junho 14, 2016

Comicxões - cordel

Passo tardes assistindo
Na TV noticiários
E aos poucos descobrindo
Como nos fazem de otários
Um Congresso enxovalhado
Um Presidente interino
Um Governo improvisado
Eis o nosso figurino:
‘rolam’ duas Comissões
Com regras já definidas
Mas em todas as Sessões
As pautas são discutidas
A longeva Comissão
Julga o controvertido
Manobrista de plantão
Pelo Supremo contido
A Comissão mais recente
No embalo da Lava-jato
Julga se a Presidente
Cometeu crime de fato
O povo segue a vidinha
De brasileiro cordato
E pouco se aporrinha
Com quem detém seu mandato.
Já os mais esclarecidos
Que formam opinião
E não se acham vencidos
Mantêm sua posição

Acompanhar os debates
Em horas de discussão
Engolir os disparates
Entender obstrução
Ouvir todos os apartes
Trazem a grande lição:
A política é uma arte
E tem na Televisão
O seu grande baluarte

Pra dirigir a Nação.

maio 29, 2016

mea culpa - Cordel

Dona Dilma afastada
Da função de presidente
Em surdina cobiçada
Pelo vice-sorridente
No congresso um alvoroço
Quem se dizia bom moço
Atolado até o pescoço
Pois um sujeito medroso
De ser fisgado por Moro
Sem privilégio de foro
Grampeou os aliados que antes faziam coro
Acusando a presidente pela falta de decoro
Causando sua saída e a posse do Temeroso.

O Temeroso interino reuniu sua bancada
E montou seu ministério com a gente indicada.
Mas durou pouco a festança
Quando no meio da dança
Vazou conversa gravada
Criando constrangimento e ao mesmo tempo piada.

De olho no deus mercado o ministro indicado
Pra Fazenda encarregado, refez o que foi orçado
Pelo Governo passado
Aumenta o gasto do Estado
Dobrando a meta fiscal
E já nos deu o sinal
Da medida preparada
Para o Congresso enviada
E com certeza aprovada.

O País está perplexo
É um Governo complexo
Do povo está desconexo
Mas pro Mercado faz nexo:
Mais ganho para os rentistas
Ignorando as conquistas
Das medidas progressistas

Não desesperem, porém,
Como tudo é passageiro
Esta crise há de passar
Haverá outra eleição
E poderemos julgar
Se foi a nossa omissão,
Ou nosso voto insensato
Que deu à corrupção
O poder de mandar de fato.


abril 08, 2016

LARGUEM O OSSO (Cordel)





No Congresso um alvoroço.
Briga velho, briga moço.
Todos brigam pelo osso,
Um ossinho de pescoço.

No Alvorada a presidente
Prometendo dar presente
Para aquele descontente
Do Partido dissidente.



No Jaburu, o seu Vice traiçoeiro,
Em surdina e bem ligeiro
Do barco pulou primeiro
Levando o Partido inteiro.

No Hotel, Lula segue articulando.
O seu cargo aguardando.
E Gilmar procrastinando,
Assim a posse adiando.

Na Câmara, Dudu Cunha manobrista,
Ser ter punição em vista,
Comemora a conquista
De Maioria na lista.

Calheiros lá no Senado
Vai esperando sentado
O desfecho anunciado
Do ‘Impedimento’ acertado.

E no Brasil o alvoroço
Da briga pelo tal osso
Deixa o País nesse fosso

Mergulhado até o pescoço.

março 19, 2016

Um sonho esplêndido (Cordel)

A coisa tá mesmo feia
Nesse país tropical
E a mídia já alardeia
Ser o juízo final.

Elegeram a Paulista
A Capital do protesto,
A FIESP classicista
A Praça do Manifesto.

Em Brasília a capital,
O grande Palco do drama,
O Congresso Nacional
Desenrola toda a trama.

É um misto de novela,
De comédia e folhetim
Que a cada dia revela
Um argumento chinfrim.

Neste palco grandioso
Atuando outro artista
Em ato audacioso
Grande audiência conquista.

Chamado a assumir
Para o enredo salvar
Nem chegou se exibir
Foi obrigado a calar.

1/2 público se revoltou
Com tal arbitrariedade
Que o drama se espalhou
Contaminando a cidade.

Outra metade aplaudiu
A medida assim tomada
Que Diretor instruiu
Ser novamente ensaiada.

Enquanto a Casa Civil
Mantem o portão lacrado
O nosso belo Brasil
Sonha no berço, acordado.


março 17, 2016

SOPA QUENTE (Cordel)

Lula na Casa Civil.
Foi, deveras, nomeado.
É Ministro do Brasil.
O conflito está armado.

A grande mídia atiçando
A fogueira, por seu lado,
Pois segue noticiando
Só material ‘pinçado’.

O Governo, enfraquecido,
Reúne a tropa que tem
Ainda não se diz vencido
Vai para o ‘front’ também.

A Lava-jato causou
Tamanha revolução
Com o tanto que vazou
Para a imprensa de plantão.

São muitos os denunciados,
Outros tantos na prisão,
Suspeitos investigados
Na lista da ‘Delação’.

Existe um ingrediente
No caldo da Lava-jato
Dando um sabor diferente
Ao que se serve no prato.

Para uns, pouca pimenta,
Para outros, muito sal.
A injustiça alimenta
A Indigestão Nacional.


março 14, 2016

Cordel: A vez da jiboia?


E a rua se encheu de gente
Gente feliz e sarada
E que se diz descontente
Com a ‘crise’ instalada
Uma festa diferente
Uma grande procissão
Havia um Santo somente
Para tanta devoção:
O juiz imaculado
Que manda na operação
De lavar todo o pecado
E salvar nossa Nação.

foto  de Aliciane Rodrigues (Facebook)

E as TVs ‘fechadas’
Todo o dia dedicavam
A mostrar caras pintadas
Que alegres desfilavam.
Um carnaval diferente
Talvez uma micareta
Sem a comissão de frente
E nenhuma cara preta.
Camada mais abastada
De nossa população
Foi fazer a caminhada
Sem levar junto o povão.




O motivo da revolta
Que encheu a rua de gente
É ter no poder, de volta,

Outra raça de Serpente?

janeiro 20, 2016

poesia mínima

dúvidas


Sonhei.
Sonho sonhado acordei.
Sonho acordado sonhei.
Acordei.
Se era sonho não sei
Se acordado sonhei.

janeiro 13, 2016

OCIOSA IDADE - um Cordel



O país está parado;
google
Um tédio descomungado
Com o Congresso engessado
E o Supremo calado;
O lava-jato vazado
Mira sempre o mesmo lado
E a mídia dá o recado:
Só PT denunciado
O resto nem é citado.

E Dona Dilma saudosa
Por ser avó prestimosa
Ao Sul correu orgulhosa
Curtir netinhos, bem prosa!
O país está parado,
O Mundo segue virado
Com guerra pra todo lado.
É o fim anunciado?
Nem adianta ter cuidado.

Brasileiro enfastiado
De tanto ralar calado
Acostumou-se a seu fado,
Mas, ai se for enganado!
Aí, sim, endiabrado,
Parte pra briga, e irado
Mata quem está ao lado,
E sai impune o malvado
Pois tem bom advogado.

Na falta de um tema dado
E pra fugir ao enfado
De ver o país parado
Um verso bem martelado
Aqui tenho escrevinhado.
Por não deixar um recado
Eu fico incomodado,
Mas peço ser perdoado
Se não for do seu agrado.