janeiro 29, 2007

PAC

e boa sorte!

my favourite game

Visite: The Virtual Pac-Man Museum

Be wise, O my Sorrow, be calmer.*

O mal-estar da civilização, agora no corpo

Uma das marcas da pós-modernidade tem sido uma progressiva troca entre o desenvolvimento da interioridade e da subjetividade, que tanto caracterizaram a modernidade, pela valorização do exterior: a performance e o corpo carregam e dizem mais sobre as pessoas do que suas idéias e sentimentos. Decorre daí a ampla procura por cirurgias plásticas, próteses, botox e também o culto ao corpo malhado, sarado, escultural.

Mas há mais um fenômeno que só me chamou atenção recentemente por causa do tal acidente de trânsito que me provocou a síndrome do chicote: RPG, fisiatria, osteopatia, rolfing, shiatsu, fisioterapia, terapia corporal, body talk, tuiná, massoterapia, pilates, gyrotonics, vale tudo para colocar a coluna vertebral no lugar e curar as dores físicas de viver.

De repente, quando olhei em volta, percebi que havia um excesso de oferta de tramentos para o corpo, como se todos nós estivéssemos doentes não mais da alma, mas das vértebras. Lembrei que, pela primeira vez na história da civilização, o número de trabalhadores intelectuais supera o de operários braçais. Há muito mais gente diante de um computador do que carregando uma enxada. Logo, a demanda por uma postura correta aumentou proporcionalmente.

Só que não pode ser só isso. Estaríamos todos acometidos por crises de tendinite? Claro que não. Estaríamos, então, depositando no corpo o mal-estar da pós-modernidade, sofrendo de dores físicas como os românticos sofriam de dores na alma, sentindo nas vértebras da coluna os problemas que não teríamos a coragem de enfrentar no espírito? Estaria o RPG substituindo o divã? Afinal, ambos exigem que o paciente se deite… Só que parece muito mais fácil para a nossa cultura queixar-se de dor nas costas do que de vazio na alma.

Carla Rodrigues

*Charles Baudelaire - Meditation

janeiro 24, 2007

A estrada e o violeiro *

Sou violeiro caminhando só, por uma estrada caminhando só

Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só

Parece um cordão sem ponta, pelo chão desenrolado

Rasgando tudo que encontra, a terra de lado a lado

Estrada de Sul a Norte, eu que passo, penso e peço

Notícias de toda sorte, de dias que eu não alcanço

De noites que eu desconheço, de amor, de vida e de morte

Eu que já corri o mundo cavalgando a terra nua

Tenho o peito mais profundo e a visão maior que a sua

Muitas coisas tenho visto nos lugares onde eu passo

Mas cantando agora insisto neste aviso que ora faço

Não existe um só compasso pra contar o que eu assisto

Trago comigo uma viola só, para dizer uma palavra só

Para cantar o meu caminho só, porque sozinho vou à pé e pó

Guarde sempre na lembrança que esta estrada não é sua

Sua vista pouco alcança, mas a terra continua

Segue em frente, violeiro, que eu lhe dou a garantia

De que alguém passou primeiro na procura da alegria

Pois quem anda noite e dia sempre encontra um companheiro

Minha estrada, meu caminho, me responda de repente

Se eu aqui não vou sozinho, quem vai lá na minha frente?

Tanta gente, tão ligeira, que eu até perdi a conta

Mas lhe afirmo, violeiro, fora a dor que a dor não conta

Fora a morte quando encontra, vai na frente um povo inteiro

Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só

Se meu destino é ter um rumo só, choro em meu pranto é pau, é pedra, é pó

Se esse rumo assim foi feito, sem aprumo e sem destino

Saio fora desse leito, desafio e desafino

Mudo a sorte do meu canto, mudo o Norte dessa estrada

Em meu povo não há santo, não há força, não há forte

Não há morte, não há nada que me faça sofrer tanto

Vai, violeiro, me leva pra outro lugar

Eu também quero um dia poder levar

Toda gente que virá

Caminhando, procurando

Na certeza de encontrar

* A estrada e o violeiro, de Sidney Miller

Clique para ouvir em RealPlayer com Nara Leão e Sidney Miller

meu voto é para Aldo!

