se a história na figura do negrinho de uma perna só trajando um gorro vermelho”, explicam os observadores de sacis, hoje mais de 800 espalhados pelo Brasil, de acordo com o último censo da entidade. Cabe lembrar que, na tradição romana, quando o escravo era libertado, ganhava um gorro vermelho, há muito peça indispensável na indumentária do Saci, que nasceu com uma perna só.

A expansão da idéia do aniversário do Saci está hoje garantida no país, graças ao apoio de algumas casas legislativas municipais, como a de São Luiz do Paraitinga, é claro, São José do Rio Preto, Vitória, e com processos em andamento nas câmaras de Curitiba, Juiz de Fora, Campinas e São Paulo. Além disso, os “sacizeiros” contam agora com um novo “instrumento” na divulgação de sua “plataforma”. Trata-se do lançamento do Anuário do Saci, pela Editora Publisher do Brasil, com textos de Mouzar Benedito , e ilustrações de Ohi. O leitor de ViaPolítica sabe que Mouzar Benedito é quem assina a coluna Brasil Adentro de nosso site, e não desconhece que o autor é especialista nas particularidades culturais e regionais do povo brasileiro, saber que transforma em originais crônicas. O Anuário do Saci traz boas histórias e ainda um calendário para os próximos três anos. Pode ser adquirido por R$ 26,00, através de pedidos ao mail livros@publisherbrasil.com.br ou pelo telefone (11) 3812 6233.

Adivinhem por que, leitores, os “observadores de sacis” são chamados assim? Porque são contra a criação de Saci em cativeiro!

31 de outubro, o Dia do Saci

© viapolitica

abre o olho Brasil!

Civita e o governo

Engana-se quem aponta a edição de livros didáticos como o centro das pendências da Abril com o governo federal. Roberto Civita, boss da editora, mira em negócio muito mais fabuloso, a internet sem fio. Especialistas falam em centenas de milhões de reais. Outros, em bilhão.

(...) Em tempo: os principais negócios do grupo sul-africano Naspers, que comprou 30% do capital da Abril por 422 milhões de dólares, são tevê por assinatura e, vejam só, internet. Mino

Vergonhosa, perigosa e até criminosa (principalmente do ponto de vista da Segurança Nacional) a notícia de que a Telefônica está negociando a compra de 49% da TVA, do Grupo Abril.

Muitos equívocos que devem invalidar a negociação.

1 - Da Espanha, portanto multinacional, não deveria controlar telefones. (Como a empresa da França não devia controlar a Light).

2 - Televisão é importante demais para pertencer a grupos de fora.

3 - A lei permite (isso agora) a posse de 30%. 49% é um absurdo, e além do mais, ilegal. E o debate, na campanha, sobre PRIVATIZAÇÃO?

Helio Fernandes

rumos e/ou rumores

Numa tentativa de atenuar a pecha de fisiológico, que o persegue desde a gestão Sarney (1985-1989), o PMDB pretende envernizar o seu apoio a Lula com um documento de cunho "programático". Antes de aderir ao governo, definindo os cargos que ocupará na máquina pública, o PMDB deseja que o presidente reeleito assuma determinados "compromissos" com a legenda.

Os termos do documento ainda não foram fixados. Serão delineados numa costura a ser iniciada nos próximos dias.

(...) Um raciocínio desenvolvido por Geddel Vieira Lima ajuda a entender a inevitabilidade do acerto do PMDB com Lula: "O partido não tem um nome nacional que projete a perspectiva de poder real", diz o deputado. "Nesse cenário, terminam prevalecendo os legítimos interesses dos governadortes eleitos, que querem ter uma boa relação com o poder central". Dos sete governadores eleitos pelo PMDB, cinco são apoiadores explícitos de Lula. O problema agora é transformar esse apoio personalizado em votos no Congresso. Daí a costura de um documento capaz de dar aos entendimentos a pretendida fachada institucional. Josias de Souza [Texto 'programático' selará apoio do PMDB a Lula]

\O/

Alguma coisa não está mais funcionando na fórmula que deu gás ao PFL nesses 25 anos. Para muitos, o misto quente da oligarquia nordestina com a direita moderna no Sul, em que a primeira entrava com a máquina e o voto e a segunda com o programa e a interlocução com empresariado, já deu o que tinha que dar. É algo para o PFL pensar. Franklin Martins [Alguma coisa não está funcionando no PFL]

\O/

Duas dinastias que começaram no mesmo instante, acabaram 40 anos depois. (Hoje). As duas iniciadas e mantidas pela subserviência e falta de convicção, destroçadas e destruídas agora pelo voto. Todos sabem que falo de José Sarney e ACM-Corleone. Os dois atravessando gloriosamente todo o período não democrático e se consolidando também gloriosamente no que chamam no momento, artificialmente, de democracia ou redemocratização.

Os dois fizeram quase tudo igual. ACM começou como prefeito nomeado de Salvador. Depois foi tudo, patrocinado pela ditadura. E continuou depois.

O Corleone só não chegou a presidente, contrariedade do destino. Se tivesse sido vice de Tancredo em 1985, teria sido presidente.

Também protegido e patrocinado pela ditadura, Sarney se "elegeu" governador em 1965, não parou mais. Em 1985, na disputa Tancredo-Maluf no colégio eleitoral, Sarney queria ser vice de Lutfalla Maluf. Este não aceitou.

Tancredo, com a conhecida repulsa, teve que engolir Sarney por causa de alguns nomes realmente importantes da chamada Frente Liberal, o PFL. Maranhão e Bahia estão livres. Sarney e ACM-Corleone nunca mais. Helio Fernandes [Imediatamente depois da reeeleição]

filme antigo

Moradores interditam as vias próximas da Favela Água Branca, localizada na Avenida Marquês de São Vicente, zona oeste de São Paulo; o protesto começou depois que receberam a informação que deveriam deixar a área invadida em até 30 dias
foto ultimo segundo
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COMUNIDADE ROMPE O SILÊNCIO
Humilhação, tortura, mortes e assalto a moradores. Este é o saldo dos 14 dias de ocupação do Complexo do Alemão pelo BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), segundo os relatos da comunidade

A.F. Rodrigues/Imagens do Povo

Por Ana Lúcia Vaz - Jornalistas Populares (www.renajorp.net)

Pelo menos 300 pessoas lotaram a sede da Associação de Moradores da Grota, a SOS Comunidades, na terça-feira, dia 24 de outubro, para denunciar a violência do BOPE. Faixas decoravam o local. "Os moradores do Complexo do Alemão pedem respeito das autoridades policiais". Ou pediam igualdade aos governantes porque "o povo da favela é igual ao da Zona Sul" ou porque "na favela também paga-se impostos".

fazendomedia
até quando ?

