poesias e histórias para crianças

CENAS INFANTIS
Rodando
Rodando
Vai rodando o pião.

Subindo
Subindo
Bolinhas de sabão.

Cantando
Cantando
Sopra o vendaval

Dançando
Dançando
As roupas do varal.

Voando
Voando
Lá se vai o pardal.

Ciscando
Ciscando
A gorda galinha.

Miando
Miando
No muro a gatinha

Correndo
Correndo
As nuvens do céu.
Lá no alto
Brincando
Pipas de papel.

Pezinhos descalços
Mãos sujas de terra
Cavando buracos
Tesouros enterra.

Este tempo passado
Com tal rapidez
Ao ser relembrado
Tão bem detalhado
Faz o adulto encantado
Ser criança outra vez.

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O POTE
Princesa com grande dote
Enfeitou o seu decote.
Na janela a esperar
Alguém a lhe cortejar
De preferência um nobre
Pode ser feio e pobre.
Um mendigo apareceu
Pra casar se ofereceu.
A Princesa assentiu
Com o mendigo assumiu
O compromisso de casar
E para sempre o amar.
No Reino houve festança
Mas, para grande surpresa
Da meiga e linda Princesa
O noivo era um Marquês
Que de mendigo se fez.
Não me esqueci do pote.
Por ordem da Princesinha
Escondido na cozinha.
Um conviva bem guloso
Bebeu o caldo gostoso
Ficou então assombrado:
Em mendigo transformado

**//**

A ESPINHOSA
No jardim havia várias plantas. Cada plantinha com a sua flor.
Mas havia uma plantinha muito triste porque não tinha flor, apenas espinhos espinhentos...
As borboletas pousavam em cada flor. Os beija-flores beijavam cada flor. As abelhas voavam de flor em flor. Somente a espinhosa não tinha flor.
Porém, chegou o calor e o sol esquentou bastante.
As flores murcharam. Os passarinhos foram embora. Restou a espinhosa.
Um dia ela amanheceu contente. Abriu sua flor.
E todas as borboletas, e todas as abelhas e todos os passarinhos vieram voando conhecer a flor de Cactácea.
- Que flor linda! Exclamaram todos.
E ela ficou muito feliz.

