outubro 31, 2006

estava sumido ...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu do presidente da Líbia, Muammar Kadafi, os parabéns pela reeleição. Os cumprimentos se deram hoje, por meio de telefonema ao Palácio do Planalto acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lula e Kadafi deverão se encontrar pessoalmente nos dias 29 e 30 de novembro, quando deverão se reunir em Abuja, na Nigéria, os líderes da América do Sul e da África. A cúpula foi idealizada por ambos os presidentes durante a visita de Lula a Kadafi em Trípoli, na Líbia, em dezembro de 2003. Naquela ocasião, Lula pretendia convencer Kadafi a participar da cúpula da América do Sul e do Mundo Árabe, que ocorreu em maio de 2005. Kadafi não acedeu, foi uma das grandes ausências do encontro e insistiu na proposta de um evento mais amplo, entre líderes latino-americanos e africanos. No meio-termo, ambos acataram a idéia da Nigéria de realizar uma cúpula da América do Sul e da África. ultimo segundo

Muammar Kadafi tomou o poder com um golpe de estado em 1969, exilando o rei Idris I . Com a descoberta de grandes reservas de petróleo, o país tornou-se importante no cenário internacional.

A tradição islâmica, a personalidade do ditador e o nacionalismo extremado formaram a nova ideologia do Estado líbio. Após a expulsão dos estrangeiros e desapropriação de seus bens, a Líbia de Kadafi patrocinou atos terroristas em várias partes do mundo, tanto que, nos anos oitenta, foi submetida a sanções internacionais. Atualmente, a situação está se normalizando. Em 1998, Kadafi sobreviveu a um atentado planejado pelo grupo extremista líbio do Movimento dos Mártires Islâmicos.

Leitura interessante: Os sonhos de Kadafi

memória

A queda-de-braço entre a Líbia, detentora de enormes reservas de petróleo, e o Ocidente que, após o atentado de Lockerbie, em dezembro de 1988, com um saldo de 270 mortos, terminou meses atrás dando fim às sanções econômicas americanas, que provocaram enormes sacrifícios ao povo, mas não conseguiram dobrar o ditador Muammar Kadafi. O petróleo era uma reserva não somente para a Líbia sobreviver durante o embargo, mas financiou também um expansionismo islâmico em muitos países africanos.

Com a abertura econômica, houve uma retomada diplomática com outros países, entre os quais o Vaticano, aliviando as restrições que caíam sobre a Igreja católica.

A Líbia, até o advento de Muammar Kadafi, tinha sido ocupada pela Itália e, após a guerra 1940/45, retornou ao poder do legítimo rei Idris. Havia liberdade de praticar todas as religiões, seja o islã como o cristianismo. Quando, aos 27 anos, Kadafi, com um golpe militar, apoderou-se do governo, iniciando uma ditadura, embora acérrimo inimigo do Ocidente e devoto fiel do islã, não permitiu que o fundamentalismo islâmico, que já devastava os países vizinhos como a Argélia e o Egito, entrasse na Líbia.

Contra os fundamentalistas, Kadafi conduziu uma luta dura e cruenta. Aprisionou, perseguiu e fez desaparecer muitos fundamentalistas, redimensionou o poder dos Ulemas, os mestres do Alcorão que tentavam agregar ao seu redor as forças radicais do islã. Atacou rebeldes fundamentalistas aninhados na Cirenáica. Apesar dos anos de repressão, o movimento islâmico está se reforçando.

Estão arrebanhando, em grupos clandestinos, muitos jovens universitários e já existem mesquitas em poder desses fundamentalistas que são fonte de agitação. Até hoje, o exército mantém a neutralidade, mas não é de se descartar que possa se juntar aos fundamentalistas numa linha anti-Kadafi.

Hélio Pedroso

[Revista "MUNDO e MISSÃO" - Líbia: o degelo de um país: pag. n.º 14 a 15 - n.º 82 - mês de Maio - ano 2004]

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