fevereiro 27, 2007

em tempos de Oscar: muito além da maquiagem

*os festivais e as premiações de filmes - 'noves-fora' o marketing capitalista - têm sua importância ao chamar nossa atenção para certos filmes que por seu turno nos remetem aos críticos e, dentre estes, destacam-se aqueles que nos remetem a uma leitura mais cuidadosa do filme.

sobre 'O Labirinto do Fauno'

Sinopse

Espanha, 1944. Oficialmente a Guerra Civil já terminou, mas um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas ao norte de Navarra. Ofelia (Ivana Baquero), de 10 anos, muda-se para a região com sua mãe, Carmen (Ariadna Gil). Lá as espera seu novo padrasto, um oficial fascista que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade. Solitária, a menina logo descobre a amizade de Mercedes (Maribel Verdú), jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto dos rebeldes. Além disso, em seus passeios pelo jardim da imensa mansão em que moram, Ofelia descobre um labirinto que faz com que todo um mundo de fantasias se abra, trazendo conseqüências para todos à sua volta. adorocinema

nos sites:

br.today.reuters:

"Labirinto do Fauno" leva Oscar de maquiagem, arte e fotografia

A fantasia sombria "O Labirinto do Fauno" ganhou o Oscar de melhor fotografia neste domingo. O longa do diretor mexicano Guillermo del Toro recebeu também os prêmios de melhor direção de arte e maquiagem.

... O Labirinto do Fauno" conta a saga de soldados fascistas na Espanha pós-guerra civil, que torturam rebeldes enquanto um demônio sem olhos e devorador de crianças espreita nas redondezas, em um submundo misterioso.

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Os mexicanos Guillermo Navarro e Eugenio Caballero, que ganharam dois prêmios Oscar pela fábula fantástica "O Labirinto do Fauno", disseram na segunda-feira que esperam que as estatuetas sirvam para gerar maior apoio ao cinema do país.

Navarro recebeu o Oscar de melhor fotografia, e Caballero, o de melhor direção de arte. O filme, que também ficou com o Oscar de melhor maquiagem, conta uma história ambientada nos primeiros anos do franquismo.

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estadao

O Labirinto do Fauno, ao receber o prêmio de melhor fotografia, tornou-se o primeiro filme da noite a acumular troféus, após ter conquistado o Oscar de melhor maquiagem e direção de arte.

... Gwyneth Paltrow, estrela premiada com o Oscar por Shakespeare Apaixonado, entregou o troféu de melhor fotografia para Guillermo Navarro por O Labirinto do Fauno. Ele agradeceu à Academia pela grande honra e disse que "este prêmio é o reconhecimento de todos e da genialidade de Guillermo Del Toro".

O filme é o resultado dessas narrativas que culminam em transformar o filme em uma história incrível e da liberdade criativa para contar uma história.

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VALE A PENA LER:

O Labirinto do Fauno - Katarina Peixoto

para os belchiores da humanidade

É um debate tão antigo como a filosofia, aquele que gira em torno da eternidade ou não, das formas.

Quando Platão, para desconcerto geral da paróquia, defende a pensabilidade da mudança afirmando que ela implica um “certo ser do não ser”, está apresentando para a filosofia um dos caminhos subterrâneos que só devemos atravessar se obedecermos ao que nos ensinam os faunos da filosofia, da história e do bem. Porque nesses caminhos pode haver muitas formas eternas, como preceitos lógicos irretocáveis, mas certamente há coisas sombrias e tortuosas, em que se metem os homens que não vêem o que está jogado pelo chão e, assim, perdem todo o esplendor que nos pode e sempre deve estar dado a pensar. Isso tudo pode parecer a confusa descrição de um labirinto e o é, como num esforço nem tão vertiginoso assim, de dizer a todos e a cada um dos leitores que façam o presente para si mesmos de irem assistir à última obra prima de Guillermo del Toro.

O Labirinto do Fauno, atenção criançada situ, é a história fabulosa da nossa vitória na Guerra Civil Espanhola. Uma vitória de um certo ser nosso do não ser que nunca se põe. É também a descrição implacavelmente realista da brutalidade franquista e da decisão entre a vida e morte de que se faz – eternamente – o compromisso com a liberdade, com a verdade e com a vida. Também é uma obra cinematográfica de uma beleza comovente, impregnante, granulada como um livro antigo e portadora de um amarelume pastel que nos devolve a um colorido muito presente nos afiches das forças em Guerra, naquela que é considerada a última grande batalha romântica da humanidade.

A última guerra em que homens e mulheres lutaram não por dinheiro, por território ou por petróleo: mas porque queriam um mundo livre ou um mundo “ordenado”, para resumir, minimamente, a grandiosidade da coisa.

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Continua em Fausto Wolff – Revista Eletrônica

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