**//**

A LESMA VIAJANTE
Uma lesma quis um dia conhecer o mundo. Já estava cansada de viver somente naquele jardim frio e úmido, onde o sol não dava o ar de sua graça.
Seus parentes ficaram muito tristes, mas não puderam fazer a lesminha, chamada Branquinha, desistir da idéia. E, assim, nossa amiguinha saiu pelo mundo.
Atravessou um canteiro de dálias amarelas e chegou ao pedaço de jardim onde o sol derramava sua luz e calor. Assustou-se um pouco com a claridade, pois não estava acostumada com tanto brilho. Fechou os olhos um pouquinho, deixando só um cantinho de olho para enxergar o caminho. E continuou andando, de vez em quando dava uma paradinha, abria o olhinho para espiar as redondezas.
Branquinha sentia muita falta de ter amiguinhos para brincar. Não tinha irmãozinhos. De modo que ficava encantada ao encontrar grupinhos de formigas formigando, ou aparando folhas ou ziguezagueando à toa. Porém as formigas não davam a mínima atenção para ela.
Uma minhoca gordona atravessou muito apressada na sua frente, parecia que estava fugindo de alguma coisa muito assustadora. Era um passarinho que tentava bicar a minhoca para comer ou levar para os seus filhotinhos.
Branquinha, muito mais branca de susto, teve tempo de se esconder num buraco à sua frente. O passarinho passou zunindo sobre sua cabeça e voou para longe.
Branquinha meteu a cabeça para fora do buraco e, cheia de coragem, saiu para continuar a viagem. Reparou num enorme muro de pedras e o achou lindo. Resolveu subir pelo muro para apreciar o panorama das alturas. Subiu muito devagar, lesmamente, com bastante cuidado para não se encontrar com o passarinho novamente. Chegou ao topo do muro e olhou para baixo e sentiu um frio na barriga por causa da altura e decidiu descer pelo outro lado. A descida foi mais rápida porque para baixo todo santo ajuda, ela pensou. Chegou ao chão e ficou sem saber que direção deveria tomar. Viu umas borboletas borboleteando e lhes pediu uma opinião. Mas como Branquinha não sabia com certeza para onde queria ir, uma borboleta disse que não saberia informar e que qualquer caminho que seguisse daria em qualquer lugar.
Ela decidiu is para qualquer lugar e assim foi, arrastando-se bem devagarzinho, pelo cantinho do muro e escondendo-se do sol que já estava bem forte. De repente, surgiu um menino que reparou naquela lesminha solitária. O menino a meteu na caixinha de fósforos vazia do bolso. Ela se encolheu todinha com muito medo. O menino saiu correndo carregando a caixinha que sacolejava tanto que ela ficou enjoada.
Pela primeira vez a lesminha sentiu saudade de casa, estava assustada e apreensiva com o que poderia acontecer com ela nas mãos daquele menino. Ela sabia que eles são muito peraltas, que fazem mil travessuras. O que poderia acontecer?
O menino chegou a casa esbaforido, entrou no seu quarto e foi até a janela onde havia uma caixa de vidro forrada com areia, pedrinhas e toquinhos de madeira. Abriu a caixinha de fósforos com bastante cuidado e despejou Branquinha na caixa de vidro Com muito medo, ela foi abrindo os olhinhos bem devagar e espiando aquela novidade e, com o rabo do olho, espiava o que o menino poderia aprontar.
O menino olhava para Branquinha esperando ela se mexer. Deu-lhe uma cutucada de leve e ela se arrastou um bocadinho.
Assim que se viu sozinha, sem ninguém por perto, Branquinha resolveu dar uma volta pela caixa e qual não foi sua surpresa ao deparar com um lesminho muito tranquilo encostado numa pedrinha.
- Ué! O que você está fazendo por aqui? Branquinha perguntou.
- Eu moro aqui. Meu nome é Clarinho, qual o seu?
- O meu nome é Branquinha. Ela respondeu.
E ficaram os dois de conversa pra lá e pra cá e ficaram amigos.
Branquinha soube, então, que o menino colecionava lesmas.
Clarinho disse que o menino era muito legal, mas a mãe dele não gostava muito e vivia reclamando. Falou, também, que gostava muito de morar ali por obter comida sem precisar ficar procurando.
Branquinha perguntou se ele não sentia falta de amigos. Ele respondeu que agora ela seria sua amiga. Ela respondeu que não queria ficar morando ali por toda a vida, queria viajar, conhecer o mundo e depois voltar para casa dos pais.
Clarinho contou que já conhecia o mundo inteiro e não achava muita graça nele e, além disso, as pessoas não gostam de lesmas e era um perigo ficar zanzando por aí. Ele disse que poderia contar a ela tudo o que já vira pelo mundo e ela poderia ficar vivendo na caixa com ele. Branquinha disse que não ficaria por muito tempo, nem que precisasse fugir dali.
O menino retornou e encontrou as duas lesmas conversando. Ficou um tempão olhando para elas, colocou a comida e depois fechou a janela. Branquinha estava faminta e comeu tudo e foi dormir uma soneca. Ao acordar, lembrou-se de onde estava e sentiu uma tristeza enorme, pois não pretendia viver ali para sempre e passou a imaginar um jeito de voltar para casa.
Um dia, o menino disse estar de férias e levaria as lesminhas para viajar com ele, escondidas da mãe que não concordava com a idéia de ter lesmas passeando pela casa da praia. Clarinho ficou muito assanhado porque adorava praias, mas só para olhar porque a água salgada não faz bem à saúde das lesmas. Para Branquinha seria a chance de fugir.
No dia da viagem, aproveitando um descuido do menino, Branquinha escapou da caixa e pulou ao chão escondendo-se numa fresta.
O menino procurou nas frestas e buracos e não encontrou a lesminha, desistiu da busca e entrou no carro onde sua mãe esperava reclamando muito de sua demora.
O lesminho deixou rolar uma lagrimazinha de lesma.
Quando se viu livre, Branquinha respirou aliviada e tratou de achar o caminho de volta para casa. Afinal onde estava? Como não tinha a menor noção resolveu seguir o caminho da sombra. Encontrou uma fila de formigas e foi atrás delas. Talvez as formigas fossem também para suas bandas. Até que deu certo.
Logo, logo, Branquinha encontrou o muro alto, e se enfiou no furo na parede e lá se foi com cuidado. Ao chegar ao outro lado reconheceu as dálias amarelas, e atravessando o canteiro chegou à toca de sua família.
Lá fizeram o maior rebuliço ao verem Branquinha aparecer na porta. A mãe abraçou a filha aventureira.
Para surpresa de Branquinha, havia muitas lesminhas, sua mãe explicou que os primos resolveram se mudar porque o jardineiro da casa vizinha ameaçava exterminar lesmas com veneno.
Branquinha ficou feliz da vida porque agora teria companheiros para brincar.