lembranças

Quem quer cantar

Ouve meu canto e vai se arrepiar

Quem que sofre

Ouve meu canto e vai se arrepender

Tenho muitas razões pra ser assim

Tenho mil corações em mim

Se a saudade se queixa, não deixa

Não deixa, não deixa sentir

'Pronta pra consumo' de Sidney Miller e Guarabyra

Foto Wikipedia: Canário da Terra

(Sicalis flaveola brasiliense)

janeiro 21, 2007

até quando?

Niña de 2 años muere de hambre en Bogotá

La menor falleció por deshidratación y desnutrición crónica. Ella y sus padres eran desplazados por la violencia procedentes del sur de Colombia, desde el Putumayo.

Las estadísticas del Programa Mundial de Alimentos de las Naciones Unidas sostienen que doce de cada cien niños colombianos menores de cinco años sufren de desnutrición crónica.

Un problema que está más asociado a la pobreza que a la falta real de alimentos.

Aún así, habrá más impuestos para la guerra, según Uribe.

carloscuentero.blogspot.com

... sin más palabras

Uno de estos presidentes no es como los otros...

Foto: AFP

El desván

“el destino de Africa es el de todos”

Nairobi - Foro Social Mundial: el despertar africano

janeiro 15, 2007

MULHERES NA POLÍTICA

Angela, Ségolene, Hillary, Michelle. O jornal britânico escreve que a política está a feminizar-se e sustenta que os eleitores pedem. Outros, como a politóloga Edurne Iriarte, não crêem que as mulheres exerçam o poder de forma muito diferente da dos homens. E as eleitoras, votarão de acordo com a solidariedade feminina? Esta é uma das questões que surgem num momento em que as líderes emergem por todo o mundo

Várias teorias defendem que as mulheres governam melhor do que os homens. Falta confirmar. A análise da catedrática espanhola Edurne Uriarte*.

O mito da boa dirigente

As prioridades e os valores delas são diferentes das dos homens? Exercem o poder de maneiras distintas? Começo por abrir jogo respondendo com um «não» céptico. Mas ficarei radiante por mudar de opinião, se os dados de que dispusermos nos próximos anos vierem a confirmar aquilo que, de momento, não é mais do que uma hipótese e um desejo, ou seja, que as mulheres não governam da mesma forma que os homens.

Pela primeira vez na História, estamos em condições de responder a estas questões. As barreiras aparentemente intransponíveis que impedem as mulheres de aceder às mais altas funções políticas caem à mesma impressionante velocidade do muro de Berlim. Era uma revolução anunciada, mas o processo não deixa por isso de ser impressionante.

Várias mulheres chegaram em simultâneo ao cume do Estado, nos quatro cantos do mundo: AngelaMerkel na Alemanha, Ellen Johnson-Sirleaf na Libéria, Michelle Bachelet no Chile e, em reeleição, Tarja Halonen na Finlândia. É verdade que as mulheres já tinham evoluído dentro dos órgãos legislativos. Mas a sua presença nos parlamentos não bastava para levantar as dúvidas sobre as suas possibilidades de ascensão, porque o legislativo tem menos poder do que o executivo e a sua composição é muito mais determinada pelas quotas.

Em compensação, nenhum partido se deixa guiar por quotas quando chega a hora de apresentar um candidato à chefia do Governo ou do país: a esse nível, trata-se de competição pelo poder em estado puro, um corpo-a-corpo sem outras armas senão a capacidade de cada um congregar eleitores. Esse corpo-a-corpomostrou definitivamente que ser candidata já não é limitativo aos olhos dos eleitores. Os exemplos citados mostram, com efeito, que a situação está a mudar.