Será que agora vai?

Transição - Pista livre para uma nova política econômica

Heberth Xavier

Afirmação de ministro sobre ‘fim da era Palocci’ revela promessa de crescimento e mais empregos. Ao contrário de seus antecessores, novo mandato de Lula começa sem pressões na economia

Será que agora vai? Nunca, desde o início do Plano Real, em 1995, o país reuniu tantas condições para mudanças na política econômica. Empresários, trabalhadores, políticos e economistas têm um discurso na ponta da língua: a economia precisa crescer mais. Depois de anos chefiada por técnicos ligados ao pensamento mais conservador, a política econômica foi ortodoxa, que deu mais destaque ao combate à inflação do que ao crescimento da economia. Agora, ela dá sinais nítidos de cansaço. Mas o mais importante está na própria conjuntura econômica: o novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva começa sem grandes problemas para resolver na área, ao contrário de seus antecessores.

É a primeira vez que a transição de uma gestão para outra em Brasília será feita sob relativa tranquilidade na economia. O fato ajuda ainda mais na provável mudança de composição da política econômica a partir de 2007. Antes disso, em 1995 e 1999, Fernando Henrique Cardoso manteve os mesmos quadros na equipe, quase todos ligados à PUC Rio e vinculados à ortodoxia. Lula, em 2003, fez o mesmo. Agora, poucos apostam em nova repetição.

Em seu primeiro mandato, FHC chamou para os principais cargos no Ministério da Fazenda e no Banco Central economistas e técnicos que ajudaram na formulação do Plano Real, como Pedro Malan, Pérsio Arida e Gustavo Franco. Em 1999, tudo indicava que daria um verniz mais desenvolvimentista, voltado ao crescimento, a seu novo mandato. Economistas do PSDB, como os irmãos José Roberto Mendonça de Barros e Luiz Carlos Mendonça de Barros, críticos da gestão de Malan na Fazenda, acabaram traídos pelo escândalo do grampo na privatização da Telebrás. Mais do que isso, a maxidesvalorização do real, seguida de alta da inflação e do risco-país, isso já no início de 1999, adiaram as mudanças.

A mesma história, com poucas variantes, se repetiria quatro anos mais tarde, com Lula eleito presidente. Em 2003, a inflação vinha de alarmantes 12,5% ao ano, o risco Brasil superava os 1,5 mil pontos e a taxa de juros havia sido jogada para a casa dos 25% anuais. O cenário explosivo levou Lula à timidez na hora de formar sua equipe econômica: chamou para a Fazenda o médico Antonio Palocci, que compôs uma equipe conservadora, e para o Banco Central o então deputado eleito pelo PSDB Henrique Meirelles.

DOSAGEM MENOR - Agora, com o risco Brasil e a taxa básica de juros em patamares de baixa recorde; o saldo positivo também recorde da balança comercial; e a baixa consistente da inflação, quase todos apostam em mudanças. “A principal delas será de dosagem, pois não era preciso uma taxa de juros tão elevada”, admite o economista André Franco Montoro Filho, filiado ao PSDB e, ele próprio, também crítico da ortodoxia dos últimos anos – inclusive quando seu partido esteve no poder, entre 1995 e 2002.

1995 Fernando Henrique Cardoso inicia seu primeiro mandato em Brasília. Os principais postos na equipe econômica ficam com os formuladores do Plano Real, a maioria vinculada à PUC-Rio e associada ao pensamento mais ortodoxo em economia.

1999 O baixo crescimento no primeiro mandato abriria espaço para mudanças na segunda gestão de FHC. Mas a maxidesvalorização do real, no início de 1999, faria o país quebrar, desperdiçando, mais uma vez, a possibilidade de alteração da política econômica

2003 Lula é eleito prometendo mais crescimento e empregos. Dólar nas alturas e inflação idem, porém, levam o novo presidente a compor uma equipe econômica, basicamente, afinada com as anteriores. Henrique Meirelles é chamado para o Banco Central

2007 Lula é reeleito, novamente prometendo mais crescimento e empregos. Desta vez, porém, a economia segue sem problemas graves: risco-país caiu, juros e inflação também. País consegue superávit na balança comercial. Além disso, politicamente, parece haver unanimidade quanto à necessidade de mudanças

Análise da notícia

Crescimento econômico não garante melhor distribuição de renda. Mas, sem crescimento, não há como distribuir a renda. Essa premissa, tão esquecida nos últimos anos, tornou muitos agentes econômicos insensíveis à necessidade de retomada da expansão de forma mais vigorosa. Há anos o país assiste a desculpas, algumas engenhosas, outras nem tanto, para adiar a recuperação do tempo perdido. O cenário externo agora é favorável e o doméstico, também. Mãos à obra, portanto. (Heberth Xavier) superavit.com.br

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(...) O PSDB-PFL jamais compreendeu que o ponto de equilíbrio da hegemonia cultural hoje no Brasil está à esquerda do centro. Para ganhar uma eleição você precisa ter maioria. Portanto, tentar hoje no Brasil ganhar eleição de presidente com um discurso de viés liberal é um problema de solução não trivial. E que fica mais difícil se você não o enfrenta, se você se esconde. Ou se acredita que vai ganhar a guerra só com a aviação, sem infantaria. Só com denúncias e mídia, sem articulação social. Aliás, o PSDB-PFL demonstrou que não tem a menor idéia de como se forma opinião na era da Internet. É uma vítima do colapso da teoria da pedra no lago. Tomaram um show de bola do PT na Internet. Mas tudo isso é história. O título deste post é sobre o noticiário a respeito de um suposto desenvolvimentismo que, dizem, vai prevalecer a partir de janeiro. Pois eu acho que nada vai mudar na macroeconomia. Até porque Lula é mais esperto e mais competente politicamente do que o entorno. Quando o presidente estava no osso, quem o segurou na sela foram os mais pobres, os maiores beneficiados pela baixa inflação. Achar que Lula vai aceitar mais inflação em troca de um ponto percentual a mais de crescimento é ilusão. Mas, fazer o quê? É preciso ter assuntos novos para fazer girar a maquininha da informação.

Alon Feuerwerker [Blá, blá, blá (30/10)]

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Lula garante Mantega e combate à inflação Em entrevista a emisssoras de TV, o presidente reeleito encerrou as especulações que fizeram o dólar subir e a Bolsa de Valores despencar: garantiu a manutenção das metas de inflação e avisou que Guido Mantega permanece ministro da Fazenda. Lula negou ainda a volta de José Dirceu ao governo e garantiu que seu governo dará prioridade ao Norte e ao Nordeste.

abcpolitiko

outubro 30, 2006

Happy Halloween

… there's nothing scarier than old, energy wasting light bulbs. We can all take steps to reduce our own energy use, starting with pledging to switch to energy efficient compact fluorescent bulbs.