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AS AULAS DE CANTO
Um sapinho gostava muito de cantar, mas era desafinado. Ele queria fazer parte do coral dos sapos, porém, toda vez que começava a cantar os outros sapos reclamavam.
Um dia, excluído do coral, abandonou a sua lagoa querida e foi buscar outro lugar para viver, onde poderia cantar desafinado e ninguém reclamar.
Pulando e cantando chegou do outro lado da lagoa. Descansou um pouco e foi conhecer as redondezas. Encontrou um velho caramujo, puxou conversa com ele e contou suas desventuras de cantor desafinado. O caramujo aconselhou procurar um professor de canto e indicou a casa de um mestre. Chegando lá foi acolhido com simpatia e fez um teste. O professor disse que a sua voz era boa e o problema era o modo de respirar. O mestre indicou um médico, que indicou uma terapia para sanar o problema. O sapinho seguiu o tratamento e continuou com as aulas de canto. O professor e os alunos fizeram uma audição de formatura e o sapinho foi solista. A fama do sapinho cantor chegou ao conhecimento dos seus antigos companheiros de coral. Arrependidos, chamaram o sapinho de volta.
Ele muito feliz voltou, passou a cantar no coral e virou professor.
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UMA HISTÓRIA ANTIGA
Quando eu era criança contaram uma história que por muitos anos me deixou impressionada.
Num lugarejo havia um homem considerado pelos habitantes um sujeito muito mau. Era viúvo e não tinha filhos. A mulher morrera de tanto desgosto e os parentes o abandonaram.
Ele maltratava seus empregados, maltratava animais, era arrogante, presunçoso; avarento, não socorria pessoas que lhe pediam ajuda.
Diziam que ele deixou seu cão morrer afogado, atirava com espingarda nos passarinhos; negava frutas do quintal aos moleques; era uma peste de homem.
Certa manhã ele viu uma aranha na teia junto a uma janela; teve o impulso de eliminá-la, mas reparou as gotinhas pendentes da teia, causadas pela chuva que caiu à noite. Achou muito bonito o efeito da luz refletida nas gotas e desistiu de destruir a teia e a aranha.
Passados alguns dias ele caiu muito doente, picado por um escorpião. À beira da morte ele se recordou de todas as ruindades aprontadas na vida e que o levariam para o fundo do inferno; até o capeta já estava ao lado da cama aguardando o desenlace.
Bem na horinha da morte apareceu uma aranha e ele se lembrou da teia repleta das gotinhas iluminadas.
A aranha ao seu ouvido falou:
- Você poupou a minha vida naquele dia, o que foi uma bondade, por isso vou tecer um longo fio, você se pendura nele para eu levá-lo ao Céu. E assim fez.
Mas, no meio da subida, o malvado viu que outras pessoas também se penduravam pegando uma carona no fio da aranha. Ele ficou tão furioso, balançou e sacudiu tanto para os outros se despregarem que o fio acabou arrebentando e ele caiu no inferno, nos braços do diabo.