O sistema eleitoral chileno, onde homens e mulheres colocam os boletins de voto em urnas distintas, permitiu constatar que os dois sexos apoiaram Michelle Bachelet em proporções muito idênticas. A sua condição de mulher não teve qualquer incidência: não lhe deu votos suplementares entre o eleitorado feminino e, sobretudo, não lhe retirou eleitorado masculino. E havia quem dissesse que o Chile era um país machista… Permanece, contudo, a questão: as mulheres irão mudar o mundo? Sabemos agora que a paridade no poder é apenas uma questão de tempo, mas ignoramos se as mulheres irão transformar esse poder. A maioria das teorias garante que elas têm valores e objectivos diferentes, que o seu estilo de liderança também é diferente e que esses valores e esse estilo são melhores e mais desejáveis.

O mito da boa dirigente alimenta- se da ideia de que as mulheres privilegiam a integração, a igualdade e a interacção, que incentivam a participação, que partilham o poder e a informação e que concedem maior importância à vertente relacional. E, ainda, que se baseiam mais no poder pessoal do que formal, isto é, no poder que não depende da posição ocupada mas da capacidade para instaurar a confiança, o respeito mútuo e a credibilidade.

Não é magnífico?, diremos forçosamente, ao ler o que ficou dito e que resume fielmente vários estudos sobre liderança feminina. Posto isto, nós, as mulheres, reunimos todas as qualidades para ser o chefe ideal, o presidente perfeito, o poder justo e generoso, em suma, tudo o que esses homens agressivos e ambiciosos não foram capazes de ser. E não são apenas mulheres ou feministas que o afirmam. Alguns homens também estão convencidos disso.

Há alguns anos, Francis Fukuyama afirmava que um mundo gerido por mulheres seria regido por regras diferentes e que, quando elas assumissem o poder, ele se tornaria menos agressivo, menos arriscado, menos competitivo e menos violento. E não é o único a pensar assim. Um dos mais brilhantes analistas políticos ac actuais, cronista da revista «Newsweek», Fareed Zakaria, escrevia há pouco que a chegada das mulheres ia transformar o poder político. Contudo, nenhuma prova empírica digna desse nome conseguiu confirmar o que é, acima de tudo, um desejo das mulheres e, talvez, um mito do feminismo. O mesmo Zakaria tem a ingenuidade de qualificar como excepções três das primeiras e maiores dirigentes do séc. XX: Margaret Thatcher, Golda Meir e Indira Gandhi.

Há também quem fale de excepção quando se fala de Condoleezza Rice. E, no entanto, essas mulheres constituem uma boa parte da experiência real de que dispomos até à data. Tenderiam a provar que não existe um comportamento tipicamente feminino nos lugares cimeiros do poder e que a ideologia e o contexto políticos do país determinam as decisões, muito mais do que o sexo.

Outro problema é que todas estas teorias se baseiam fundamentalmente na opinião que as mulheres fazem de si mesmas. Há alguns anos, efectuei uma sondagem junto dos deputados espanhóis, em que perguntava se notavam diferenças na forma de exercer o poder de homens e mulheres. As mulheres achavam imensas e todas a seu favor. Os homens muito poucas e não a favor das mulheres.

Coloca-se ainda uma terceira questão: boa parte das teorias sobre as vantagens da liderança feminina provém da esquerda e mistura os ideais de esquerda com os do feminismo, o que falsifica a ideia que temos do poder no feminino. Isso explica, por exemplo, que se considere sistematicamente Margaret Thatcher como uma excepção.

Além disso — uma quarta questão—, essas teorias repousam numa representação cultural da mulher como um ser pouco agressivo, pouco ambicioso e pouco propenso à competição.

Mas essa representação é tirada da experiência de mulheres que não lutaram pelo poder, não das de hoje.

Por último e mais importante, uma quinta questão que permite pôr em dúvida, pelo menos até ver, a tese da boa liderança feminina. Falta ainda analisar os únicos dados conclusivos, os da experiência das mulheres que finalmente alcançaram, nos nossos dias, o cume do poder. Sem preconceitos e sem mitos. Presumo que o mundo das presidentes será tão competitivo e agressivo como o dos seus homólogos masculinos e que, em circunstâncias idênticas, lançarão a mesma quantidade de mísseis e declararão as mesmas guerras. Porque agora têm de gerir o mundo, não a casa, o que são duas coisas completamente diferentes.

