março 25, 2008

Adeus, BBB8!!! Já vai tarde...

Opa. Se o que é bom dura pouco, quanto tempo dura o que é ruim? A resposta – três meses! Mas nem tudo está perdido. O melhor momento do BBB8 será na noite desta terça. Sim. Esse lixo acaba! Sempre há a ameaça de continuação, de uma nova edição no ano que vem e tal.

Mas só de saber que a partir de amanhã ninguém mais vai falar nesse negócio, nessas pessoas aí - que a maioria delas ninguém vai lembrar daqui, sei lá... um mês... rá!

Só de pensar que acabaram essas “reportagens” que nos empurram para intrigantes discussões sobre quem é boiola, quem é cafajeste, quem é dissimulada, qual moça beija na boca da outra moça... sinceramente?!

Já é um baita alívio.

Acho que o público não tem culpa de gostar do que está ali. Se tem uma coisa que a audiência de TV aberta não gosta de fazer é pensar. Um pouquinho que seja.

Graças a isso, o programa nada de braçada, pode ser manipulado, ter seu vencedor trabalhado pelo senhor Boninho e companhia em cada minutinho de ilha de edição gasto para levar o que acontece em 24 horas nos parcos minutos exibidos diariamente pela Rede Globo.

Quem sai de lá vive batendo nessa tecla. Outro dia levamos o Alberto Cowboy num videochat com a namorada dele, a deliciosa Bruna, e os dois confirmaram. O troço é manipulado, as pessoas recebem orientações sobre como se portar etc.

Depois ficam à deriva no mundo da fama, a exemplo do próprio casal citado. Muito simpático, muito agradável, mas que chegou no quintal do sucesso e dali não passará.

São apenas mais dois que se sujeitaram a participar de um jogo de interesses e que lutam para continuar nele, na guerrilha por um lugar aos holofotes, mesmo fora da casa. Têm poucas chances de galgar coisa melhor, simplesmente porque não foram preparados pra isso.

Fama, celebridade, é uma coisa. Talento é outra.

E é esse jogo de cartas marcadas que o público insiste em acompanhar ano a ano, como se fosse uma novela das 8. Mas é sangue mesmo, não é mertiolate. São pessoas. E o povo em seus lares acha que realmente o que acontece ali é decidido pela vontade popular!!!

Caramba!

Ninguém se preocupa com mensagens, não se aprende nada de bom assistindo ao programinha. Não há um valor a ser perpetuado. Amizade, obstinação, altruísmo, sinceridade? Pra que? As pessoas só querem aquele milhão, aquele carrão, aquele buzanfão na Playboy.

E os telespectadores estão apenas se divertindo vendo televisão, da mesma forma que se divertem em seus locais de trabalho, em suas vizinhanças, de uma maneira simples e barata, que as valoriza imensamente enquanto seres humanos: perceber no outro algum defeito.

Rá!!! Se o outro é canalha é porque nós somos os bons. Se a outra é maquiavélica, nós somos os angelicais. Ora. Desse jeito. Narciso acha feio o que não é espelho, diz Caetano Veloso. E o público, pobre público, nem percebe que não há exercício de livre arbítrio embutido na coisa toda.

As pessoas são induzidas.

Recebem a vítima da semana pronta, eleita pela edição, e a ela dedicam todo seu rancor, todo desprezo de quem não consegue lidar com o fato de que todos nós podemos ser bons e maus, tudo ao mesmo tempo. Só depende dos olhos de quem vê, da versão de quem conta a história.

O telespectador não tem culpa. A culpa é toda nossa, profissionais de TV, que estamos fazendo uma programação de gosto duvidoso não é de hoje. Qualidade não é apenas acabamento, é também conteúdo. Esqueceram disso?

A Globo arrota essa excelência, mas está destruindo o senso crítico do brasileiro há décadas fazendo porcaria com muita competência técnica. De cada 10 produções, acerta numa. Muito pouco, para quem detém quase 90% da verba publicitária de TV no país.

Poderia arriscar mais.

Eu me pergunto a cada temporada: como alguém, em sã consciência, pode gostar de uma coisa dessas? Tchau, BBB8. Já vai tarde. E vem aí o BBB9. Uhu!!!

Tô louco pra não ver...

Robson Leite

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