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How many lightbulbs does it take to change the world? One. And you're looking at it.

For years, compact fluorescent bulbs have promised dramatic energy savings--yet they remain a mere curiosity. That's about to change.

leia em fastcompany.com/magazine

E se tu fosses a diferença?

Barreiras Arquitetônicas

um outro mundo é possível

Gesto raro

Um soldado da 172ª Brigada de Combate Stryker recebe um beijo de um menino iraquiano no posto de controlo do enclave xiita de Bagdad de Sadr City. As tropas americanas e as forças de segurança iraquianas montaram um cordão de segurança em redor de Sadr City depois de, na quarta-feira, um raide aéreo ter tentado neutralizar um líder rebelde procurado por comandar um esquadrão de morte. Foto: Karim Kadim/AP publico.clix.pt

Futuro da Internet em discussão

Fórum promovido pela ONU

Governantes de todo o mundo estão reunidos na Grécia para debater a segurança, abertura, diversidade e acesso à web.

O futuro da web começou hoje a ser discutido em Atenas, na primeira conferência da “Internet Governance Forum” (IGF). Durante os próximos quatro dias, a segurança, a abertura, a diversidade e o acesso à Internet serão os temas em destaque no encontro.

“A possibilidade de comunicarmos mundialmente, via Internet, é definitivamente um dos aspectos mais positivos da globalização”, disse hoje a comissária europeia para as Sociedades de Informação, Viviane Reding, durante o discurso de abertura do evento, que reuniu representantes de governos de todo o mundo. “No entanto – frisou Reding - a Internet só pode continuar a ser uma impulsionadora da democracia e do desenvolvimento económico se a liberdade de expressão e o acesso total à informação forem garantidos”. No seu discurso, a Comissão Europeia convidou também a comunidade internacional a “não tolerar nem limitações públicas ao acesso à web, nem a cyber-repressão”.

O objectivo da conferência é proporcionar uma plataforma de diálogo aberto entre os grandes responsáveis pelo desenvolvimento da era digital, sejam eles governos ou empresas. Criada por iniciativa das Nações Unidas, no seguimento da Cimeira Mundial para a Sociedade de Informação, (que teve lugar em 2005, na Tunísia), a IGF não terá qualquer poder decisório.

Problemas que afectam a maioria dos internautas, como os vírus e os spam, são alguns dos assuntos que fazem parte da agenda do encontro. Já a gestão de domínios da Internet e a limitação dos endereços ao alfabeto latino ficam, para já, fora da IGF. Paula Cosme Pinto

Foto: Alberto Frias expresso.clix.pt

o que o novo governo pode fazer ?

Vida nova, papo velho

Deu Lula de novo, e fim de papo. A investigação do dossiê não tem mais a menor importância. Claro, é preciso apurar e punir etc etc. Mas isso não mexe mais com o futuro do Brasil, e quem quiser questionar o mandato do presidente reeleito é que tem que ser preso por conspiração.

O teatro eleitoral acabou. Agora começa outro (bem mais chato) no mundinho cinzento da política. Daqui para frente, a palavra que você vai ler/ouvir em dez em cada dez notícias sobre os novos tempos é “crescimento”.

Duvide dela. É um mantra que parece abarcar toda a pauta de demandas ao novo governo. Na prática, não quer dizer nada.

A tentativa da oposição de insistir no dossiê para atingir Lula após a eleição liquidada é lamentável. Os meninos aloprados são todos ligados ao presidente. Mas não se achará impressão digital dele. O foro para questioná-lo não era o judicial. Era o político.

O foro político era a eleição. Lula apresentou-se para disputá-la com o escândalo do mensalão nas costas. Todas as principais figuras incriminadas pelo procurador geral na famosa quadrilha dos 40 ladrões – José Dirceu, Delúbio Soares e Luiz Gushiken à frente – eram da cota pessoal do presidente. O mesmo se pode dizer de Lorenzetti, Bargas e companhia, os meninos do dossiê.

As peças que Lula escolheu para governar o país com ele, portanto, caíram de podres. Não seria preciso processo judicial para a opinião pública julgar a total responsabilidade do presidente pelas malfeitorias. Bastaria não votar nele.

Mas o povo votou, e votou em massa.

Recado político claro e definitivo: mensalões e dossiês? Às favas com os escrúpulos de consciência (copyright Jarbas Passarinho, 1968). Que o eleitor não reclame: daqui para frente, se quiser falar de ética, peça licença e fale baixo.

Para usar uma metáfora futebolística, em homenagem ao estilo vencedor no Planalto, agora é bola pra frente.

Enquanto a oposição faz o seu esperneio ridículo em torno do dossiê, a vida real tem que continuar. O problema é que todos os que imaginam estar conectados à vida real, recitando a palavra mágica “crescimento”, se afogam na mais abstrata ficção.

No governo e na oposição, do dia 30 de outubro de 2006 em diante, o debate político será monopolizado pelo tal do crescimento. Tucanos, pefelistas e companhia insistirão na demagogia da queda dos juros (que eles aumentaram), e petistas e companheiros defenderão – e provavelmente praticarão, porque têm a caneta – a exuberância nos gastos públicos como motor do desenvolvimento.

Os alertas feitos aqui não surtem muito efeito, mas por via das dúvidas aí vai mais um: é tudo mentira. Esse papo de crescimento não quer dizer absolutamente nada.

Tanto Lula quanto Alckmin (principalmente), quando prometiam crescimento econômico, estavam vendendo terreno na Lua. O povo pode morrer acreditando que isso se consegue com um ato de governo, daí o teatro eleitoral do tipo “o país cresceu menos no seu governo que no meu”. Dois napoleões de hospício discutindo quem perdeu Waterloo.

O crescimento de verdade, não decorrente de um ou outro surto populista desses comuns na América Latina, é conseqüência de uma multidão de fatores originados na sociedade inteira (e no mundo exterior a ela).

O noticiário costuma reduzir o tema aos chiliques de grupos como a Fiesp, em suas eternas queixas sobre juros e câmbio. São empresários querendo venda fácil e dinheiro barato. Só isso. Se crescimento e recessão dependessem de uma ou outra pirueta do Banco Central, o gráfico do PIB seria como a trajetória de uma pulga com soluço.

Eis a má notícia: a receita para o crescimento é o país melhorar. Nada mais vago. Nada mais concreto.

E o que o novo governo pode fazer por isso? Administrar direito. Infelizmente, é simples assim. Simples demais para caber num slogan de marqueteiro ou num discurso de palanque.