*Professora de Ciências Políticas na Universidade

«El País», Madrid

© courrierinternacional.clix.pt

janeiro 14, 2007

Mon Dieu!

A corrida presidencial vai aquecer a partir de hoje, dia em que fica oficializada a candidatura da direita ao Palácio do Eliseu.

A União por um Movimento Popular (UMP), maior partido conservador francês, vai desembolsar mais de três milhões de euros para transformar numa festa gigantesca o congresso que hoje vai consagrar Nicolas Sarkozy como candidato oficial do partido às presidenciais de Abril.

O ministro francês do Interior, Nicolas Sarkozy, é o único candidato às eleições primárias da UMP, que ontem arrancaram e se irão prolongar por dez dias. Face à ausência de adversários internos, Sarkozy tem presença garantida nas eleições presidenciais de Abril, onde enfrentará a candidata socialista Ségolène Royal.

Considerado um dos políticos mais populares de sempre em França, Sarkozy nunca escondeu o desejo de ser presidente da república. Já quando era jovem confessava que a sua maior ambição era mudar-se para o Eliseu e foi nesse sentido que orientou toda a carreira política.

Controverso e populista, é adepto da ‘mão dura’ no combate ao crime e à imigração ilegal, políticas que deram frutos na primeira vez que esteve à frente do Ministério do Interior, em 2002. Chirac ainda tentou ‘queimá-lo’ na Economia, mas Sarkozy conseguiu dar a volta por cima e reforçar ainda mais a sua popularidade. De regresso ao Interior em 2005, continuou a ser presença constante nos jornais e televisões, assumindo-se cada vez mais como ‘presidenciável’.

© correiomanha.pt

leia também El fracaso de Sarkozy, por Sami Naïr

até quando?

Contra a pobreza

Um menino filipino empunha uma panela vazia, sem cozinhados nem migalhas, numa acção de protesto de jovens e crianças pobres em Manila. Esta manhã, jovens demonstraram que, apesar do crescimento económico no país, a maioria dos filipinos continua a viver em plena pobreza. 14-01-2007 Foto: Melyn R. Acosta

© publico.clix.pt

Cabra macho!

Chávez confirma nacionalização das empresas elétricas e petroleiras

O presidente venezuelano Hugo Chávez confirmou neste sábado (13/1) sua intenção de nacionalizar em 2007 todas as empresas elétricas e as Associações Estratégicas que operam na Faixa do Orinoco (sudeste), sendo que, neste último caso, seu governo buscará mecanismos que lhe garantam a maioria acionárias nos negócios com as multinacionais.

"As empresas que quiserem permanecer como sócio da Venezuela, têm aberta essa possibilidade, mas quem não quiser ficar como sócio minoritário, entregue o campo e good-bye", enfatizou.

© vermelho.org.br

mínimas

Rombo estadual

Doze dias depois do fim do longo mandato de Alkcmin/Lembo, o choque de gestão tucano em São Paulo revela-se em forma de cratera. Vitrine da campanha presidencial do PSDB, a obra do metrô teve o seu quarto desabamento grave. Detesto usar metáfora, essa figura que sofre abusos e massacres do síndico do meu prédio ao presidente da República, mas esse buraco é imperdível como imagem e semelhança da situação em que Serra herdou a máquina. “E dito isto”, como diziam os editoriais do Estadão, “acreditamos ter dito tudo”. Xico Sá

Um desastre lava o outro

Do jeito que os governadores do Sudeste estão se dando bem, a lama química de MG que chegou ao RJ pode ser desviada para cratera em SP. Tutty Vasques

imagem © Tribuna da Imprensa/RJ

Bush fala

Bush admite que suas decisões desestabilizaram o Iraque

WASHINGTON - O presidente americano, George W. Bush, admitiu que as decisões de seu governo contribuíram para a instabilidade no Iraque desde a invasão desse país em 2003, segundo uma reportagem da CBS News de sábado.

