março 02, 2008

LULA & STF

O outro lado do vexame
Luiz Weis
Jamais se poderá dizer que o presidente Lula não capricha em dar motivo para a imprensa desancá-lo. A sua "espantosa incontinência verbal", como escreve hoje na Folha o colunista Clóvis Rossi, açula o duplo oposicionismo da mídia. Aquele, legítimo, do qual, no limite, todo governante deve ser objeto - "imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados", na definição de Millôr Fernandes - e aquele, inaceitável, que decorre de sua hostilidade prévia, de fundo ideológico, a esse governante em particular. A soma das duas modalidades se traduz nas insuficientes críticas, em artigos assinados e editoriais deste sábado, ao ministro do Supremo e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello - o alvo dos condenáveis ataques de Lula ao Judiciário. Mello costuma atropelar o princípio de que juiz só fala nos autos. Nem quando presidiu o STF deixou de se manifestar fora de hora. Um exemplo dessa insuficiência está no editorial "estadônico", em matéria de agressividade, da Folha. O comentário registra que "não é a primeira vez que o presidente do TSE abandona a discrição que convém a seu cargo" e "falou demais". Mas a referência ocupa apenas 5 das 95 linhas do texto impresso. E nenhum jornal se lembrou de citar uma que fosse das manifestações indevidas do Meritíssimo. Publicada, a citação não diminuiria a gravidade da bordoada de Lula, nem valeria como circunstância atenuante para as suas rombudas palavras. Mas talvez fizesse o leitor ver que nesse vexame não há inocentes.
Verbo Solto

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