Uma dica: se Lululala iniciar seu segundo reinado jogando todas as fichas na tal da reforma política – a miragem mais reluzente do debate nacional –, o governo não vai fazer nada para ajudar o crescimento. Talvez atrapalhe. Se o presidente der a nova largada anunciando uma reestruturação dos impostos no país (não vale reforma tributária de mentira como a do primeiro mandato), o homem estará mais para trabalhar do que para atrapalhar.

Outra notícia desanimadora: o PIB, mesmo o verdadeiro, não é a panacéia que os políticos brasileiros candidamente cultivam. Desenvolvimento é muito mais do que isso. É evolução cultural, científica, humana e mesmo econômica em setores que sequer são captados pela medição do PIB.

Portanto, quando ouvir esse papo de crescimento, o que o brasileiro tem que fazer é duvidar. E exigir um discurso que não ofenda a sua inteligência.

PS: A julgar pelo discurso da vitória de Lula, o Fla-Flu da eleição continua no novo governo.

O presidente reeleito falou o tempo todo para aqueles que o elegeram (agradeceu ao povo que votou acreditando que ele vai fazer ainda mais).

Caprichou no populismo dedicando sua vitória aos brasileiros que diz ter “incluído” (quando a redução da pobreza vem desde o Plano Real).

E entrou no triunfalismo ao contar vantagem contra o governo anterior e mostrar que não vai descer do palanque.

É cedo para dizer, mas tudo indica que a política brasileira continuará sendo nos próximos anos um disco arranhado.

a “outra” metade do mandato

Foto: © agenciabrasil

Há muitas razões que explicam a vitória de Lula nas eleições deste domingo e muitas serão discutidas nos próximos dias, mas há uma que me parece fundamental: Lula ganhou porque, para a maioria da população, não estava na hora de mandá-lo de volta para casa com apenas quatro anos de mandato.

(...) Quando votaram Lula, seus eleitores fizeram julgamentos objetivos e subjetivos. Olhando para o que foi feito desde 2003, já sabíamos há tempo que a maioria da população fazia uma comparação favorável do governo Lula com seus antecessores.

(...) Acima de tudo para os eleitores que confiaram em Lula, esses “primeiros” quatro anos foram de cumprimento da palavra empenhada, de resgate do que seria seu compromisso fundamental, tão fundamental que não precisava sequer ser enunciado, de fazer um governo que melhorasse as condições de vida dos mais pobres. Isso, para a maioria da população, Lula fez e fez até mais que muitos esperavam.

(...) Mandar Lula de volta para casa, não lhe conceder a “outra” metade do mandato, seria um golpe grande demais para seus eleitores. Fazê-lo seria como que admitir que não existe alternância possível no Brasil - não a mera alternância política, mas a alternância de classe a que nos referimos. Às vezes até fazendo com que, deliberadamente, muitos eleitores preferissem não saber de coisas contra ele, a idéia de alternância esteve presente e foi fundamental na eleição e na reeleição de Lula.

A derrota de Lula seria o abortamento da alternância, a admissão que não há saída fora da elite. Era concordar com a idéia de que um presidente vindo do povo não consegue mesmo ser um bom presidente e que nem sequer o direito de completar seu trabalho lhe deve ser estendido. Com ele, perderiam muitos outros Lulas.

Ainda bem que ganhou.

[Por que Lula foi reeleito]

Artigo de Marcos Coimbra, presidente do Instituto Vox Populi de Pesquisas no Blog do Noblat

outubro 29, 2006

começar de novo

Lula se reelege presidente da República até 2010

foto: Fernando Donasci/Folha Imagem
dedicado ao Tucanato
Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo...
[Composição: Ivan lins]

Vivat respublica!

TSE anuncia oficialmente vitória de Lula

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, proclamou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para o cargo. "Temos 90% dos votos apurados. E os votos que ainda faltam (apurar) não cobrem a diferença entre o primeiro e o segundo (Geraldo Alckmin) colocados, o que implica dizer que o presidente Lula foi reeleito", afirmou Mello, em entrevista coletiva.

correio web

delayed global excuses

A Globo e o Legacy

enviada por Luis Nassif

Recebo o seguinte e-mail:

Os jornalistas da Rede Globo envolvidos diretamente na cobertura do acidente entre o avião da Gol e o Legacy - e colegas que testemunharam nosso trabalho naquela noite no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, e das afiliadas da Globo em Campo Grande, Cuiabá, Belém e Manaus - encaminham este abaixo-assinado e agradecem sua publicação.

Mônica Maria Barbosa

chefe de produção do Jornal Nacional

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a resposta

Fiscais da Justiça Eleitoral apreenderam na Paraiba uma caixa com 65 pacotes de R$ 5 mil, cada, totalizando R$ 325 mil, juntamente com 40 camisas amarelas do PSDB e dezenas de contas de água e luz. O responsável ou dono do material fugiu, livrando-se de suposto flagrante por crime eleitoral.

PF apreende R$ 53 mil em empresa de João Pessoa

O advogado do empresário, Carlos Frederico, negou que o dinheiro seja para a compra de votos, que supostamente favoreceria o candidato à reeleição Cássio Cunha Lima (PSDB). “O dinheiro pertence à empresa, não há material de campanha na sala. O que há são camisas do senador eleito Cícero Lucena (PSDB), de um deputado federal e do senador José Maranhão (candidato do PMDB ao Governo)”, disse, negando que isso possa servir como evidência de crime.

O advogado da coligação “Paraíba de Futuro”, Márcio Acioly, apresentou uma outra versão para o caso. “O dinheiro era para a compra de votos para favorecer o governador Cássio Cunha Lima. Não há dúvidas disso”, ressaltou, mesmo admitindo não haver confirmação oficial para a informação. A Polícia Federal ainda está na sala 103, onde está contando as notas e recolhendo evidências do suposto crime.

Em frente ao prédio, militantes das coligações “Paraíba de Futuro”, de Maranhão, e “Por amor à Paraíba”, de Cássio, trocam acusações sobre a origem e destino do dinheiro. 29/10 ultimosegundo.ig

© Esta charge do Samuca foi feita originalmente para chargeonline

cenário

Notícias econômicas para o presidente eleito

“O vencedor vai pegar uma fase de crescimento mundial moderadamente menor, e custo de capital mais alto. Será, ainda, um cenário externo melhor do que a média histórica, pois o juro real subiu pouco, com alta bem menor que em outra época. A desaceleração do crescimento percebida está mais concentrada na economia americana”.

...

“O Brasil, provavelmente, deverá acelerar sua taxa de crescimento. Até onde irá é difícil dizer. Em nossa história, jamais vivemos um período extenso e continuado, no qual a taxa de crescimento tenha sido, por exemplo, de 5%. De qualquer modo é possível prever um índice positivo maior do que em 2006. Talvez o país alcance 3,7% a 4%, algo nada espetacular, mas ainda viável”.

