novembro 01, 2006

impressões sobre a imprensa

Função social da prensa...

Entre blogs voltados para a cobertura política e/ou mídia, ignoraram as agressões de que foram vítimas os repórteres da Veja: Observatório da Imprensa, Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Franklin Martins, Tereza Cruvinel, Ilimar Franco, Jorge Bastos Moreno e Paulo Moreira Leite. Reinaldo Azevedo (01/11)

Globo responde e explica críticas feitas no OI na TV

"Em relação ao Observatório da Imprensa da semana passada, a TV Globo repudia com veemência as afirmações de Caio Túlio Costa, presidente da Brasil Telecom Internet, Luis Nassif, diretor da Agência Dinheiro Vivo, e Venício de Lima, professor da UnB, com insinuações segundo as quais o Jornal Nacional do dia 29 de setembro deixou de publicar o acidente da Gol propositadamente para que o destaque do noticiário se concentrasse apenas nas fotos do dinheiro apreendido com petistas pela Polícia Federal. ultimosegundo.ig

Os escritos n'O Globo

Foragido de uma peça de Moliére, Tartufo, o jornalista Ali Kamel, diretor de jornalismo da TV Globo, escreve hoje (31/10) na página de Opinião do diário do grupo um artigo em que transparece a resposta à última edição de CartaCapital. Na revista, um editorial que começa por dizer que “milagre não houve, Lula ganhou”, enquanto o título da reportagem de capa afirma que “o povo não crê em bruxas”. Kamel assim intitula seu texto: “Nem Milagres, Nem Bruxarias”. Ao cabo, ministra uma lição de sabedoria. Mesmo os leitores que viveram com paixão a refrega eleitoral, “e onde há fatos viram conspiração; onde há notícias viram distorção; onde há isenção viram parcialidade”, se habilitam agora a entender “que a distorção não estava nos veículos, mas nos próprios olhos”. Iniciemos, portanto, uma procissão na rota do oculista. Claro que Kamel não se refere aos leitores que repudiaram o abaixo-assinado promovido pela Globo entre seus funcionários para responder às denúncias de CartaCapital, larguíssima maioria registrada pelo Observatório da Imprensa. Mas não é fato, definitivamente provado, que o Jornal Nacional adiou a notícia do acidente do avião da Gol para escancarar no vídeo a imagem do dinheiro do dossiê? E não é fato, reconhecido pelo próprio repórter, que o delegado Bruno teve um encontro privilegiado com César Tralli para lhe entregar uma cópia exclusiva? E por aí afora. Assim como, só para rememorar o passado, não é fato que a Globo implorou o golpe de Estado em 1964, para sustar a subversão em marcha, e que ainda estamos no aguardo da própria 42 anos depois? mino

Inaceitável

A revista Veja relata em seu site o constrangimento por que passaram três de seus jornalistas que foram depor hoje na Polícia Federal na condição de testemunhas. A PF nega as acusações. A descrição dos fatos publicada no site da Veja mostra um cenário de pressão e intimidação. Coisa inaceitável, no tratamento de jornalistas ou quaisquer outros cidadãos. Mas a minha dúvida é anterior. Por que um jornalista deve ser obrigado a ir à polícia prestar esclarecimentos sobre circunstâncias em que produziu ou editou uma reportagem? Está tudo errado. Se a polícia estiver interessada no conteúdo da reportagem, que a leia. Se estiver interessada em fontes eventualmente omitidas, a Constituição garante ao jornalista o direito de mantê-las em segredo. O endeusamento acrítico da atividade policial leva a coisas assim. A polícia não está acima das leis e do Estado de Direito. Aliás, ninguém está acima das leis e do Estado de Direito. Alon Feuerwerker (31/10) O Blog do Alon

Veja na PF - Imprensa não pode continuar acima da lei

# Jornais de hoje trazem defesa da liberdade de imprensa, mas não questionam qualidade jornalística de reportagem que gerou depoimento à Polícia Federal