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A LIÇÃO DA CORUJA
O menino devia ter mais ou menos onze anos de idade. Estava voltando da escola, com seu passinho miúdo, sem pressa, chutando pedrinhas e gravetos que encontrava pelo caminho, quando viu um ninho caído no chão. Sentiu vontade de chutar, mas preferiu parar, se agachou repararando mais perto o ninho onde havia um filhotinho morto. E, olhando ao redor, viu mais dois corpinhos.
O ninho caiu da árvore por causa da ventania, pedaços de galhos e folhas estavam espalhados pela estrada. Olhando para o alto da árvore, o menino viu um passarinho pousado e pensou que seria a mãe dos filhotinhos mortos. Sentiu enorme piedade e, ao mesmo tempo, se assustou com esse sentimento novo. Não sabia explicar o que sentia diante do ninho derrubado pelo vento porque nunca tinha ficado triste quando costumava matar passarinho com pedradas.
Cavou um buraco para enterrar os bichinhos e ao colocar o último punhado de areia escutou o passarinho pousado no alto da árvore falar:
- Obrigado menino, por cuidar dos meus filhinhos.
Ele olhou para cima, o passarinho soltou um triste piado e saiu voando.
Ainda confuso com a compaixão, sentimento que jamais sentira, sentou-se numa pedra a lembrar de como foi mau, tempo atrás, por matar passarinhos com seu estilingue e sentiu extrema dor ao recordar estas mortes inúteis. Pensou em fazer alguma coisa para se redimir e decidiu que soltaria todos os pássaros engaiolados que encontrasse pela frente a partir daquele dia.
Voltou para casa, comeu seu almoço e saiu para procurar gaiolas na vizinhança.
Entrou na casa de Dona Josefa, comadre de sua mãe, onde havia uma gaiola, abriu a portinha, porém o canarinho se recusou a sair.
- Vamos, voe para a liberdade. Disse o menino.
O passarinho respondeu:
- Pra quê? Aqui eu tenho água, comida e gaiola limpa. Prefiro ficar preso a ter de procurar alimento e abrigo!
O menino disse:
- Então continue preso. Você é um preguiçoso!
O menino foi para a casa de outro vizinho, o Seu Silva, amigo de seu pai. Abriu a portinhola da gaiola e falou:
- Vamos, voe para a liberdade.
O passarinho não quis abandonar a gaiola dizendo:
- Pra quê sair e me expor aos perigos. Aqui estou seguro, os gatos não me alcançam.
O menino respondeu:
- Então continue preso. Você é um medroso.
Ele continuou a procurar gaiolas e sempre encontrava a recusa dos passarinhos em fugir. Tentou pela última vez abrir a portinha da gaiola do pássaro preto, mantido por Seu Antonio do armazém da esquina.
O pássaro respondeu:
- Prefiro continuar preso na gaiola. Há muito tempo me pegaram na floresta e eu não sei mais voltar e nem sei se ainda tenho parentes por lá.
O menino disse:
- Então continue preso, você é um conformado.
Ele voltava para casa, desistindo do propósito de libertar os pássaros, sem entender porque eles preferiam continuar presos em suas gaiolas, quando encontrou uma coruja pousada no portão.
A coruja falou:
- Menino, sua intenção é boa, todavia, os pássaros engaiolados já estão acostumados com isso e a liberdade para eles significa risco e morte. Não se trata de preguiça, covardia ou conformismo. É da natureza deles porque nunca aprenderam a se virar sozinhos; desde que saíram dos ovos foram criados em gaiolas. São aves domesticadas que não sobreviveriam fora delas. Porém, existe coisa muito pior para as aves que vivem em liberdade nos campos e nas matas.
O menino ficou curioso e a coruja explicou.
- Existe o tráfico e contrabando de aves, principalmente as belas ou raras com risco de extinção. Pessoas gananciosas retiram da mata os filhotinhos para vender aos contrabandistas. Esse é o grande perigo.
A coruja se despediu e saiu voando para o telhado da casa.
O menino ficou impressionado com o que ouviu da coruja e prometeu que, ao se tornar um adulto, faria alguma coisa para protegê-las,
Anos mais tarde, diplomado em Engenharia Florestal, herdou do padrinho uma fazenda enorme transformando-a em reserva para abrigar os pássaros e outros animais silvestres apreendidos pela Polícia Florestal.
Assim ele se sentiu perdoado pelo mal causado aos passarinhos quando era menino.

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MISTÉRIO
No jardim tinha uma flor
Com um perfume esquisito
Apesar da bela cor
Atraía só mosquito.

Fui saber do jardineiro
Se algum motivo teria
Para esta flor com tal cheiro
Que de longe se sentia.

Disse o homem não saber
E que isto lhe intrigava
Não poderia dizer
Porque a flor mal cheirava.

Uma sombra certo dia
Todo o jardim percorreu
E aquela flor que fedia
A sombra negra colheu.

O jardineiro abismado
Atrás da cerca escondido
Viu o canteiro afofado
Pela sombra remexido.

Uma lenda foi criada
Em torno da aparição
A de uma noiva enjeitada
Que virou assombração.

Seu buquê foi enterrado
Junto às flores do jardim
O fedor foi explicado
Mistério chegando ao fim.

