novembro 02, 2006

Solidariedade a Emir Sader

Caros Amigos,

Estamos vivendo mais um daqueles acontecimentos absurdos (e normais) da vida brasileira: o professor Emir Sader é condenado pela justiça por denunciar o racismo desprezível do presidente do PFL, Jorge Bornhausen. Um juiz de São Paulo condenou-o a perder sua cátedra na USP e a prestar um ano de serviços comunitários. O que vemos não é muito diferente das declarações do presidente do TSE, Marco Aurélio de Melo, ecoando os impulsos golpistas da OAB, da midia, e dos apoiadores de Alckmin. Só que agora, como um alvo para exercer ainda uma ultima violência eleitoral, atingiu-se uma figura pública conhecida por seu compromisso com a democracia. Através dele, o que querem as forças conservadores, é mandar um recado intimidador a todo o pensamento crítico brasileiro. Temos que repudiar com veemência este ato vingativo assinando o manifesto escrito por Antonio Candido.

Bajonas Brito Jr

Filosofia-UFES

Assinem o manifesto de apoio: http://www.petitiononline.com/emir2006/petition.html

Manifesto em solidariedade a Emir Sader

A sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos agredidos em réu. O senador moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação em virtude de artigo publicado no site Carta Maior , no qual Emir Sader reagiu às declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça que deve ficar extinta por 30 anos". Na sua sentença, o juiz condena o sociólogo "à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução". O juiz ainda determina: “(...) considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado”. Numa total inversão de valores, o que se quer com uma condenação como essa é impedir o direito de livre-expressão, numa ação que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É também uma ameaça à autonomia universitária que assegura que essa instituição é um espaço público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e a perda do emprego conquistado por concurso público, é um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças. Nós, abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.
Os que desejarem assinar, favor enviar e-mail para solidariedadeaemirsader@hotmail.com

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