# Impressão de que o Brasil está à beira do autoritarismo é falsa – protestos defendem as empresas, não os jornalistas

# Democracia do Brasil necessita de um código de conduta e de uma comissão auto-regulamentadora para defender o cidadão dos erros e abusos cometidos pela imprensa

Todos os jornais de hoje reagem ao depoimento de jornalistas da revista Veja na PF, como se os maiores órgãos de informação do país tivessem atuado com a isenção desejada durante a campanha eleitoral. Nenhum se rende às evidências da parcialidade da mídia, constatada quantitativa e qualitativamente pelo Observatório Brasileiro de Mídia. Rapidamente, passam de inquisidores a vítimas, rendendo-se ao corporativismo, sem um senão sequer à qualidade jornalística da reportagem da revista sobre a suposta ‘operação abafa’ dentro da PF para afastar o ex-assessor de Segurança da Presidência da República, Freud Godoy, das investigações sobre a compra do dossiê falso que conteria informações contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra.

Vários articulistas imprimem, hoje, a sensação de que o Brasil vive à beira do autoritarismo, e que a Polícia Federal tornou-se o braço repressor desse regime no constrangimento, na coação e nas ameaças a três dos seis jornalistas da revista que participaram da elaboração e edição da reportagem. Nada mais falso e precipitado. Todos concluem, sem a necessária autocrítica e reconhecimento às evidências de tentativa de influenciar no resultado das eleições presidenciais, foi detectada e denunciada por vários jornalistas que reconheceram – e tiveram coragem de denunciar – os desvios de conduta da imprensa e suas empresas. Os textos colocam o Brasil sob o risco de nova ditadura, recorrem a exemplos de intimidação à imprensa ocorridos no passado, acusam o governo de querer limitar a liberdade de expressão, mas nenhum – nenhum – reconhece os exageros cometidos nos últimos meses.

Luís Nassif, Mino Carta, Raimundo Pereira, Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Ricardo Boechat e Marcelo Beraba são alguns dos que tiveram a honestidade que falta aos articulistas dos jornais de hoje, e denunciaram as irregularidades. Por certo, nenhum desses profissionais mencionados assinaria uma reportagem baseada no testemunho da conversa de uma pessoa ao telefone com uma terceira pessoa, como é o caso da reportagem sob inquérito. Muito menos usar esse testemunho para a construção de um ambiente de ilegalidade que pôs a instituição policial sob suspeita, anulando todo o trabalho apresentado pela Polícia Federal nos últimos anos.

Todas as profissões, cujo exercício trazem riscos de prejuízo aos cidadãos e à sociedade, são exercidas sob rigorosos códigos de ética e conduta – menos os jornalistas. Todas prevêem sanções em casos de comportamento antiético, imoral ou ilegal – menos os jornalistas. Todas são exercidas por pessoas físicas claramente identificadas pelos números de sua ordem ou conselho regional – menos os jornalistas. Essas exceções produzem outra deformação. Quando se exige o cumprimento do preceito constitucional do respeito à liberdade de imprensa, não se defende a liberdade do cidadão jornalista, mas sim dos grupos econômicos que controlam a indústria de mídia no Brasil.

É mais do que urgente que os jornalistas se dêem conta de que a adoção de um código de conduta para o exercício da profissão não pretende cerceá-los, mas garantir sua liberdade de expressão dentro de um conjunto de cuidados e obrigações que são comuns em outras profissões. Esse blog tem se manifestado continuamente sobre essa necessidade, e tem procurado apresentar garantias à liberdade de imprensa proporcionadas pela auto-regulamentação. Países mais e menos desenvolvidos do que o Brasil adotaram, com sucesso e sem ameaças à democracia, comissões e códigos de conduta que supervisionam a auto-regulamentação que protege todos os cidadãos, inclusive os jornalistas.

Está mais do que propícia a ocasião para que o governo apresente uma proposta ao Congresso contendo normas e sanções aplicáveis, dentro de um modelo de auto-regulamentação semelhante ao do Conar, que visa impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas. Essa iniciativa não pode incorrer novamente no erro de permitir que qualquer interesse sindical ou corporativo contamine uma proposta que, acima de tudo, busca proteger o cidadão comum dos erros, abusos e manipulações possíveis com o manejo da informação.