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A BELA E A FERA
Não lembro que tempo faz
Que contaram esta lenda
A bruxa faz um rapaz
Virar uma fera horrenda

Ninguém ainda no mundo
Ousava enfrentar a Fera
Morava num poço fundo
Do amor ficava à espera

Sua vida dedicava
A uma donzela esperar
E só com ela sonhava
Para vir lhe libertar

Ela ao poço decidida
O balde ao fundo lançou
Sai a Fera agradecida
Seu lindo rosto beijou.

A bruxa ficou danada
E de raiva estourou
A poeira foi espalhada

O Povo então festejou

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A SURPRESA NO OVO
Dona Galinha contava
Do ninho os seus ovinhos
Pois aflita esperava
Nascer logo os filhotinhos
Da casca lindos pintinhos
Um a um foram saltando
Todos muito amarelinhos
Rapidinho se aprumando
Onze pintinhos saíram
Dos doze ovos do ninho
Quase todos se abriram
Faltava ainda um ovinho
Filhotinho preguiçoso
Dona Galinha falou
E num ato generoso
Sua casquinha bicou
O danado do pintinho
Nem um piado soltava
Esperar mais um pouquinho
Dona Galinha pensava
Espertos os onze piando
Faziam grande alvoroço
Pra sua mamãe gritando
Ser a hora do almoço.
Não parecia o novato
O conforto abandonar
A mãe deu-lhe um ultimato
De sua casca largar
Do teimoso nem sinal
Ela então decidiu
Por comida no quintal
Com os onze ela partiu.
Comeram tudo que havia
Brincaram até cansar
Acabando estava o dia
Era hora de voltar
Bem contentes retornaram
Para o conforto do ninho
Uma surpresa encontraram
Onde estava aquele ovinho?
A palha foi revirada
Aflita Dona Galinha
Nenhuma pista deixada
Nem mesmo uma casquinha
Estava ainda chorando
Por perder o seu ovinho
Quando ouviu alguém chamando
Por seu nome bem baixinho.
Deve ser o filhotinho
Que finalmente nascido
Caiu sem querer do ninho
Por isso ficou sumido
Reparou Dona Galinha
Que ele era diferente
Penugem ele não tinha
E parecia ter dente.
Assustada e comovida
Com o inusitado fato
Por ter sido distraída
Chocou ovo de lagarto

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O PINTOCO DA CAIPIRA
Pintoco da Caipira
A Carijó do quintal
Mais preto do que fumaça
Queimando o canavial.
Beliscou u’a minhoca
Trombou com a borboleta
Implicou com a formiga
Que lhe fez uma careta

O pulguento Barnabé
O cachorrão perdigueiro
Olhou com rabo de olho
A algazarra no poleiro
Galinhas cacarejavam
Gansos marrecos grasnavam
E penas só avoavam

Onde é que está o Pintoco?
Será o gambá malvado?
O guloso gavião?
A cobra verde e caolha?
Ou será a cozinheira
Correndo atrás do jantar?
Nada disso criançada
Sabem onde da Caipira
O Pintoco foi parar?
Na tigela de farinha...
pra
ciscar... ciscar... ciscar...
s/data            

**//**    

MODINHA
Dia sem sol noite sem lua
Tempo de causar tristeza
O Amor ao voltar da rua
Sentou-se a comer à mesa

Não quis aceitar o doce
Achou salgado o feijão
Queria um raio que fosse
Do luar cá do sertão

Mas o Sol quando mansinho
Na janela apareceu
O Amor que não é tolinho
Um pão-de-queijo comeu
s/data
**//**
NO JARDIM
A Borboleta amarela
Resolveu ir passear
Era linda e a mais bela
Borboleta do lugar

Foi voando toda prosa
Entre as flores do jardim
Pousou primeiro na rosa
Depois pousou no jasmim

Sugou o néctar docinho
Com sua fina trombinha
Foi enchendo o seu papinho
Era muito gulosinha

Pousando na margarida
Encontrou uma Abelhinha
Dentro da flor escondida
Tirava uma sonequinha

A Abelha foi acordada
Fez uma enorme careta
Deixando muito assustada
A pequena Borboleta

Não se assuste amiguinha
Falou a Abelha sorrindo
Estava tão cansadinha
Por isso acabei dormindo

A Borboleta então disse
Que precisou descansar
Por causa da gulodice
Não conseguia voar.

