outubro 25, 2006

COBERTURA ELEITORAL

Desvendar a caixa-preta do jornalismo político

Por Liziane Guazina em 24/10/2006

Ao longo desta campanha eleitoral, tem ficado claro para quem acompanha o jornalismo político praticado pela grande mídia brasileira que a missão de cunho iluminista, de "trabalhar em prol do interesse público" e do "esclarecimento dos fatos", está cada vez mais próxima da retórica legitimadora da profissão e longe da realidade prática.

No embate de opiniões que se seguiu à revelação de como um delegado da Polícia Federal vazou CDs com fotos do dinheiro que seria usado para pagar um dossiê anti-José Serra, e combinou com os jornalistas a versão que seria usada para disfarçar a origem do vazamento, os envolvidos apegaram-se ao profissionalismo e ao cumprimento de regras incontestáveis ao exercício da profissão – o sigilo da fonte, garantido pela Constituição, e o interesse público em divulgar as fotos – para justificarem suas decisões.

Quando CartaCapital, em edição histórica, apontou as inconsistências da cobertura feita pela TV Globo, no Jornal Nacional de 29/09/2006, rompeu-se o dique que continha a crítica do jornalismo e da mídia aos sites especializados e aos observadores profissionais ou acadêmicos. Atingido, o editor-executivo Ali Kamel escreveu uma resposta, publicada no Observatório da Imprensa, no jornal O Globo (com chamada na primeira página) e na própria CartaCapital desta semana como matéria paga.

Se fizermos um esforço, veremos que, em retrospectiva, o episódio do vazamento do CD não é isolado, tampouco atípico das relações entre jornalistas e fontes. Todos os que já trabalharam em redação, e aqueles mais atentos às entrelinhas das matérias jornalísticas, percebem, neste caso, algumas das características marcantes do jornalismo político nos últimos anos. Vale a pena analisar as mais explícitas:

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