Marcelo Cypriano, economista sênior da área de Mercado de Capitais do Banco Itaú em Entrevista ao Via Política

camarins do Circo Multimídia

Marmota "Global"

Indeciso? Nem um pouquinho!!!

Lembram do "indeciso" Alan Brito, que questionou o candidato Alckmin sobre o tema transportes? "ALAN BRITO GIRÃO: Boa noite, candidatos, a minha pergunta é sobre transporte. Eu preciso pegar pelo menos três ônibus por dia para poder estudar. Que medidas podem ser tomadas pelos senhores para tornar o transporte público mais acessível para toda a população?" Pois então...esse jovem mora em Fortaleza-CE, tem carro e é membro de uma comunidade no Orkut de nome "Presidente Mula".

GirlSP, obrigada pela colaboração! O oportunistazinho até que não causou nenhum estrago ao debate, mas vale a referencia, para sabermos que o critério que o Ibope usou para a seleção dos "indecisos" que participariam do debate, de duas uma, ou foi parcial ou foi incompetente. Copiado do site www.bbb-nabocadamatilde.blogger.com.br

copiado do Desabafo Brasil
Vale a pena visitar a página e ler alguns recados deixados para o moço! um exemplo: Angela: 'Que vergonha Alan Brito, um estudante envergonhar a classe estudantiu (SIC), participando de uma farsa'.

aguardemos

... Entre a manhã de sexta e a noite de sábado, o blog ouviu quatro pessoas que privam da intimidade do presidente. Revelaram alguns dos nomes que constam da lista de “ministeriáveis”.

... Conheça abaixo alguns dos nomes que podem compor o primeiro escalão do segundo governo Lula:

- Celso Amorim: deve ser mantido no Itamaraty. Pode se livrar do incômodo contraponto representado por Marco Aurélio Garcia. Despachado da assessoria internacional de Lula para a presidência interina do PT, Garcia pode não retornar ao Planalto. Lula pensa em premiá-lo com uma embaixada no exterior, provavelmente a de Paris;

- Ciro Gomes: eleito deputado pelo PSB do Ceará, Ciro é um dos mais influentes conselheiros de Lula. O presidente quer tê-lo de volta na Esplanada. É improvável que volte à pasta do Desenvolvimento Nacional. Pode virar ministro da Saúde. Em privado, ele diz que não quer voltar à Esplanada. Mas Lula acha que, se pedir, Ciro volta;

- Delfim Netto: aproximou-se de Lula em encontros sigilosos que manteve com ele. Começaram a conversar quando Antonio Palocci ainda era ministro da Fazenda. Foram cerca de dez reuniões. Algumas testemunhadas por Palocci. Outras, pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais). Derrotado nas eleições para a Câmara, Delfim pode tornar-se ministro da Agricultura. Entraria na cota do PMDB, partido ao qual se filiou depois de deixar o PP;

- Dilma Rousseff: Lula vai mantê-la na Casa Civil. Está satisfeitíssimo com o desempenho dela. Elogia-lhe a fidelidade, a eficiência e a discrição. O presidente a vê como uma espécie de anti-José Dirceu. É mais eficiente e não traz problemas. É e continuará sendo uma das ministras mais poderosas do governo;

- Fernando Pimentel: Lula cogita aproveitar o prefeito petista de Belo Horizonte no ministério da Economia, no lugar de Guido Mantega. Compara-o a Palocci. É jeitoso no trato político. Com uma vantagem: em vez de médico, é economista. A decisão não está tomada. Lula ainda hesita em destronar Mantega. Se decidir afastá-lo, deve entregar-lhe outro posto, não necessariamente de nível ministerial;

- Jorge Viana: Lula vê o ex-governador petista do Acre como bom executivo. Planeja alojá-lo na pasta do Meio Ambiente, hoje gerida por Marina Silva. Mas Viana pode ir para outra pasta;

- Marta Suplicy: a idéia de Lula é entregar à ex-prefeita o Ministério das Cidades, à qual deseja dar mais visibilidade a partir de 2007. Quer tonificar os investimentos em saneamento e habitação;

- Nelson Jobim: Lula queria que o ex-presidente do STF fosse o seu vice. O PMDB não deixou. Agora, pensa em nomeá-lo ministro da Justiça. Márcio Thomaz Bastos disse a Lula que não quer mais ser ministro. O presidente tentou demovê-lo, mas o Bastos parece irredutível;

- Patrus Ananias: gerente da menina dos olhos de Lula, o Programa Bolsa Família, o petista pode ser preservado na pasta do Desenvolvimento Social;

- Paulo Bernardo: deixou de disputar um mandato de deputado federal pelo PT do Paraná a pedido de Lula. Deve ser mantido no Ministério do Planejamento;

- Sérgio Gabrielli: aliado do governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, o atual presidente da Petrobras é cogitado para duas pastas: Fazenda ou Minas e Energia;

- Tarso Genro: junto com Dilma Rousseff, Genro é hoje um dos mais influentes conselheiros de Lula. Tornou-se seu braço direito na esfera política. É nome certo na nova equipe. Pode ficar onde está (Relações Institucionais) ou ser transferido para o Ministério da Justiça, se a opção Jobim não vingar.

Josias de Souza

o noticiário político

‘sabemos que jornalista pode ser demitido, na imprensa do grande patronato, apenas por falar a verdade’

NÓS, CONTRA O HOMEM DA GLOBO

Antônio Carlos Queiroz e Raimundo Rodrigues Pereira

A história da formidável peleja entre os “nanicos” Antônio Carlos Queiroz e Raimundo Rodrigues Pereira contra Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da Central Globo de Jornalismo, gigante da mídia brasileira. Oficina de Informações

e não deixe de ler

'Os militantes da mentira caem em desgraça'

trecho:

Os "militantes da mentira", na verdade, são como uma praga a infestar a grande imprensa. Praga esta que já compromete, de certo modo, não só a colheita de toda uma geração (de jornalistas, não de camponeses, que fique claro), mas toda a plantação - por assim dizer. E, por mais grave, acaba por devastar/desertificar o próprio solo. Metáforas à parte, o fato é que com tanta mentira, manipulação e desonestidade não há credibilidade que resista. E sem credibilidade não há veículo da imprensa que sobreviva ao tempo e à verdade factual, que com o tempo se impõe.

