outubro 26, 2006

amazônia

Governo e sociedade buscam atualizar mapa de áreas para conservação na Amazônia

O governo quer fazer uma atualização do Mapa de Áreas Prioritárias para Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade Brasileira. Para isso, representantes do setor acadêmico, de instituições ambientalistas e entidades representativas de comunidades tradicionais, como quilombolas e povos indígenas, estarão em Brasília, de 25 a 27/10, participando do primeiro seminário regional para revisão das áreas e ações prioritárias na Amazônia.

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No encontro, primeiramente, serão discutidas as áreas prioritárias dos estados de Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. Os outros estados da Amazônia serão debatidos no segundo seminário regional, previsto para acontecer em Belém (PA) de 6 a 9 de novembro.

O coordenador do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), do Ministério do Meio Ambiente, Ronaldo Weigand, explicou que o mapa é importante porque orienta o que pode ou não ser desenvolvido em áreas de grande biodiversidade.

“O Mapa de Áreas Prioritárias ajuda bastante o governo a orientar as suas ações de controles nessas regiões”, disse, em entrevista à Agência Brasil. “Uma vez que você sabe onde estão os pedaços de floresta onde tem uma biodiversidade mais importante de ser protegida rapidamente, você pode orientar seu investimento de fiscalização, suas ações de controle, de educação ambiental ou de unidades de conservação”.

“De um lado você avalia a importância biológica da área para ter uma amostra da biodiversidade para o futuro, e de outro, avalia as ameaças que essa área pode estar sofrendo agora”, completou Weigand.

Ainda em novembro, entre os dias 20 e 22, está marcado um seminário nacional para fechar a terceira etapa de consultas e negociações para consolidar os resultados das discussões regionais.

O ministério estuda realizar, a partir do ano que vem, mapeamentos semelhantes para outros biomas do país, e informa que está fazendo levantamentos preliminares para isso. Ivan Richard (Agência Brasil)

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Países amazônicos discutem uso sustentável da biodiversidade local

Os oito países que compõem a bacia Amazônica reúnem-se a partir de 25/10, em Brasília, para debater e coordenar um projeto de preservação da biodiversidade local, chamado de Fortalecimento da Gestão Regional Conjunta para o Aproveitamento Sustentável da Biodiversidade Amazônica.

Essa é a primeira vez que as autoridades ambientais do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela encontram-se para discutir o projeto. O objetivo é fortalecer o planejamento das ações que serão executadas no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que reúne os oito países.

O programa, criado em fevereiro de 2006, deve se estender por três anos e meio, até julho de 2009, com custo de cerca de R$ 5 milhões, dois quais R$ 4 milhões, aproximadamente, virão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Esse projeto vai ajudar a conhecer o que nós temos, ajudar a saber qual é a riqueza compartilhada da bacia Amazônica. Nós estamos muito empolgados com a idéia do que pode sair dessa reunião, que tem técnicos dos oito países”, afirma a secretária-geral da OTCA, Rosalía Arteaga.

Entre as ações prioritárias que serão discutidas, estão o controle das fronteiras para reduzir o tráfico de espécies ameaçadas; a criação de corredores ecológicos transnacionais de preservação; e o estabelecimento de um mecanismo de informação estratégica ambiental. A reunião termina na próxima sexta-feira (27).

A Amazônia ocupa mais de 40% da superfície da América do Sul. São cerca de 7,5 mil quilômetros quadrados de floresta, compartilhados pelos oito países mais o território da Guiana Francesa. A floresta amazônica é considerada a região do planeta com a maior diversidade biológica e a maior extensão contínua de florestas tropicais – cerca de 56% das existentes no mundo. Irene Lobo (Agência Brasil)

imagem: © ‘Riacho da bacia amazônica’ salveamazonia

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A Amazônia não está à venda

Por Celso Amorim, Sérgio Rezende e Marina Silva

O manejo sustentável de florestas é, em todo o mundo, um campo propício à cooperação, por meio do intercâmbio de experiências e do auxílio na capacitação técnica. Estamos abertos a essa cooperação, sempre no estrito respeito às nossas leis e à nossa soberania.

O Brasil participa ativamente dos debates internacionais sobre florestas. No âmbito da Convenção do Clima, apresentaremos, em novembro próximo, na Conferência de Nairóbi, proposta que visa promover incentivos aos esforços nacionais voluntários de redução das taxas de desmatamento. Acreditamos que essa é uma forma adequada de os países desenvolvidos apoiarem a conservação das florestas tropicais.

A proposta é mais uma contribuição do Brasil para o esforço comum de redução global de emissões de gases de efeito estufa. A sociedade brasileira não aceita mais os padrões insustentáveis de desenvolvimento que levaram, em todo o mundo, a perdas ambientais irreparáveis. O Brasil espera que os países industrializados, responsáveis pelo problema, cumpram suas obrigações de redução de emissões.

Aqueles indivíduos bem-intencionados que, com razão, se preocupam com o clima do planeta deveriam dedicar-se a influenciar seus próprios governos no sentido da mudança de padrões insustentáveis de produção e consumo e da utilização de energias renováveis. Nessa área, o Brasil tem muito a oferecer em conhecimento e tecnologia.

Da Amazônia nós estamos cuidando de acordo com modelos de desenvolvimento baseados em princípios de sustentabilidade definidos pela sociedade brasileira. A Amazônia é um patrimônio do povo brasileiro, e não está à venda.

[Fonte: Envolverde - 19/10/2006]

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