fevereiro 07, 2007

'adeus Lênin'

... não existe mais no Brasil o “indivíduo que, por seu modo de viver e pensar, se opõe aos costumes, valores e idéias impostos”, conforme definição do mestre Houaiss para o uso informal do substantivo masculino “alternativo”. Sabe o cara? O cara não existe mais!

O Brasil optou pela caretice. Escolhemos para padrão o bom comportamento, a aparência engomada, o discurso arrumadinho, o colarinho branco... Desde que os hippies viraram mendigos e a sociedade alternativa do Raul Seixas virou essa estranha forma de vida do Paulo Coelho, o Brasil vem extinguindo um tipo de cabeça delirante decidida a inventar um país. Não se faz mais Darcy Ribeiro. Nem Paulo Freire ou Francis, Nelson Rodrigues, Vinícius, Glauber, Diduche, Wally, Mussum e Zacharias. Estão acabando os João Gilberto, Armando Freitas Filho, Tom Zé, Boni, Pereio, Perfeito, Novos Baianos, Velha Guarda...

O Brasil não dá mais ouvidos a gente que tem coragem de arriscar uma idéia diferente, uma maluquice. Desistimos da originalidade e não há outra saída para o país, já que pelos caminhos consagrados Hemisfério Norte não vai dar tempo, o fim do mundo, como se sabe, avizinha-se.

... Está muito difícil pensar em alternativas num país sem alternativos. ... Tutty Vasques

Imagem © mundohippie

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