A duas se acomodaram
No miolinho da flor
Dormiram e até sonharam
Nem viram o Sol se pôr.

**//**

OS MÚSICOS DE BREMEN
O velho burro trotando
Muito triste na estrada
Foi um cão logo encontrando
Bem perto da encruzilhada

Ao cão se apresentou
A ele foi perguntando
Como que se machucou
Sua pata está sangrando

Pelo dono fui surrado
Não servia pra caçada
Na estrada abandonado
Velho já não valho nada

O burro então contou
Ele foi também surrado
O dono o expulsou
Por estar velho e cansado

O burro propôs ao cão
A Bremen lhe acompanhar
Onde músicos serão
E uma banda formar

No caminho encontraram
Um velho gato encolhido
Parando lhe perguntaram
O que tinha acontecido

O gato então lhes contou
Que o dono lhe maltratava
Porque não caçava ratos
Ficando cego já estava

O burro também convidou
O gato para tocar
Ele feliz aceitou
Em Bremen se apresentar

Um galo velho foi visto
Num galho empoleirado
No olho havia um quisto
O bico tinha quebrado

Ao galo eles perguntaram
Porque estava ferido
Os donos quase o pegaram
Para servi-lo cozido

Queira nos acompanhar
Pediram ao galo capão
Muito alegres a cantar
A Bremen se foram então

A noite tinha caído
Bremen ainda distante
Assim ficou decidido
Descansariam bastante

Avistaram uma casinha
Encravada na floresta
Lá brilhava uma luzinha
Fugindo por uma fresta

Pela janela espiando
O burro por ser mais alto
Viu quatro ladrões jantando
E discutindo um assalto

O que tinha visto contou
Aos amigos curiosos
Um plano o burro bolou
De afastar os criminosos

A pata do burro na janelinha
Nas costas do burro o cão
No cão o gato se aninha
Em cima do gato o capão

Um sinal combinaram
O burro zurrar o cão latir
O gato miar o galo cocoricar
E na casa entraram

Com medonha barulhada
Os ladrões se dispararam
A casa é assombrada
Foi isso o que pensaram

Assim os quatro animais
À mesa se acomodaram
Comida havia demais
E todos se empanturraram

Fartos resolveram dormir
Muito cansados estavam
Mas tinham de definir
Onde que melhor ficavam

O burro dorme na palha
Junto à porta vai o cão
O galo empoleira na calha
O gato embaixo do fogão

Carregando um candeeiro
Os quatro ladrões voltaram
Um deles entrou primeiro
E os outros esperaram

O gato meteu-lhe a unha
Com o susto ele correu
Na porta ele nem supunha
O cachorro lhe mordeu

No quintal quase chegando
O ladrão desesperado
Novo golpe apanhando
Pelo burro escoiceado

E na calha do telhado
Onde tranqüilo dormia
O galo foi acordado
Começando a cantoria

O ladrão disse aos parceiros
Uma bruxa o arranhou
E na porta os carniceiros
A sua perna sangrou

Monstro enorme no quintal
Com um pau lhe deu pancada
No telhado em seu beiral
Voz tenebrosa gritava.

Foram-se os ladrões embora
Os bichos se levantaram
No despertar da aurora
Para Bremen eles rumaram

Depois que em Bremen chegaram
O festival começou
Seus instrumentos tocaram
E o galo capão cantou

Em Bremen eram chamados
De quarteto musical
Ficaram muito afamados
Com sua banda animal

Assim o conto termina
Adaptado por mim
A história se origina
Num belo livro de Grimm

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DONA MINHOCA
Dona Minhoca
Saiu da toca
Entrou no toco
Do galho oco.

O que buscava
Dona Minhoca
Que se arriscava
Fora da toca?

Torrar ao Sol
Que no céu ardia
Ou morrer no anzol
Numa pescaria?

Dona Minhoca
Fora da toca
O que mais queria
Ter companhia.

Chamou a formiga
Quis ser sua amiga
Viu a Joaninha
A comer folhinha.

Estavam ocupadas
Muito atarefadas.
Então Dona Minhoca
Quis voltar pra toca.

Mas em seu caminho
Tinha um passarinho
Era um Tico-Tico
Que não tinha bico.

Chegou primeiro
Ao galinheiro
A Carijó
Tinha um olho só.

Muito assustada
Também cansada
Dona Minhoca
Entrou na toca.