Mas nem só de militantes da mentira sustenta-se a nossa mídia. Graças, em grande parte, ao número cada vez maior de usuários da internet, a vida inteligente ousa vicejar em outros sítios e campos - remetendo-nos de volta à nossa metáfora inicial de plantações, colheitas e lavouras. Em outras palavras: nem só de grande imprensa sobrevive a mídia. Outros campos verdejam mais além. Outras lavouras não tão arcaicas. Lula Miranda em Fazendo Media

momento inspirado

"A eleição presidencial de hoje - a sétima desde o fim do regime militar, incluídos os segundos turnos - é mais um alicerce sobre o qual se amplia o edifício da democracia brasileira. Apesar de tudo o que há para ser melhorado nessa edificação - a começar da questão pantanosa do financiamento das campanhas, sobretudo no que toca à escolha do chamado supremo mandatário -, não temos do que nos envergonhar diante de nenhum outro país do mundo: a eleição é fiscalizada por um tribunal íntegro e independente, transgressões das regras da propaganda são punidas, o acesso às urnas é universal e desimpedido, as apurações são corretas e os resultados, inquestionáveis. Não é pouca coisa para um país cujo último ciclo ditatorial durou o mesmo tempo que o atual período de pleno funcionamento das instituições democráticas."
Ricardo Noblat [Editorial de O Estado de S.Paulo, hoje]

poderia ser diferente!

México/Bangladesh/Congo/França/Hungria/etc

"Vamos a ver ahora qué dicen"

Fidel envía mensaje al pueblo de Cuba y a los amigos del mundo

Estoy trabajando, me mantengo informado y también participo en muchas de las más importantes decisiones con los compañeros de la dirección del Partido y el Gobierno, afirmó el Comandante en Jefe (Granma)

Con ejemplares del día en la mano de los periódicos Granma y Juventud Rebelde, los de mayor circulación nacional en Cuba, Fidel afirmó que no iba a contar mucho sobre los mecanismos que utilizaba para mantenerse al tanto de las principales tareas, pero que podía asegurar que se reúne y hace un número de llamadas todos los días.

«Vamos a ver ahora qué dicen. Ahora tendrán que resucitarme. Están haciendo el ridículo», afirmó al referirse a las innumerables campañas orquestadas por medios internacionales sobre su salud.

Fidel aseguró que incluso estuvo viendo un reportaje por Venezolana de Televisión que especula sobre que él estaba moribundo, y afirmó que «todo eso son boberías».

«Eso me estimula a trabajar y a luchar más», dijo.

«Sé que los problemas del mundo son muy complicados, muy serios y surgen por todas partes. Y siento la obligación de hacer un especial esfuerzo para evitarle a la humanidad una catástrofe fatal».

Fidel, quien dijo que para evitar más especulaciones sobre su estado de salud pidió a algunos compañeros que fueran a verlo y tomaran fotos así como un pequeño video.

Y concluyó su intervención con un «¡Patria o muerte! juventud rebelde

2º. Turno

Votação decisiva na Rep. Democrática do Congo

Mais de 25 milhões de eleitores são hoje chamados às urnas para escolher o novo presidente da República Democrática do Congo, num escrutínio que, ironicamente – tendo em conta a designação do país –, é o primeiro realizado em condições democráticas desde a independência do país, há mais de 40 anos. A ONU considera-o mesmo o mais importante em África desde as primeiras eleições multirraciais na África do Sul, em 1994.

O ainda presidente Joseph Kabila prometeu respeitar os resultados desta segunda volta eleitoral, na qual enfrenta o antigo líder rebelde Jean-Pierre Bemba. Este afirmou, por seu lado, que não voltará à guerrilha se os eleitores derem a vitória ao adversário. “Estas são as maiores eleições que a ONU já supervisionou e apoiou. É um desafio gigantesco que temos levado a cabo em conjunto com as autoridades locais”, afirmou William Swing, comandante da força multinacional de 17 600 efectivos que assegura o respeito pelo acordo de paz firmado em 2002. O contingente foi reforçado, durante o período eleitoral, por cerca de mil efectivos da União Europeia (EUFOR), na qual está integrada uma força de 30 fuzileiros portugueses. Recorde-se que esta semana se registaram confrontos entre apoiantes dos dois candidatos em Gbadolite, dos quais resultaram quatro mortos.

Foto: Kim Ludbrook/Epa

Violência sectária que marcou primeiro turno pode voltar ao país

correiodamanha/pt

com gás

Bolívia: Governo alcança acordo histórico de nacionalização de recursos energéticos

O Governo de esquerda do presidente Evo Morales concluiu ontem um acordo histórico com um conjunto de empresas estrangeiras que operam no país para a nacionalização dos recursos de gás na Bolívia.

O ministro dos recursos energéticos, Carlos Villegas, afirmou que o acordo foi assinado com todos as empresas que operam no país. O Presidente Evo Morales afirmou que acordo vai permitir ao Estado exercer poder sobre os recursos naturais do país e resolver o problema das injustiças sociais.

O documento vai permitir ao Governo recuperar na origem o controlo do gás aumentando assim os recursos para desenvolver o país.

A partir de agora as empresas estrangeiras que operam na Bolívia passam a remeter toda a sua produção para a empresa pública Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos (YPFB), sendo remuneradas por um valor entre 18 e 50 por cento das quantidades extraídas. A YPFB passa a assumir a comercialização do gás e a definir as quantidades e o preço dos produtos a colocar nos mercados interno e externo.

O acordo foi assinado ontem com a Repsol e a Petrobras que no conjunto exploram a quase totalidade das reservas de gás boliviano. Na sexta-feira, o governo já tinha chegado a acordo com a Total e a Américain Vintage.

A Bolívia dispõe de reservas estimadas em 1.550 mil milhões de metros cúbicos. O presidente Evo Morales estima que as receitas anuais do sector, actualmente em 4.000 milhões de dólares (3.143 milhões de euros), subam 200 milhões de dólares (157 milhões de euros).

Foto: Juan Karita/AP

publico.clix.pt

chegou a hora ...

deste povo bronzeado mostrar seu valor!

outubro 28, 2006

para ler & refletir

Politica e Imigração – o direito de mentir por amor à humanidade?

Há muito que a Europa, o egoísmo ocidental em geral, olha os países de emigração como fontes de matérias-primas, reservas de mão de obra barata e um mercado para colocar tudo o que seja excedentes agrícolas e/ou bens industriais. A «globalização» econónima tem tido um papel fundamental não somente na delapidação das riquezas naturais mas também no «empobrecimento» dos países subdesenvolvidos, nomeadamentente do continente africano

No outro dia via na CNN o Presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, falar sobre os «terroristas» presos em cadeias secretas pelo mundo, agora concentrados em Guantánamo, e das viagens da CIA no espaço aéreo europeu. Fiquei de escrever algo sobre isso. Agora, aqui na Praça de Cybeles, enquanto bebo um chá de amoras, fumo um cigarro e faço tempo para ir ao teatro, escuto dois imigrantes da Guiné Equatorial a lamentar-se da sua «mala suerte de sin papeles» e não posso deixar de pensar nos silêncios cúmplices dos países europeus (africanos também?...) que não denunciarem a violação do seu espaço aéreo para tais fins – que parece que ninguém conhecia ou quer saber – e da hipocrisia da União Europeia perante a imigração.

