novembro 10, 2007

e o Velho Chico? é bom lembrar

SÃO FRANCISCO, A REALIDADE DO MUNDO: Entre o excesso e a carência Quinze milhões de brasileiros vivem sob a influência do Velho Chico, sofrendo com falta de chuva ou inundações. Primeira fase da obra será concluída em 2010 Cerca de 28% da população brasileira divide apenas 3% do volume de água nacional. E a oferta não é contínua: na época de chuva, os rios transbordam e inundam terras. Na seca, é possível ver os leito de córregos e rios. A transposição permitirá que cursos de água sejam perenes A transposição do Rio São Francisco é um assunto que diz respeito diretamente a 15 milhões de brasileiros, população que, de acordo com dados oficiais, vive sob a influência do Velho Chico. Esse universo está compreendido numa área que se estende por 640 mil quilômetros quadrados, distribuídos entre 503 municípios em Minas Gerais, Goiás, Bahia, Alagoas, Pernambuco e Sergipe e, apesar de poucos saberem, no Distrito Federal. São pessoas que hoje sofrem com a falta e água ou que temem enfrentar o problema depois da conclusão das obras de integração das bacias. A previsão é de que a primeira fase do projeto seja concluída em 2010, último ano do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A obra de transposição – ou integração de bacias, como prefere o governo – está dividida em dois eixos. O Norte, que começa no município de Cabrobó (PE), e o Leste, com início no município de Floresta, também em Pernambuco. De cada um deles sairá um grande canal usado para levar água às cidades beneficiadas. O São Francisco vai abastecer as bacias de Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e Bacias do Agreste em Pernambuco; Jaguaribe e Metropolitanas no Ceará; Apodi e Piranhas-Açu no Rio Grande do Norte; Paraíba e Piranhas na Paraíba. As populações que dependem dessas bacias vivem entre o excesso e a carência total de água. No período de chuvas, alguns rios chegam a transbordar causando inundações e prejuízos. Nos longos períodos de seca, contudo, é possível ver o leito dos rios e açudes. Dados do Ministério da Integração Nacional mostram que a região beneficiada pelo projeto responde por 28% do total de brasileiros que, juntos, dividem apenas 3% da oferta de água do país. O São Francisco responde por 70% de toda a essa água disponível. A distribuição, contudo, é desigual. Enquanto no semi-árido da bacia do São Francisco, cada habitante pode dispor de até 10 mil metros cúbicos de água por ano, no semi-árido do Nordeste Setentrional essa disponibilidade não chega a 500 metros cúbicos, menos de um terço do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A integração das bacias seria a alternativa para corrigir as gritantes diferenças. MONITORAMENTO Na prática, o que a integração vai fazer é permitir que todos esses rios se tornem perenes. Para isso, será feito um monitoramento permanente. Sempre que um reservatório chegar próximo do limite de 20% de sua capacidade, o alerta será acionado e será feito o bombeamento da água. Pela outorga concedida pela Agência Nacional de Águas ao Ministério da Integração Nacional, poderão ser captados ao longo de todo ano, o máximo de 26 metros cúbicos por segundo. Sempre que houver excesso de água na barragem de Sobradinho, o volume poderá chegar a 117 metros cúbicos. Hoje, quem mais sofre com a falta de água são os moradores de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará e eles serão os maiores beneficiados, segundo o governo. A expectativa é de que a oferta de água transforme a economia da região. Projetos de irrigação podem fazer desses estados grandes produtores e exportadores de frutas e hortaliças como já ocorre com os municípios de Juazeiro na Bahia e Petrolina em Pernambuco, onde essas culturas já estão desenvolvidas, graças a programas de irrigação. (Estado de Minas)

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