outubro 26, 2006

cidadania

Governo anuncia medidas para catadores e moradores de rua

O Palácio do Planalto recebeu (25/10) uma delegação de catadores de materiais recicláveis para uma cerimônia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o financiamento de obras e reformas de infra-estrutura física; de assistência técnica; e capacitação de cooperativados do setor em todo o país.

Na mesma cerimônia, Lula também assinou decreto que institui a coleta seletiva de matérias recicláveis em órgãos federais e instituiu um grupo de trabalho voltado para elaborar políticas públicas para a inclusão social de moradores de rua.

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 5.564 municípios brasileiros, 65% possuem lixões. O sistema de coleta seletiva de resíduos já existe em 327 cidades, sendo que, destas, 43,5% desenvolvem programas em parceria com cooperativas. Dados do Ministério das Cidades apontam que, no Brasil, há cerca de um milhão de catadores.

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O presidente da Associação de Catadores de Material Reciclável (Asmare), Luiz Henrique da Silva, afirmou que a instituição da coleta seletiva de lixo na administração pública é "um marco no reconhecimento da categoria, uma ferramenta poderosa a favor dos catadores".

Segundo Luiz Henrique Silva, os programas que poderão ser dirigidos à categoria "vão mudar a visão dos gestores públicos em relação aos catadores e recicladores de materiais de baixa renda". Ele entregou ao presidente Lula uma escultura feita com material reciclável.

Ao falar sobre a ida ao Palácio do Planalto, o presidente do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável, Sebastião Nicomedes de Oliveira, disse que foi a realização de um sonho que teve um dia, "enquanto dormia ao relento, olhando o céu estrelado”. Para ele, os moradores de rua “já podem sonhar com uma vida com menos perigos e perseguições que sofrem, quando dormem na rua”.

Nicomedes afirmou que poderia ter se tornado “um bêbado ou drogado”, mas que, com o trabalho, isso não ocorreu. De acordo com ele, a discriminação chegou ao fim, "pois o morador de rua já pode sonhar que um dia lhe será possível até ter uma casa própria, porque já está começando o resgate da sua cidadania. O que a classe pobre quer é respeito e ser bem vista em qualquer lugar”, disse ele.

Lula destacou, em seu discurso, o fato de ter sido a primeira vez que um catador de papel visitou o palácio do governo. "O palácio deve ser visitado por reis, presidentes e autoridades, mas também por pessoas de todos os segmentos sociais", afirmou o presidente. Ele disse ainda que "foi a primeira ver que um catador de papel pôde usar da palavra num palácio de governo, e o fez como qualquer intelectual faria".

“O trabalhador, como eles, tem uma atividade tão nobre quanto a de alguém que está num gabinete ou escritório”, afirmou o presidente. De acordo com ele, o papel da sociedade "é compreender a diversidade que existe entre o povo. O país caminha a passos largos para que todos sejam irmãos e iguais; apenas em determinados momentos históricos somos diferentes”.

Agência Brasil

Imagem: ©Abelardo Alves, ‘Clochard’

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