De repente, ocorre-me a ideia de que poderemos, na prática, estar perante uma repredistinação histórica actualista da «Doutrina de Monroe»... Os poderosos americanos podem violar o que quiserem, até podem pôr em causa a ordem jurídica internacional; os pobres, mesmo para conseguir o pão nosso de cada dia, não! Esses que fiquem lá longe da Europa, pois esses sobreviventes, resilientes do pão, são indesejáveis, a não ser que tenham algo a dar ao velho mundo, que tenham um valor acrescentado de conhecimento...

George Bush diz que a sua decisão de poder vir a sujeitar os terroristas a julgamento não tem nada a ver com política, mas sim com a recente decisão do Supremo Tribunal de Justiça dos EUA. O que o Presidente Bush disse ao mundo, na verdade, é que existem esferas da vida do país da liberdade que não estão sujeitas ao «Rule of Law» e, certamente, deve ter deixado muitos americanos a pensar na sua segurança e na das suas famílias.

É tenebroso pensar que se pode violar os direitos fundamentais das pessoas desde que tal sirva para se chegar a determinados fins; isto é, que as pessoas (tu, eu, nós, os nossos pais, irmãos, filhos, amigos...) podem e devem ser sujeitas à tortura («interrogação alternativa», segundo o léxico do Presidente Bush) desde que sejam «suspeitos» de serem terroristas ou se «suspeite» que tenham «conhecimentos ou informações» sobre terroristas. O fim, ao caso, é a segurança dos cidadãos americanos. Isso legitima o torturar-se ou tratar de forma desumana ou degradante cidadãos – que podem ser de todo inocentes – em violação dos direitos e valores humanos?

Para esta administração americana, encabeçada pelo Presidente Bush, o que interessa é o fim, o objectivo. Se para isso é necessário tratar de forma desumana e à margem do direito uma centena de pessoas, tudo bem; nenhum mal advém ao mundo por isso. É a desumanização da pessoa ao torná-la um meio de conseguir um bem – a segurança.

Mas não é somente o Presidente dos Estados Unidos da América que olha para a pessoa humana como um objecto e não como um ser com direitos, nomeadamente o direito ao Direito (que é negado por George Bush aos que estão em Guantánamo) e à felicidade (negado ao migrante sonhador). A Europa, que tem o recôndito prazer de olhar para os Estados Unidos com algum desdém intelectual e superioridade moral, também sofre desse mal securitário a que o 11 de Setembro veio tão somente dar razão justificativa, nomeadamente na sua relação com a imigração e com os países subdesenvolvidos.

Há muito que a Europa, o egoísmo ocidental em geral, olha os países de emigração como fontes de matérias-primas, reservas de mão de obra barata e um mercado para colocar tudo o que seja excedentes agrícolas e/ou bens industriais. A «globalização» econónima tem tido um papel fundamental não somente na delapidação das riquezas naturais mas também no «empobrecimento» dos países subdesenvolvidos, nomeadamentente do continente africano.

Podem dizer que não é assim, que a Europa dá uma ajuda considerável aos países em desenvolvimento; etc. Mas a verdade é que a «ajuda» que a Europa dá à parte subdesenvolvida do mundo não é nenhum favor; é um dever moral, quer pelos pecados do passado e do presente quer pela dimensão solidária que a actual sociedade internacional demanda. Isso para não dizer que a mesma «ajuda» está aquém do que é necessário e adequado ao desenvolvimento estrutural dos países pobres e que este fim é uma necessidade, também e essencialmente, da própria Europa que deveria ver nisso não uma «ajuda» mas um investimento efectivo.

Dizem os relatórios de praticamente todos os países europeus e da União Europeia que esta precisa de imigrantes e todos dizem que os querem (que a necessidade existe, é tautológico) e que desejam ajudar os países em vias de desenvolvimento a alcançar um nível sustentável de desenvolvimento económico e social. Franco Fratini (Comissário Europeu para a Justiça, Liberdade e Segurança da União Europeia), em artigo que assinou no «El Mundo» de domingo, 10.09.2006, sustenta esta ideia, invocando uma legislação comum da UE no que diz respeito à imigração. A desdita da sua perspectiva é que é, na forma como a apresenta, perturbadoramente securitária.

Mas esta ideia, ainda que estivesse espurgada da lógica securitária, não corresponde à realidade. E não é verdade porque as acções não acompanham o discurso político. Quer porque a maioria das questões sobre imigração estão já reguladas, quer porque, os factos falam por si, as preocupações europeias não são com os países pobres da emigração mas sim com a coesão social europeia e com a segurança que muitos, sem razão sustentada ou sustentável, vêem perigar com a imigração ou a «invasão migrante».

A realidade é que os países subdesenvolvidos, nomeadamente os africanos, são saqueados todos os dias pelas grandes corporações estrangeiras; do petróleo ao ouro, passando pelos diamantes e outras matérias-primas que são depois revendidos aos países de origem a preços proibitivos. Um exemplo acabado desta realidade é facto de a Nigéria e a República Democrática do Congo produzirem petróleo mas terem, ainda há um par de meses, de recorrer ao estrangeiro para comprar fuel para terem as suas indústrias extractivas a funcionar. O mesmo se diga no que diz respeito ao ouro produzido em África; a sua refinação é feita na África do Sul, no Gana ou é comprado em bruto e ao debarato para os mercados europeus e norte-americanos. Ou, v.g., de países africanos com excedente de produção de açúcar importarem este produto da União Europeia porque é mais barato em razão dos subsídios que a União Europeia, no âmbito da Politica Agrícola Comum, concede às exportações e das taxas de importação que constitui uma proibição prática das exportações dos produtos africanos para a Europa comunitária.

Isso para não falar no factor maior de desenvolvimento: o valor humano. Os países europeus preocupam-se com a dita «fuga de cérebros» para o continente americano, mas insistem em que haja uma «fuga de cérebros» no sentido contrário vindo dos países subdesenvolvidos.

Basta ver-se as leis europeias da imigração do últimos anos - desde as Directivas comunitárias à nova proposta de Lei da imigração a ser discutido na Assembleia da República portuguesa, passando pelas preocupações da Europa com a imigração ilegal do norte de África e de que se pretende fazer Cabo Verde, Senegal, Mauritânia, Marrocos e outros países costeiros polícias da Europa e do seu bem-estar.