A imprensa do Brasil não pode continuar acima da lei. Alceu Nader (01/11) blog.contrapauta

O leitor patrulheiro assusta editores

A julgar pelo número de comentários e pelas polêmicas surgidas em weblogs e páginas jornalísticas na Web, os eleitores de classe média nas principais cidades brasileiras já elegeram a internet como o arena política preferencial.

A campanha para o segundo turno das eleições presidenciais revelou também um outro fenômeno capaz de provocar antagonismos sérios e polêmicas não menos apaixonadas. Trata-se do patrulhamento de jornalistas e formadores de opinião por cidadãos com acesso á internet.

A Web oferece a um número cada vez maior de pessoas a possibilidade de expressar seus pontos de vista, ressentimentos e conhecimentos para audiências que também não param de crescer.

Como acontece noutros países, especialmente nos Estados Unidos, a grande maioria dos novos protagonistas da arena política dedica uma atenção especial à cobranças de todos os tipos aos jornalistas que detém espaços informativos, tanto na imprensa escrita como na online.

O patrulhamento rompe, pela primeira vez na história da imprensa, com a tradicional unidirecionalidade do fluxo informativo. Até agora, quase toda a informação fluia dos tomadores de decisões e formadores de opinião, através dos jornalistas, até o público, cujo poder de retroalimentar o circuito informativo era muito limitado.

O rompimento ocorre em circunstâncias traumáticas, especialmente para os jornalistas, que passam a se sentir encurralados e hostilizados por uma massa de leitores que estraçalha reportagens e comentários com um ímpeto também inédito na história do jornalismo brasileiro.

Quem lê os comentários postados em weblogs e páginas políticas online percebe rapidamente que a esmagadora maioria dos comentários revela uma atitude ácida em relação à imprensa. A argumentação quase sempre responde ao impulso e à paixão, o que provoca ressentimentos dos patrulhados.

Esta mesma sensação foi experimentada por jornalistas norte-americanos de todos os matizes na campanha eleitoral de 2004, como mostram dois textos (Watchblogs, a nova patrulha da imprensa e A vitória dos "jornalistas de pijamas" ) que escrevi, na época, aqui no Observatório.

É compreensivel a reação dos profissionais, mas a melhor alternativa para evitar a intensificação do patrulhamento e a vilanização da imprensa é procurar entender a natureza do processo em curso, onde a ascensão do leitor como protagonista informativo é irreversível.

O leitor trás para os comentários que posta em blogs a páginas web uma enorme carga de frustrações e ressentimentos acumulados ao longo de anos de impotência informativa criada por uma imprensa unidirecional. É inevitável que a catarse seja ampliada, também, pela falta de experiência prévia no diálogo público num veículo novo como a internet, onde as regras de convivência social ainda estão sendo desenvolvidas.

Os períodos pré-eleitorais e as crises políticas oferecem um terreno muito fértil para o maniqueismo e passionalismo políticos. A imprensa inevitavelmente acaba envolvida neste clima e pelo que se pode ver na campanha do segundo turno, não conseguiu imunizar-se contra os mesmos processos que ela criticou nos eleitores.

É fácil prever que nos próximos anos a arena informativa virtual continuará marcada por aquilo que muitos classificam como ambiente caótico. O comportamento dos internautas mais experientes tende a assimilar as novas realidades do diálogo político online, mas ao mesmo tempo novas levas de neófitos estarão ingressando na arena cibernética mantendo a sensação de caos, desordem e anarquia.

Portanto não resta aos jornalistas outra alternativa senão procurar assimilar a nova situação. A mudança de atitudes dos consumidores de informação é irreversível porque está sendo impulsionada por inovações tecnológicas igualmente irrevogáveis. Assim resistir à mudança é quase um sinônimo de suicídio. Carlos Castilho (30/10) observatório

imagem: © desabafobrasil.blogspot

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