"Nosso governo se ocupou de uma fonte de instabilidade no Iraque. Era um mundo no qual Saddam Hussein tentava obter uma arma nuclear para competir com o Irã. Era uma significativa fonte de instabilidade", disse Bush à TV, cujo repórter o lembrou de que atualmente o Iraque é mais instável do que antes da invasão. "Bom, sem dúvida, algumas decisões fizeram com que as coisas se tornassem instáveis", admitiu Bush.

"Penso que a história olhará para trás e mostrará que havia muitas maneiras de fazer as coisas melhores. Não há dúvida disso", disse Bush numa entrevista que será transmitida no domingo durante o programa da CBS "60 Minutos".

Bush sublinhou que ter derrotado Saddam não foi um erro.

"Minha decisão de tirar Saddam Hussein foi uma decisão correta, em minha opinião. Não encontramos as armas que pensávamos que iríamos achar ou as armas que todo mundo acreditava que ele tinha. Ele era uma fonte significativa de instabilidade", reiterou Bush.

"Libertamos o país de um tirano. Penso que o povo iraquiano deve ao povo americano gratidão e acredito que a maioria dos iraquianos a expressa".

Mas Bush criticou a maneira como foi realizada a execução de Saddam Hussein no dia 30 de dezembro passado.

"Poderiam ter administrado melhor a situação", acrescentou.

(Portal Uai)

In this "60 Minutes" special broadcast that aired Sept. 11, 2002, Scott Pelley interviewed President George W. Bush aboard Air Force One and at the White House about the attack on America.

janeiro 12, 2007

Lições ao Príncipe

... "Quando alguém é causa do poder de outrem, arruína-se, pois aquele poder vem da astúcia ou força, e qualquer destas é suspeita ao novo poderoso" (Cap. III)

... "O principado é estabelecido pelo povo ou pelos grandes, segundo a oportunidade que tiver uma destas partes; percebendo os grandes que não podem resistir ao povo, começam a dar reputação a um dos seus elementos e o fazem príncipe, para poder sob sua sombra, satisfazer seus apetites. O povo também, vendo que não pode resistir aos grandes, dá reputação a um cidadão e o elege príncipe para estar defendido com a sua autoridade".

"Quem se torna príncipe mediante o favor do povo, deve manter-se seu amigo, o que é muito fácil, uma vez que este deseja apenas não ser oprimido. Mas quem se tornar príncipe contra a opinião popular, por favor dos grandes, deve, antes de mais nada, procurar conquistar o povo. Ser-lhe-á fácil isso, uma vez que se tenha ocupado em protegê-lo". (Cap. IX)

Nunca Machiavelli esteve tão apropriado aos nossos dias

janeiro 11, 2007

lição para os políticos

Copiado do livro escolar usado por meu filho: Panorama Geográfico do Brasil - contradições, impasses e desafios socioespaciais, de Melhem & Sergio Adas. Editora Moderna. 3a. Ed. 1998
"Se desejarmos melhores dias, isso só será possível através de sério e eficaz enfrentamento da questão educacional. Sabe-se que o conhecimento constrói o bem social, logo o desenvolvimento de um país dele depende. Sem pesquisa científica e tecnológica subsidiando o sistema produtivo, torna-se difícil o engajamento do Brasil na Terceira Revolução Industrial. Continuaremos, assim, dependentes do exterior. E, pior, enquanto o governo do país não tornar a educação em todos os seus níveis uma prioridade, não investir adequadamente em pesquisa, não alterar a prática política (clientelismo), não politizar a sociedade como um todo, não fizer a reforma do Estado, e não adotar um modelo de desenvolvimento que promova a distribuição de renda, estaremos mantendo e até ampliando a massa dos excluídos da sociedade brasileira. Continuaremos a ser um país da periferia" (p. 118).

