fevereiro 13, 2007

'porcarias'

Parliament or pigsty?

Feb 10th 2007 From The Economist print edition

A failed campaign to clean up a tarnished legislature ... more

Câmara processa "The Economist"

A Câmara dos Deputados irá processar judicialmente a revista britânica The Economist, uma das publicações mais prestigiosas do planeta. O motivo é uma notícia veiculada na última edição da revista, que começou a circular na quinta-feira (8) da semana passada. Trata da eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Casa.

Pendurada num título ácido "Parlamento ou chiqueiro? "A reportagem trata a eleição de Chinaglia como resultado de "uma campanha fracassada para limpar uma legislatura maculada." Anota que o petista prevaleceu sobre Aldo Rebelo (PCdoB-SP) numa disputa apertada 18 votos de dianteira marcada pela perversão: "O toma-lá-dá-cá paroquiano venceu a ética." Chinaglia considerou o texto ofensivo. Abespinhado, evita inclusive repetir em público os termos empregados pela revista. Pediu à procuradoria da Câmara, na última sexta-feira (9), que estudasse quais as medidas judiciais que podem ser adotadas contra a revista. Dirigindo-se ao plenário da Casa, Chinaglia informou que a análise da procuradoria "está sendo ultimada." Antecipou: "Vamos tomar as medidas para fazer a defesa adequada da Casa." Em campanha, Chinaglia enviara aos deputados uma carta-compromisso. Uma das promessas que anotara no documento era a de reagir às críticas da imprensa que ele considerasse injustas. O processo contra The Economist será o primeiro gesto do novo presidente da Câmara nessa direção.

A revista britânica lembra em sua reportagem episódios que macularam a imagem da Câmara durante o primeiro mandato de Lula. Menciona especificamente o escândalo do mensalão. Recorda que o presidente da República teve de livrar-se de auxiliares de peso. Entre eles, José Dirceu, acusado pelo Ministério Público de comandar "uma sofisticada organização criminosa." São fatos que, por notórios, não parecem suscetíveis de reparação judicial.

O Judiciário não é o caminho mais adequado para que a Câmara demonstre ao mundo que não é uma pocilga retratada por The Economist aos seus cerca de 1 milhão de leitores. O troca-troca noticiado pela revista já fora fartamente noticado pelos meios de comunicação do Brasil. O próprio Aldo Rebelo denunciara a manobra. A mudança de imagem depende, portanto, de gestos menos performáticos que um processo judicial. Reconheça-se, porque é de Justiça, que Chinaglia começou bem. Arrancou do plenário a aprovação do projeto que extinguiu 1.050 cargos de confiança, um ninho de apadrinhados de deputados. Forçou o plenário a iniciar as sessões deliberativas pontualmente às 16h. Tenta dar agilidade às votações. É pouco, muito pouco, pouquíssimo. Mas é um bom começo. Se mantiver as mangas arregaçadas, Chinaglia não terá de recorrer a processos onerosos e de resultado incerto para limpar a lama que recobriu a Câmara na legislatura passada.

Portal UAI

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