O buraco escuro
É mais seguro
E escavando fundo
Descobriu um mundo.

Pequenos seres a trabalhar
Fazendo a Terra fertilizar
Dona Minhoca, que alegria,
Agora tem muita companhia!

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A PRINCESA E A RAPOSA
(para JH)
Havia um bosque escondido entre colinas e junto de um riacho onde os caçadores do reino realizavam a caça anual à raposa.
Um dia a princesa acompanhou seu pai à caça. Embora não gostasse de caçadas isto fazia parte da rotina real.
Enquanto alguns caçadores preparavam as armadilhas e outros cuidavam dos cães, a princesa se afastou da comitiva caminhando em direção ao riacho. Ao chegar à margem, descalçou os sapatos e entrou na água, mas escorregou nas pedras e caiu torcendo o pé. Gritou por socorro, porém não foi ouvida pela comitiva e assim decidiu esperar ser encontrada quando a caçada tivesse início.
Minutos depois ela percebeu uma raposa se aproximando provavelmente para beber água e quando a raposa a viu veio mansamente em sua direção. A princesa não teve medo e sorriu.
A raposa acomodou-se ao lado da princesa que sofria muito com as dores. A princesa contou que estava acompanhando a comitiva real à caça e seria bom ela ir embora para não ser alvo fácil dos caçadores. Todavia a raposa decidiu salvar a princesa. Para isto ela foi ao encontro dos caçadores que ao vê-la soltaram os cães. A raposa fugiu em direção ao riacho perseguida pelos cães e pela comitiva e assim a princesa foi encontrada. A princesa pediu ao rei, seu pai, que não matasse a raposa por entender que ela havia atraído os caçadores para resgatá-la. A raposa desapareceu no bosque.
As armadilhas foram destruídas e a partir daquela data a caça à raposa foi proibida no reino.
Um belo dia, a princesa estava passeando pelo jardim real quando o novo jardineiro lhe ofereceu um buquê de margaridas. Ela reparou nos olhos do jardineiro que lhe pareceram iguais aos olhos da raposa que a salvara. O rapaz contou que fora transformado em raposa por encantamento de uma bruxa má e que a bondade da princesa o livrara do encantamento; ele decidiu ser um jardineiro para se aproximar dela e agradecer. Na verdade ele era um príncipe.
Quando a princesa completou os dezoito anos eles se casaram.
O rei-jardineiro aboliu a monarquia; os súditos elegeram um presidente e um parlamento; o casal foi cuidar de uma horta e assim foram felizes para sempre.
FIM

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LIÇÃO APRENDIDA
macaco novo cutuca
mete a mão numa cumbuca
desconhece a arapuca
que prende a mão e machuca.

não mete a mão na cumbuca
macaco velho e sabido
já caiu na arapuca
conhece o risco assumido.

cumbuca velha na estrada
cheia de pó, esquecida,
um convite à macacada
procurando por comida!
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BRUXARIAS
Sou bruxa bem boazinha
Feitiços não sei fazer
Embora sendo velhinha
Sou sarada! podes crer!
O cabelo é arrepiado
Gosto de usá-lo assim
Um corte bem desfiado
Estilo Madame Min.
Mago Merlin enfrentei
Num duelo colossal
E um dia eu encarei
O biruta do Pardal.
Irmãos Metralha também
Ossos duros de roer
O Mancha Negra, porém,
Fez meu coração sofrer
A Maga, a feiticeira,
A minha fiel amiga
Detesta uma brincadeira
É muito boa de briga.
Mas nestes tempos ucrônicos
Não existe bruxaria
São os jogos eletrônicos
Que fazem toda a magia.

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A ESPINHOSA
No jardim havia várias plantas. Cada plantinha com a sua flor.
Mas havia uma plantinha muito triste porque não tinha flor, apenas espinhos espinhentos...
As borboletas pousavam em cada flor. Os beija-flores beijavam cada flor. As abelhas voavam de flor em flor. Somente a espinhosa não tinha flor.
Porém, chegou o calor e o sol esquentou bastante.
As flores murcharam. Os passarinhos foram embora. Restou a espinhosa.
Um dia ela amanheceu contente. Abriu sua flor.
E todas as borboletas, e todas as abelhas e todos os passarinhos vieram voando conhecer a flor de Cactácea.
- Que flor linda! Exclamaram todos.
E ela ficou muito feliz.

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