janeiro 10, 2007

meu voto vai para Aldo

à Presidência da Câmara dos Deputados
Mesmo com apoio declarado do PMDB ao candidato do PT, Arlindo Chinaglia, o atual presidente da Câmara e candidato à reeleição, Aldo Rebelo, do PCdoB, disse que não desistirá da campanha e que a decisão final caberá ao plenário da Casa.

retornos

janeiro 03, 2007

barbas de molho

Les dernières heures de Saddam Hussein

"Je m'offre en sacrifice. Si Dieu le tout-puissant le désire, elle (mon âme) ira là où il me l'ordonnera, avec les martyrs".

liberation.fr

Essa já perdemos

Devemos todos pendurar 2006 na parede para lembrarmos sempre como deve ser um ano prenhe de descobertas. Não há dúvidas de que, pelo menos nisso, este foi um ano exemplar. Nunca tivemos tanta novidade em tão pouco tempo e por tão largo período.

Tantas e em tal quantidade que, daqui a algum tempo, quando alguém fizer referência a 2006 não poderá dizer que houve de tudo um pouco. Não senhor, neste ano houve de tudo muito. Do prefeito aos governadores, da Câmara de Vereadores à Assembléia, tanto os grandes quanto os pequenos funcionários públicos nos forneceram os mais claros exemplos de uma prestação de serviços inepta.

Não foi necessário mais que um par de meses para os fluminenses descobrirem que a crise da Saúde, parida pelo ministério correspondente no ano anterior, era uma verdade permanente. O governo Lula tirou o dinheiro das mãos irresponsáveis do município e o depositou nas mãos irresponsáveis do Estado. No gesto, entregou a população doente a hospitais sem remédio, água ou comida.

Foi também o ano em que o carioca viu com clareza inédita a cidade esfarelar-se debaixo dos pés. Projetos como Rio Cidade e Favela Bairro foram por água abaixo. Vitimou o primeiro a inapetência administrativa do prefeito. O segundo virou sumidouro de dinheiro. Sempre que uma etapa era concluída, ia sendo deixada para trás e destruída pelo uso e a ação do tempo associados à falta de conservação. Já enterrou 600 milhões de dólares.

Quando Cesar Maia anunciou ter nas favelas sua opção preferencial enganou-se quem pensou ter ouvido a palavra qualidade. O correto é quantidade ou, traduzindo, voto. Eis o truque. Daí o prefeito ter passado a dizer qualquer bobagem que viesse à cabeça para justificar-lhes o crescimento desenfreado para os lados e para o alto.

O Rio perdeu em várias frentes. A política tomou-lhe o prefeito. Sim, senhor, o servidor público nº 1 da cidade enveredou pelas campanhas e delas nunca mais saiu. Interesses pouco confessáveis de vereadores e secretários do município arrebataram algumas das regiões mais bonitas, como as vargens (Pequena e Grande), para o aplauso da especulação imobiliária e dos administradores de bolsões de voto da favelização. Os governadores fizeram o resto.

Com o casal que os governou, cariocas e fluminenses descobriram em 2006 que exercer o poder é atividade estreitamente ligada à magia. Nada a ver, porém, com o ilusionismo que encanta os olhos. Foi na mão grande mesmo. O dinheiro público que foi passado de um lado para outro do Orçamento nunca virou escola, hospital ou estrada. Sumiu, mesmo. Há fartos sinais de que teria ressurgido em pré-campanhas, campanhas propriamente ditas e até compra de votos. Mas, sabe como é, as entranhas do truque o mágico nunca revela, porque a graça está em deixar metade da platéia na dúvida.

Mas isso é bobagem perto do que a dupla ofereceu à descoberta dos governados. Como se fosse pouco o milagre da multiplicação das obras, a tunga nos recursos da Saúde ou a destinação da Fundação Escola do Serviço Público a convênios nebulosos, o casal de governadores instalou a população na mais grave crise de Segurança já registrada no estado. Isso, sim, é política de terra arrasada.