A verdade é, ainda, bem mais cruel.

Os países ricos e de imigração, além de saquearem e empobrecerem África, esperam que os africanos morram impávidos e serenos; que não saiam em busca de uma vida melhor – se necessário arriscando a vida... O que se diz e o que se faz são realidades substancialmente diversas.

Muitos politicos pensarão – e agem de acordo com este juízo – que mentir é um direito. Que é legítimo mentir ao(s) povo(s); ao caso dirão «omitir» a verdade para o bem da sociedade (como se faz há muito tempo no que à questão da imigração diz respeito). Nos últimos tempos morreram mais imigrantes africanos a tentar entrar na Europa via Espanha que na guerra do Líbano; este facto é omitido. É consabido que o número de imigrantes que morreram a tentar entrar em Espanha por Ceuta e Mellila é trágico e a que se junta os mortos da nova rota da Gran Canárias. Nos últimos anos, depois da entrada em vigor do Tratado de Schegen, o número andará próximo de um milhão de pessoas. Consequência? Da política de fortaleza da União Europeia. Causa? A pobreza estrutural de que os migrantes fogem e sempre fugirão.

As barreiras de betão e arame farpado «contra imigrante» de Ceuta e Mellila, assim como a que se está a construir na fronteira dos Estados Unidos com o México, são os novos muros de Berlim. Monumentos contra a ideia de humanidade, elegias à protecção da riqueza e bem estar da Europa e são tão vergonhosos como a imoralidade degradante de Guantanamo.

É algo que se sabe há muito. É uma vergonha escondida. A verdade do que acontece nas fronteiras da Europa no norte de África – ao caso de Espanha – é uma realidade que nunca foi útil à política europeia; agora, é. A agenda da União Europeia, marcada a) em parte pela pressão britânica de discutir estas matérias numa perspectiva securitária (é uma preocupação crescente do Reino Unido nos últimos anos – depois de 11 de Setembro, do 11 de Março e atentados subsequentes), b) da opinião pública de Espanha alertada por se ver pressionada num dos seus paraísos turísticos e c) Portugal, com medo de vir a sofrer a mesma pressão, mostra ao mundo (principalmente aos países de emigração) uma realidade que não é nova. É o que se chama, em ciência da migração, um factor de não atracção ou retracção migratória.

Alguns políticos, numa leitura enviezada e iliterata de Emmanuel Kant em «Sobre um Pressusposto Direito a Mentir por Amor a Humanidade» [opúsculo em regra publicada como anexo a «A Paz Perpétua»], pensarão mesmo que, mais que um «direito», mentir é também um «dever».

A omissão da realidade aos nativos europeus e aos migrantes africanos era uma realidade. Agora, o que se pretende é vender o «factor de retracção» medo: a) medo do que pode acontecer na aventura da viagem ilegal e b) medo de encontrar na Europa um mundo diferente do sonhado – de terem de enfrentar a Europa das dificuldades e da pobreza.

Dentro de algum tempo não nos admiremos de ser bombardeados com propaganda sobre a Europa e a imigração nas rádios, televisões e demais media africanas a dizer um «cuidado ao imigrar» ou «a vida na União Europeia é difícil» e quejandos... É um caminho errado. É um caminho fácil, cómodo e que pode dar muitos votos nos concertos dos partidos políticos no poder na União Europeia, mas que é censurável sem mais. Os media são, também, sem o saberem, instrumentos dessa politica de retracção da imigração. O caminho seguinte será convencer, como já se faz, os países de emigração a assumir o «dever» de proteger os seus cidadãos, evitando ao máximo a sua saída para o exterior.

Um dever é, na verdade, fazer o que todos sabem há anos: há que resolver o problema migratório nas origens – as razões de retracção migratória só poderão ser travadas com desenvolvimento efectivo, com acções de que não empobreçam os países como tem vindo a contecer; isto é, com um comércio internacional justo e uma ajuda ao desenvolvimento que permita a fixação das populações – factores de não retração.

Mais do que isso; a União Europeia deveria ter um programa de ajuda integrada ao desenvolvimento – eventualmente em coordenação com outros países desenvolvidos. A criação de um Fundo Internacional de Ajuda ao Desenvolvimento dos países pobres e com um programa e objectivos realistas é uma necessidade em face do esgotamento e desfasamento da realidade das ajudas tradicionais.

Trata-se de uma decisão política. Pode ser uma boa ou uma má decisão; pode ser falha ou não, mas a Europa deve olhar o mundo das nações migrantes com outros olhos. A União Europeia, é bom que tenha consciência disso, está numa encruzilhada e a escolha mais sensata é a mais solidária e a mais responsável. Ou globaliza a sua riqueza e o seu bem estar; ou os famintos virão bater às suas portas. Charles de Secondat (Montesquieu, Considerações Sobre as Causas da Grandeza e Decadência dos Romanos, Assírio & Alvim, Lisboa, 2002, p.146) diz-nos que «As faltas que os homens de Estado cometem nem sempre são cometidas de livre alvedrio; vezes sem conta são consequência necessária da situação em que se encontram. E dos transtornos emergem transtornos.»

Não é preciso mentir-se por amor à humanidade – ainda que concorde com a premissa kantiana de que, do ponto de vista moral, às vezes é necessário mentir para salvar a vida de uma pessoa. Mas não é disso que precisam os povos materialmente pobres, o que precisam é de acção de quem pode para poderem trancender essa condição de pobreza estrutural. E, usando as palavras de S. Tiago, «quem sabe o bem e não o faz, comete pecado» (Tiago, IV.17).

E os transtornos, de toda a espécie, chegam sempre que se desrespeita a ordem e se desconsidera o valor humano. E muitos virão no futuro, como um vento tempestuoso, pois uma coisa é certa: é mais fácil travar uma arma do que a vontade de um homem com fome. E os responsáveis da miséria humana e das mortes que a seguem também são os políticos da Europa e dos países materialmente ricos; pois podem e devem, em grande parte, evitá-las.

A catástrofe humanitária que as políticas de imigração de «closed doors» estão a deixar larvar no mundo e que se antevê num futuro muito próximo, é maior do que qualquer perigo terrorista; pois um imigrante com fome é, também, um suicida. E são milhões à espera... Afinal, ninguém merece ou quer ver a família sofrer necessidades extremas?

Já agora, será que temos consciência que já morreram mais pessoas a tentar entrar na Europa ilegalmente que em todos os actos terroristas dos últimos anos?...

Virgiílio Rodrigues Brandão

Foto: Benoit Tessier/Reuters

À cabeça da marcha silenciosa, em homenagem aos adolescentes mortos há um ano, um cartaz onde se lia: 'Mortos para nada' correiomanha.pt