A guerrilha urbana que aterrorizou o Rio na última semana do ano não é só resposta de traficantes à invasão de favelas por milícias que os expulsam. E se for, tem importância apenas relativa. A questão não é essa. O que esse terrorismo indica é o choque entre dois estados paralelos. É isso: temos um novo estado paralelo, que cresceu sob o encolhimento do estado de direito, como há muito vem fazendo o tráfico.

O governo - que só depois de oito anos o eleitor decidiu enxotar de volta para casa - desarmou as defesas da sociedade. Tirou os telefones da polícia, deu-lhe um sistema de comunicações onde qualquer ladrão de galinhas entra, ouve e fala, e condenou policiais a alvos de aprendiz de bandido. Senta-os num carro sem motor ou combustível numa avenida qualquer e chama isso de visibilidade. É o mesmo governo que tirou do comando o coronel que botou a boca no trombone depois de ouvir um pedido indecente de um secretário de estado. Esse governo desmoralizou a polícia.

As milícias, que tanto escândalo causam agora, são velhas conhecidas dos governos do Estado e do município. Na favela Rio das Pedras, onde a mais antiga está há pelo menos 20 anos, sempre foram bem recebidos juízes, secretários de estado e políticos vários, além de graduadas figuras das polícias Civil e Militar. Em todas as comunidades hoje controladas por milícias é saudado por faixas o apoio do deputado federal Rodrigo Maia, filho do prefeito. A polícia sabe disso como também o sabem os governadores, o prefeito, a Polícia Federal e o ministro da Justiça.

Por isso, importam pouco as causas ou o vencedor da guerra que botou em pânico o carioca nos últimos dias do ano. A sociedade já a perdeu. Se o tráfico de drogas for sufocado, reduzido à expressão mínima (o que é bom), quem sufocará as milícias? A polícia? Teremos então uma guerra da polícia contra a polícia? Pior: quem convencerá as pessoas que só pensam em livrar-se do tráfico de que o que muda é só o tipo de crime? Quem explicará que a mudança não se limita a um bando de negros e pobres que passarão a ser achacados nas favelas? E isso é só o início do novo ano, leitor. Felicidades.

P.S.: O casal de governadores que finalmente larga o osso nas próximas 48 horas é a prova mais evidente do fracasso de todas as iniciativas destinadas a fixar o homem à terra. Se algum desses projetos tivesse dado resultado, certamente não teria sido permitido aos Garotinho saírem de Campos.

Xico Vargas

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2007: o ano do Porco

Celebrar o ano do porco

Um budista chinês queima paus de incenso para celebrar a entrada do novo ano no templo de Yufo, em Xangai. De acordo com os 12 signos do zodíaco chinês, 2007 vai ser o ano do porco. Foto: Eugene Hoshiko/AP

www.publico.clix.pt

janeiro 01, 2007

um novo ano novo

O ano velho se foi. A última imagem do ano velho que me veio à memória é a imagem do enforcamento de Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti. Enforcaram-no no penúltimo dia do ano velho - 30 de dezembro. A morte de Saddam é simbólica. Sua morte não representa o fim de um ciclo de violência e dominação. Sou contrária à pena de morte seja de quem for. E contemplando a última imagem de Saddam eu me perguntei: o que se passava na cabeça deste homem diante da morte? Com que serenidade entregou-se à preparação para a execução. Parecia desejar morrer e deixar para seus seguidores a imagem de um mártir. Chorei diante das cenas mas não sei explicar a razão de minhas lágrimas. É uma mistura de raiva, compaixão, misericórdia e revolta. A mesma emoção complexa eu senti em 2001 ao assistir ao desabamento das torres do World Trade Center, cujo ataque me pareceu também bastante simbólico.

1º. de Janeiro: Dia da Fraternidade Universal.

Eu me pergunto: quando triunfará a fraternidade universal? Quando não mais teremos enforcamentos, dominação, violência, guerras?

Ao assistir ao vídeo da execução de Saddam Hussein, preste atenção ao som terrivel do baque do corpo no solo.